Pode ser que pela velocidade dos acontecimentos de Fogo de La Passion você não tenha percebido que este episódio foi o último antes da grand season finale. Sim, nossa novela mexicana favorita está chegando perto de um hiatus gigantesco de cerca de quatro meses e não fez questão nenhuma de te lembrar disso, mas, convenhamos, nem precisava, afinal: quem derruba o Twitter toda semana? Quem é o estopim das mais acaloradas discussões sobre teorias a serem exploradas? E a guerra entre os fãs dos livros, os fãs da série e os fãs dos dois? Quem bate recordes e mais recordes na demo e produz constantes series high? Então, uma série dessa magnitude não precisa deixar ninguém ansioso para o que vai acontecer no episódio final, podendo se dar ao luxo de entregar um enredo ruinzinho a essa altura. Pra quem já é presenteado toda semana, isso é só uma marolinha, companheiros e companheiras.
Pois bem, o episódio dessa semana se resumiu, quase que completamente, à busca incessante de um grupo de vampiros em trazer de volta uma bruxa, caçadora e assassina de vampiros. Sim, porque não basta fazer a best voltar com vontade de matar vampiros, aqui o buraco do drama é bem mais embaixo, e todos os que ela mais ama precisam, também, serem marcados e subirem pros trend topics da lista assassina da nossa nova vingadora – e não, eu não vou fazer qualquer piada que remeta àquela música que dominou o carnaval pegando minha metralhadora e trá trá trá trá. Por que, sem or, a ideia de Ric de amarrar Bonnie era tão ultrajante e não recomendável aos olhos de Caroline? Porque, mesmo que inconscientemente, a série acaba se entregando: falhas, incoerências, tolices. O questionamento é latente, mas a resposta é risível. Damon e cia preferem achar uma solução do problema xâmanico de BuenoBueno com ela solta por aí, correndo atrás dos coleguinhas, do que ela estar amarrada em uma cama confortável, com café da manhã incluído, no Ibis Mystic Falls. Mas nós entendemos, não é mesmo? O ato de amarrar atentaria contra a dignidade e liberdade de uma assassina que não tem qualquer controle sobre a vontade que ela tem de matar. O problema não foi Bonnie não ter sido amarrada – até porque essa era apenas uma das infinitas possibilidades – mas, sim, o fato da série não conseguir mais esconder ou ao menos camuflar suas próprias incoerências. Chegamos a um ponto que os roteiristas escrevem sabendo dos possíveis argumentos que os fãs podem levantar, e tão nem aí. “Eles vão entender, já entendem há sete anos”. Fico imaginando como surgem tais ideias na sala de criação. Vazar um áudio não autorizado da sala de roteiristas de TVD: um sonho. Que virou realidade, sigamos.
E a presepada continuou, pois se já não bastava acompanhar a saga de Stefan fugindo de Rayna, agora teremos que acompanhar a saga do elenco inteiro da série fugindo de Bonnie. E o pior, pelo MESMÍSSIMO motivo. A ONU pira com o apoio integral da série à reciclagem. O raciocínio é mais ou menos o seguinte:
– “Pra Bonnie não se distrair com os vampiros coadjuvantes por aí, precisamos de um motivo pra ela seguir os próprios amigos, maaaas, a espada que marcava a localização do vampiro non ecziste mais, então, o que fazer?”
– “Hum, vamos ver… E quem disse que só a espada pode marcar o vampiro?”
– “Mas, tipo, a Rayna só usava a espada pra marcar e tal, é complicado a essa altura inventar outros meios de…”
– “Não, a regra é: tudo que não é proibido é permitido. Nós nunca falamos que não podia, então, a partir de agora, pode!”
– “Que ideia maravilhosa! Mas, então a gente pode trazer a pedra Phoenix de volta também né? Tipo, hora nenhuma a gente falou que se uma bruxa vira caçadora ela não pode criar pela magia uma nova prisão!”.
– “Genial! Ué, já sei, Bonnie já criou uma prisão: o Arsenal. Todos os vampiros marcados por ela podem ir parar lá dentro.”
– “É isso! E de que modo se pode sair de lá?”
– “A ideia é liberar a força demoníaca do mal toda poderosa mais vilanesca de todos os tempos, aí fazemos assim: alguém só sai se todos saírem ao mesmo tempo, aí é só mandar um personagem importante lá pra dentro eee pimba!!”
“Formamos uma bela dupla, cara.”
Formam não. Sério mesmo. Tipo, duplinha ruim. Sabe ruim daquelas bem meia boca? Então, cês não tão muito bons não.
Vale lembrar, ainda, que o fato de os personagens concordarem em entrar na mente de Bonnie para convencê-la a viver é, de fato, uma boa alternativa, o que não dá pra aceitar é geral voltar marcado de lá. A ideia era que ela lutasse contra os instintos de caçadora, mas era tão óbvio o momento que ela estava pra perder as estribeiras, que eu não consigo entender a inércia dos personagens ao movimento linear de uma estaca em direção ao peito. Depois de Caroline marcada, a ideia era ir pra lá de colete e armadura, menos que isso eu já não ia. Mas, pra não negar as origens: y a mucha honra The Vampire la del Barrio soooooy.
Por fim, tivemos o surgimento – DO NADA – de uma possibilidade de quebrar a ligação de Bonnie com o instinto caçador. Beleza, que esse fardo ia ter solução era um fato, mas se existia a possibilidade da quebra do instinto de caçar, porque diabos Rayna nunca correu atrás disso e teve a paz tão sonhada sem precisar morrer? Ela teve séculos, minha gente! E mais, pra completar, a solução para os problemas de The Bonnie is the new Rayna encontra-se no Arsenal, no corpo da última vida xamânica, onde está o vilão da primeira parte da 8ª temporada (sim ou com certeza?). Um motivo para abrir a casa, um motivo para liberar a entidade. Óbvio, sem surpresas, sem expectativas, do jeitinho que TVD vem sendo. Pelo menos nisso a série vem fazendo questão de se manter coerente.
P.S.1: “Ela é minha gata. Eu vou primeiro.”. Enzo até num delírio que o próprio episódio teve nos seus minutos iniciais você o primeiro a morrer, quem você tá achando que é?
P.S.2: “Stefanizar” é o equivalente a pegar uma semana comum no colégio e torná-la uma semana de provas.
P.S.3: “Stefanizar” é como ir pro trabalho e descobrir que é feriado.
P.S.4: “Stefanizar” é como ir na balada e encontrar o ex.
P.S.5: “Stefanizar” é como estar assistindo a sua série favorita e descobrir que ela foi cancelada sem final.
P.S.6: “Stefanizar” é como estar stalkeando o perfil das inimigas e curtir uma foto de 2012.
P.S.7: Vocês repararam que Bonnie mal virou caçadora e já tá rosnando pra falar?
P.S.8: Sobre a sombra de Elena na cortina: tão natural quanto à luz do dia.















