O motivo do caos mudou do vírus para as armas.
Existe um livro famoso de um professor universitário estadunidense, publicado na década de 1950, que costuma ser usado como obra de introdução ao estudo do direito em muitas instituições de ensino até os dias de hoje. O caso dos exploradores de caverna, de Lon Fuller, como o próprio nome sugere, narra a história de cinco homens que terminam soterrados e passam dias sem ver a luz do sol. Após tanto tempo assim, uma ideia parece ser a única solução para a sobrevivência do grupo: sacrificar um deles para servir de comida para os outros.
Na maioria das séries apocalípticas, conseguimos enxergar nitidamente o liminar entre o período em que as pessoas naquela situação extrema começam a cogitar a hipótese de, assim como no livro, consumir carne humana para não morrer. Em Containment, não é diferente, e este episódio deixou tudo muito claro: as pessoas estão perdendo o senso de civilidade.
Inicialmente, por conta do jornalista motivado ao que, em sua própria lógica, chama de contar a história real para a população, mas que na verdade nada mais é do que propagar o caos. Depois, pela despreparação, totalmente justificada, da polícia em lidar com uma situação tão aquém da normalidade. E, por fim, por tirar dos quarentenados a única coisa que ainda os mantinha conectados ao mundo do outro lado da cerca: o sinal da internet.
O Major Lex continua batendo de frente com Sabine Lommers para questionar os métodos que as autoridades federais norte-americanas estão tomando para contornar o problema, mas sem sucesso. Sabine é uma mulher decidida, mas ao mesmo tempo irredutível e arbitrária, agarrando todas as forças as regras que ela mesma criou, o que vai totalmente contra a espontaneidade de Lex. O major, aliás, apesar de também demonstrar apreço pelas regras, tem um coração humano (coisa que falta a Sabine) e por isso, é usado como ponte entre os federais e os cidadãos comuns.
O episódio desta semana então procurou focar mais nessas relações humanas do que na doença em si, já afastando de vez possibilidades como o bioterrorismo, e criando um drama mais local. A política de dentro da contenção é “cada um por si”, e fomos vendo os personagens descobrindo isso aos poucos.
Jana foi uma das primeiras a entender esse lema e mostrou ter o maior senso de sobrevivência de todos os civis da série ao não se permitir o risco de ser infectada, nem que isso significasse perder os três aliados (ou seriam três estorvos?) com quem divide o teto. Já Katie, apesar de livre da quarentena hospitalar, permanece presa à responsabilidade de cuidar das crianças, e o risco de ser infectada enquanto mora no hospital é enorme. Teresa, por sua vez, nem parece aquela mesma adolescente desmiolada do piloto, e vem mostrando mais maturidade do que outros personagens mais velhos.
E por falar em maturidade, e quanto à insistência de Jake em não assumir seu chamado? Depois de cenas emocionalmente pesadas, em que o policial tenta prestar o mínimo de respeito aos corpos que estão sendo cremados sem muita cerimônia, mais um problema causado pelo jornalista surge para, mais que qualquer coisa, mostrar o quão defasada a força policial é dentro da contenção.
E assim se deu mais um episódio de Containment, funcionando como uma sequência direta do último, mantendo a atmosfera pré-apocalíptica que vimos desde o piloto, mas focando mais nos dramas locais do que na doença que deu origem a tudo. O tempo de tela dos personagens tem me agradado muito (só Jana que poderia fazer algo de mais relevante), porém o ritmo tem diminuído um pouco, o que é absolutamente esperado. Só nos resta saber quem vai conseguir sobreviver até o 13º dia, porque não é só do vírus que os personagens estão morrendo.
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Últimas palavras:
– Espero que, mesmo sem a suspeita de bioterrorismo, continuem tocando na origem da doença. Não seria muito mais legal se o vírus não surgisse de causas naturais?
– Primeiro, colocar contêineres para separar famílias, depois tirar a internet da população. Parece mais é que Sabine está querendo criar uma zona de guerra lá dentro.
– Doenças estranhas? Sinal de internet cortado? Cada vez mais começo a achar que Containment na verdade se passa no Brasil.















