Se consegue ouvir isso, você está sozinho. A única coisa que restou é o som da minha voz. Eu não sei se algum de nós sobreviveu. Nós vencemos? Nós perdemos? Eu não sei. Nem tenho certeza se eu sei o que vitória significaria. Mas de qualquer forma… acabou. Então deixe-me contar quem nós éramos. Deixe-me contar quem você é. E como nós revidamos
– Root
A espera finalmente acabou. Depois de praticamente um ano aguardando a “boa vontade” da CBS, a contagem regressiva para o desfecho dessa excelente e subestimada série que é Person of Interest teve início esta semana. É claro que a revolta com o tratamento dado pela CBS a POI é grande e que a maioria dos fãs (eu inclusive) gostaria que não estivéssemos falando em temporada final, porém já que ela é inevitável o negócio é esquecer a raiva e curtir ao máximo esta reta final que tem tudo para ser incrível.
B.S.O.D foi um típico episódio de início de temporada de POI. À exceção da premiere da 2.a (que tinha Finch sequestrado por Root), a série normalmente tem um primeiro episódio mais pragmático, que busca organizar as ideias, posicionar personagens de acordo com a tônica a ser dada para a temporada e então evoluir com a trama ao longo dos episódios subsequentes até chegar ao clímax. Assim, ainda que a alegria de podermos ver nossos personagens favoritos novamente tenha contribuído para a impressão de um episódio mais agitado e emocionante, a verdade é que ele serviu principalmente para nos posicionar com relação às consequências da finale da última temporada e, sobretudo, tratar do ressurgimento da Machine.
O principal ponto a ser abordado no episódio foi a relação Finch x Machine. Em se tratando de uma temporada final, está muito claro que chegou a hora da verdade para a questão dos limites da Machine e, principalmente, de Harold resolver seus conflitos internos com relação a isso. Depois de uma 4ª temporada em que passou teimando em não aceitar que a Machine pudesse ser uma I.A. amigável, Finch finalmente começa a se render àquilo que Root e Nathan cansaram de lhe dizer e a admitir que errou ao não permitir que sua criação pudesse se desenvolver, sendo que os flashbacks foram muito importantes em mostrar que o coração de Harold sabia o que fazer, mas que sua lógica e pessimismo conseguiram vencer até mesmo a opinião de Grace. Agora, consciente das consequências de sua decisão e de que talvez o Samaritan não teria prosperado se ele não tivesse programado a Machine para deletar suas memórias, como será que Harold irá enfrentar essa culpa?
O episódio também tratou de explicar como ficaram as situações das identidades do Team Machine após o confronto com o Samaritan e mostrou que, apesar do receio de Finch, tanto ele quanto John ainda estão protegidos pelas identidades criadas pela Machine ao final da 3ª temporada. Quanto a Root, como ela recebia uma identidade nova da Machine a cada dia, foi preciso a ela apelar a um antigo cliente de seus tempos de hacker para que conseguisse uma nova. Mas será que no caso dela irá funcionar? Ela poderá ficar com uma só identidade?
E enquanto John, Harold e Root lutam contra o Samaritan, o desavisado Lionel vai sem saber se tornando um alvo da máquina do mal por insistir em investigar o assassinato de Dominic e Elias. Fusco até escutou (meio a contragosto) o conselho de John e parou de teimar com o FBI, porém discutir o caso com Reese na frente da câmera e ir até o local do crime procurar o cartucho do rifle vai deixando o Samaritan cada vez mais alerta e propenso a eliminar a ameaça de Lionel. Contudo, ainda que o risco de que algo aconteça com Fusco seja grande, entendo que o real objetivo da série é fazer com que Lionel finalmente acabe descobrindo sobre a Machine e o Samaritan, o que, convenhamos, já passou da hora, não?
Por fim, agora que a Machine está de volta, já podemos imaginar quais serão os próximos passos da série. O primeiro deles deverá ser o retorno de Shaw, afinal temos que descobrir o que aconteceu com ela e de que lado da briga estará. Já o segundo, na minha opinião, deverá ter a ver com o funcionamento da Machine, pois com tanta zica que ocorreu naquela descompressão, certamente algumas sequelas deverão ocorrer.
No mais, agora é se segurar no sofá, na cadeira, na cama ou onde quer que vocês assistem à série. Faltam apenas 12 episódios e, como conhecemos bem Nolan e Plageman, eles têm tudo para serem de tirar o fôlego!
Bem-vindos de volta, pessoal!
Observações
– O episódio teve início praticamente no mesmo ponto em que a season finale nos deixou (porém já com John, Root e Finch buscando escapar individualmente) e foi logo fazendo uma introdução excelente, em uma espécie de “resumo musical” que foi capaz de rapidamente mostrar como cada um dos personagens enfrentava e resolvia suas dificuldades e, de quebra, ainda nos dar ótimas cenas de ação. Esse é um recurso que POI utiliza como ninguém e, como exemplos clássicos dele, temos o final da temporada passada e, aquele que mais gosto, o início do episódio 3×10 (The Devil’s Share) – episódio seguinte à morte de Carter.
– B.S.O.D foi muito bem em pôr os pingos nos “Is” no início da temporada e é bom saber que não é porque teremos uma última temporada mais curta que Nolan e Plageman irão abandonar suas características. Contudo, o que talvez possamos imaginar é que se tivessem mais tempo, provavelmente a série levaria pelo menos mais um episódio para chegar no ponto em que B.S.O.D chegou e assim teríamos um episódio menos corrido.
– Também foi ótimo ver que os demais elementos da série continuam firmes, tais como os diálogos ácidos, as piadinhas, o mau humor de Lionel e as cenas de ação.
– Não sei se é competência ao escrever a história ou em atender aos fãs, mas depois de esperar por tanto tempo para voltar ao ambiente de POI os roteiristas nos deram um presente danado em trazer um flashback com Nathan e Grace, além é claro de nos permitir ver um pouco mais do processo de criação da Machine!
– As esperanças de quem ainda imaginava e torcia para que Elias ainda pudesse ainda estar vivo se foram… Vou sentir muita falta do carequinha, primeiro e melhor vilão de toda a série!
– E Harold chamando a Machine de “She”? Root wins!!
– B.S.O.D. é a abreviação para “Blue Screen of Death” (tela azul da morte), que é a expressão usada para a famosa tela azul do Windows.
– Aparentemente o cão que interpretou Bear desta vez não foi Boker (nome do cão-ator que está na série desde a 2ª temporada). Eu já estava bastante desconfiado devido ao cão não ter sido mostrado de frente e tido aparições bem rápidas e parece que bastante gente também notou isso. O que será que aconteceu com o Bear original?
– O discurso de Root na abertura do episódio, aliado às imagens do novo QG no metrô destruído indicam que a temporada levará a uma guerra épica, de incríveis proporções. Será que alguém sairá vencedor? Quais serão as consequências desse confronto?
Frases
– “Um dia alguém criará uma inteligência desinibida. Não se trata do “se”, mas de “quando”. Por que não pode ser você? A menos que confie em mais alguém para construir uma que seja amigável com a raça humana.” (Nathan para Finch)
– “Pode me chamar de Root, otário” (Root para Samaritan)
– “O que foi? Açúcar faz mal.” (John para Harold)
– “Somos só nós dois agora. Apesar de parecer que tenho o talento de alienar pessoas que emprego, não estou preparado para perder nenhum de vocês ainda.” (Finch para Machine)
– “Eu só precisava de uma mudança. Arrumei um emprego novo, me apaixonei…” (Root para Bela)
– “Eu não falo “nerd”. Vai funcionar?” (John para Root)
Diálogo 1 (John e Finch)
J: “O mundo precisa da Máquina mais do que nunca.”
F: “Não é o primeiro a tentar me dizer isso, Sr. Reese. E se soubesse o que enfrentaríamos, teria lidado com as coisas de outra forma.”
Diálogo 2 (Finch e John)
F: “Precisamos abrir, não fazer uma lobotomia.”
J: “Precisamos de uma frequência cardíaca. Na massagem cardíaca, às vezes quebramos costelas.”
Diálogo 3 (Lionel e John)
L: “Aí estão os relatórios significantes das últimas 24h”
J: “Algo chamou sua atenção?”
L: “Fora a agressão de uma doida no metrô, conhecida como quarta-feira em Nova York, nada.”
J: “Foi a Root. Obrigado, Lionel!”
Diálogo 4 (Lionel e John)
J: “Então você é um herói. Bom trabalho, Lionel.”
L: “Vou quebrar os dentes do próximo que me disser isso. Sinto que saí de uma conspiração e fui para Twilight Zone”.
Diálogo 4 (Root e Finch)
R: “Harold, construiu algo melhor do que nós, intelectualmente, moralmente superior. Não estava confortável.”
F: “Como alguém ficaria?”
R: “Eu estou. Porque é um reflexo seu. E agora é a nossa última esperança.”
F: “Então aqui estamos.”
R: “Sim. E gostando ou não, Harry, a história está com você.”






















