Bates Motel continua acertando em suas escolhas e reparando erros do passado.
Depois de um episódio repleto de cenas, consideradas por mim, irrelevantes e cansativas de alguns personagens secundários, “There’s no place like home” revirou todo o cenário da semana passada e tomou decisões essenciais. Redirecionando os caminhos de alguns e cortando de outros, não há mais um personagem que esteja alheio ao plot principal.
Com a descoberta das cartas, Dylan e Emma puderam transpassar a ideia de serem otp (one true pairing), retornando às figuras importantes de meio-irmão e melhor amiga de Norman. Sabendo de tudo que já aconteceu no motel, suspeitar de mais uma tragédia não é loucura e criar hipóteses relacionando Norman a tudo isso não é um absurdo. Entretanto, desde a 1ª temporada, é possível observar que tanto Norma quanto Emma costumam ser enganadas por Norman, ou criam uma ilusão para poderem continuar defendendo-o. Dylan foi o único dentre eles que reagiu e atacou de volta (vale lembrar a cena em que os dois brigam na cozinha). Dessa forma, com o passar do episódio, a suspeita é cada vez mais preterida, encontrando a justificativa no passado e nas atitudes imorais da mãe de Emma. Contudo, creio que essa história não encontrou seu fim e ainda será desenvolvida alguns episódios a frente.
Ainda sobre personagens secundários, ou nesse caso, terciários (essa palavra existe?), pelo que tudo indica a trama envolvendo Rebecca e Bob Paris acabou nesse episódio e não voltará para nos assombrar. Foi essencial essa decisão, visto que a série encontra-se cada vez em maior profundidade nos assuntos relacionados a traumas familiares e suas graves consequências, como o transtorno dissociativo de personalidade, e assim, essa história permaneceria em uma posição estranha a todo o restante, atrasando um roteiro ágil e de grande qualidade.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, pequenas tiras de jornal reviram a trama de cabeça para baixo. Já era esperado que Norman descobrisse sobre o casamento de sua mãe, porém foi surpreendente o momento e a forma com que aconteceu. Os roteiristas não esperaram a melhora de Norman para descobrir apenas em casa ou fizeram uma revelação bombástica. Mais uma vez, assim como o singelo ato do encostar das mãos, menos foi mais. Assisti-lo calculando todas suas ações e agindo calmamente, sem gritos ou esperneio, imprimiu um controle que ainda não havia sido vislumbrado. Como dito a Julian, Norman constatou sua habilidade em conseguir gerar uma impressão nos outros de que ele é uma pessoa boa, carinhosa, gentil e até mesmo normal. Utilizando Julian como contraponto, o roteiro deixou claro que o jovem Bates não é mais um louco. A única semelhança entre ele e os outros em Pineview se encontra na definição do que é anormal, porém essa determinação nas mãos de Norman se torna manipulável. Como relatado no episódio passado, existem duas personalidades, mas isso não quer dizer que Norma(n) é mais forte. Não houve nenhum apagão, nenhuma alucinação e mesmo assim pessoas que sabem de todo o histórico foram enganadas. A última cena, focando sempre nas costas de Norman e nunca mostrando seu rosto, demonstra que ele abandonou aquele lugar, aquelas pessoas “iguais a ele” e a imagem de que ele é louco. Agora apenas existe o Norman do bem, de volta em casa e do lado da mãe. Pelo menos, aparentemente.
Curiosidades e outros comentários:
– Após ter dirigido um episódio na 3ª temporada, Nestor Carbonell voltoupara trás das câmeras. (Pode mandar mais que está pouco.).
– Freddie Highmore escreveu o roteiro do próximo episódio. (Ansioso para ver o trabalho dele. Se for metade do seu talento atuando já estou satisfeito.).
– Max Thieriot dirigirá um episódio na 5ª temporada.
– Adoro esses momentos engraçados de Norma que conseguem quebrar com a tensão e nos fazer rir. Foi hilário a cena em que ela perguntou se Emma havia morrido.















