Um leve aquecimento para a reta final.

Os hiatos geralmente atrapalham o andar de uma série em sua reta final. Excluindo aquele que marca a virada do ano, considero todos os outros que interrompem uma temporada como desnecessários. Por exemplo, quando a série voltou do hiato de virada de ano, com o episódio The Devil in The Details (11×10), seguiu-se com episódios semanais até o razoável Beyonde The Mat (11×15). Houve outro hiato e a série voltou a apresentar um episódio inédito quase exatamente um mês depois, com o ótimo Safe House (11×16). Após a exibição do empolgante Hell’s Angel (11×18), veio novamente um hiato e retornamos agora, após 2 semanas sem episódios. Viram como é inconsistente e picado?

Sei que é chover no molhado e que isso não irá mudar (a curto prazo), mas as emissoras de TV aberta precisam urgentemente rever seus conceitos sobre suas séries terem essa grande quantidade de episódios e essas semanas picadas sem exibição. Com tantas variações na exibição de seus shows, não é de se estranhar que um programa novato não se segure na audiência. Supernatural tem a vantagem de ser uma veterana e possuir uma base sólida de fãs. De qualquer forma, apenas queria começar esse texto com esse pequeno desabafo para adentrarmos no episódio dessa semana. Ele não foi ruim, foi apenas regular, mas não creio que ele será lembrado com suspiros no futuro.

The Chitters foi mais um filler, uma caçada rotineira a um monstro da semana. Como permeou boa parte dessa temporada, a sensação das primeiras caçadas esteve ali, com um roteiro leve, apesar da gravidade da situação proposta, e um monstro inédito, enriquecendo a mitologia da série. A história do episódio é basicamente sobre Jessy, uma criança que perdeu seu irmão e, após crescer, se tornou um caçador que busca vingança pelo monstro que deixou essa marca em sua vida. Os Bisaans foram criaturas um tanto interessantes, pois abordam conceitos como parasitismo e zumbis, nos lembrando de elementos já vistos em outras obras, como The Last of Us (2013). Enfim, toda a descrição dos monstros pela jovem, no começo da investigação, criou um ambiente totalmente repulsivo (com Dean rapidamente o tornando cômico), porém, ao compararmos com a facilidade com que tudo foi resolvido no final, permaneceu a sensação de que algo não foi tão bem conduzido.

Em relação aos irmãos Winchester, não há muito que comentar. Eles apenas conduziram a trama e nada mais. Não aguento mais diálogos entre eles em que algum dos dois (ou ambos) está estudando sobre um meio de enfrentar Amara e vem o outro e diz que eles precisam relaxar e ir caçar até que algo bom surja. Sei que a intenção da temporada é capturar as sensações das primeiras aventuras, com os irmãos caçando monstros juntos, sem nenhum conflito entre eles, porém, todo episódio abrir com esse diálogo se tornou bastante cansativo, graças à alta demande de fillers em sequência do meio da temporada. A dinâmica entre Dean e Sam foi muito boa, com várias piadas e momentos constrangedores. Ao fim do episódio, houve ainda uma leve reflexão sobre o destino de um caçador após anos e anos na estrada, porém, nada que já não fora abordado antes e com mais profundidade.

Jessy e Cesar, os caçadores que os Winchesters encontraram, também formaram uma boa dupla no episódio, atualizando a série em relação a um tema contemporâneo e necessário, sem cair no cafona, porém, ainda um pouco receosa de abraçar essa abordagem, visto que o casal praticamente não compartilhou demonstrações de afeto, ficando apenas no “somos um casal, mas para não chocar a audiência, ficaremos por isso mesmo”. Como ponto positivo sobre esse assunto, vale ressaltar que o diálogo no início do episódio, entre Jessy e seu irmão, em nenhum momento mostrou alguma repreensão, piada ou qualquer atitude que fizesse parecer não natural a sexualidade de Jessy, dessa forma tornando tão crível o sentimento de carinho que ele guardava do irmão.

A investigação também foi satisfatória. Cada interrogatório adicionava um detalhe e eles foram construindo toda a tensão que, infelizmente, culminou em um desfecho fraco. Primeiramente, como ninguém descobriu os corpos ali naquela mina? Tudo bem que o antigo xerife descobriu e manteve isso em segredo, mas não houve mais ninguém que visitou lá? Não sei, parece-me um tanto estranho. De qualquer forma, após matar alguns infectados, todo o problema se resolveu de forma bem tranquila, tornando o fim até um pouco anticlimático, eu diria. Em relação à discussão entre o ex-xerife e Jessy, foi outro ponto positivo, pois não vilanizou o Sr. Cochran e tampouco o fez de coitado. Pudemos entender sua atitude no passado, assim como a reação de Jessy ao descobri-la.

Apesar do saldo final positivo, é inegável que The Chitters deixou um gostinho de desperdício, levando em conta o episódio anterior e toda a história deixada em suspense. Não acho que a solução ideal seria terem colocado um episódio chave para a história principal no lugar desde, mas sim não terem tantos hiatos. Infelizmente não sei explicar ao certo os motivos disso, pois depende do calendário estadunidense e eu não sou um especialista no assunto, mas não é benéfico para o andar da história e quebra a narrativa. Isso é um fato. De qualquer forma, não haverão mais hiatos e espero que não tenhamos mais nenhum filler ou história descartável para embalarmos em um final de temporada eletrizante.

Curiosidades (Fonte IMDB):

– Eduardo Sánchez, diretor do episódio, tem bastante experiência com narrativas sobrenaturais. Dentre diversos trabalhos, ele já dirigiu alguns episódios de From Dusk Till Dawn: The Series (2014-atualmente) e também foi um dos diretores do fenômeno A Bruxa de Blair (1999).

– Kandyse McClure (intérprete da Xerife Tyson), é também conhecida por papéis em Battlestar Galactica (2004-09) e Hemlock Grove (2013-15).

– Connor Stanhope (intérprete de Matty), além de já ter participado de Supernatural, no episódio The Real Ghostfacers (5×09), também fez participações em Smallville (2001-11).

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