Um assunto de irmãs salva a trama inconsistente de Once Upon a Time.
Já estamos na reta final da temporada. Faltam poucos episódios para a conclusão do quinto ano de Once Upon a Time. Contudo ainda existe um grande problema a ser resolvido, e não estou me referindo a presença do nome de cada herói em um túmulo, representando sua permanência no reino de Hades, mas sim ao roteiro desigual de uma série que não consegue mais transformar seus quarenta minutos de exibição em algo totalmente aproveitável. Já está se tornando um padrão em que a presença de dois assuntos diferentes prejudicam o bom andamento do episódio, que é sempre resgatado pelo charme de uma trama paralela, no caso a de Zelena. E olha que interessante, já é a terceira vez nesta temporada que a personagem de Rebecca Madder aparece para criar algum tipo de aproveitamento dentro do que está sendo exibido. Tanto no passado quanto no presente.
Once Upon a Time sempre teve sua premissa centralizada ao redor de recontar histórias. Através de uma nova abordagem conhecemos mais de filmes clássicos da Disney como: Branca de Neve e os Sete Anões, a Bela e a Fera, Cinderela e até alguns nomes novos, como Frozen. Recriar fatos e aprofundar estes personagens se transformou na força motriz da produção. Atualmente ela permanece com a mesma característica, com a apenas uma diferença. O ponto de saturação já força a recontagem de histórias já oferecidas através de uma ótica de reaproveitamento da própria série. É o famoso retcon. A continuidade retroativa é um artificio usado em ficção cientifica e histórias em quadrinhos desde que o mundo é mundo, não existe nenhuma novidade aí. Quando feito com cuidado a ferramenta oferece uma oportunidade de conectar pontos, aumentar a sensação de compreensão e melhorar personagens. Quando usado de forma imprudente, questões são levantadas e o telespectador termina confuso. Felizmente o caso de Sisters é o primeiro e oferece um tipo de envolvimento emocional muito poderoso, mas aqui, o mérito fica exclusivamente com o poderoso trio de atrizes, Mader, Parrilla e Hershey.
O sentimento, contudo, continua o mesmo, o roteiro da série não é capaz de expandir seu próprio tema e construir um episódio que atenda as expectativas do início ao fim, em todos os núcleos. Enquanto estávamos acompanhado a belíssima e triste história de Zelena, tudo funcionava perfeitamente. Ao passo que a trama de Emma, David/James e Robin, ruiu antes mesmo de começar a construção do momento. É um padrão que está sendo desenvolvido desde que a metade da quinta temporada começou, no submundo. Outro aspecto que também não agrada e que permanece como uma das minhas principais reclamações neste atual quinto ano B, é a falta de emergência dentro da trama do reino de Hades. Quando o vilão impõe algum tipo de risco, nunca é para um personagem principal. Com exceção de Hook no episódio de retorno da temporada, nenhum outro personagem central sofreu qualquer ameaça que justificasse medo. Como agir diante de um ambiente que deveria ser hostil, mas que coloca David para fazer compras? Tirando o filtro avermelhado, nada é construído para impor medo, receio e antecipação.
A verdade é que a série já não consegue mais convergir todos os elementos necessários para criar algo memorável. Entramos em um período de inércia em que estamos sendo guiados pela força que a produção desempenhou no imaginário em seu primeiro ano, especialmente, e com menor força nos dois seguintes. Mas não pretendo ser uma pessoal totalmente amarga com a série. Existiram ótimos momentos dentro de Sisters e a massiva maioria é graças a Lana Parrilla e Rebecca Mader. A história das duas irmãs não é nenhuma novidade, mas vê-las finalmente se entendendo ajudou bastante a quebrar uma sequência de desconfiança instaurada desde a revelação de parentesco entre ambas.

E então entramos dentro do assunto Cora. O texto da série fez questão de transformar aquela mulher no tipo mais desprezível de pessoa possível. Todo o seu comportamento desde a sua primeira aparição foi responsável por gerar uma barreira praticamente impenetrável para a personagem. Após ver a jovem Zelena, interpretada pela brilhante e comovente Isabella Blake-Thomas, ficou ainda mais complicado de engolir a redenção daquela péssima mãe. Que cena de partir o coração o momento em que a Zelena é arrastada pelos guardas, tudo isso enquanto a pequena Regina prometia salvar a irmã. Que tipo de roteirista acha que uma cena como aquela é algo passivo de perdão instantâneo? Imaginar que a personagem conseguiu todo o perdão que precisava apenas por ter devolvido a recordação do encontro entre as duas filhas é forçar um pouco a amizade. Novamente é um aspecto religioso tradicional que os produtores da série sempre fizeram questão de pontuar como dominante em sua produção. Você poderá ser salvo, independente do seu crime, se no seu último suspiro você se arrepender de seus pecados. Como uma série centralizada em contos de fadas, faz todo sentido. Após anos assistindo uma mulher odiosa brincar com os sentimentos de todos a sua volta em prol de um egoísmo gigante? Nem tanto.
Once Upon a Time ainda é uma série que consegue emocionar, mesmo que na maioria das vezes desperte, junto com a emoção, um pouco de ódio. Zelena é, atualmente, responsável pelos sentimentos bons que tenho pela série. Sua história é comovente e o comportamento dos personagens heroicos da série sempre me faz ficar do lado da “vilã” e não dos mocinhos. É um comportamento estranho, especialmente quando a regra diz que você tem que torcer pelo herói, mas dentro de tudo o que já vimos, comum para a série. Por sorte ainda existem episódios como este para mostrar que vale a pena continuar ao lado de homens e mulheres tão cheios de personalidade e coração.
Sisters consegue ser um bom episódio por entregar uma história satisfatória para Zelena. Porém, ao analisar o conjunto da obra, fica extremamente difícil julgar como proveitoso, ou bom. O roteiro multifacetado não consegue mais criar interesse e envolvimento entre telespectador e todos os lados do episódio. Enquanto a trama dos heróis se arrasta, é a vilã quem rouba o holofote. Este recurso de transformar antagonistas em pessoas falhas já não é nenhuma novidade para quem acompanha Once Upon a Time, mas seria interessante sim ter algo diferente, inovador. Não me refiro a Zelena, que realmente mereceu um pouco mais de compreensão, mas em algum ponto precisaremos encontrar um inimigo cujo único motivador seja seu próprio interesse. Pior é perceber que já temos alguém assim, mas que permanece como herói, sabe-se lá por qual motivo.
PS. Zelena é brasileira. Todo dia é um 7×1 diferente.
PS2. Henry sumiu. Provavelmente está escrevendo história de sereia dentro do banheiro, com o chuveiro ligado. Se é que vocês me entendem.
PS3. Robin correndo pelo meio do mato com bebê Pistache. Pai do ano.
PS4. Hades e Zelena dentro da Christine, o carro assassino. Uma história de terror, que na verdade é um amor.
PS5. Ainda acho que Hades está querendo passar a rasteira do Fofão da Carreta Furação na Zeleninha. Abre o olho, verdinha.
PS6. Cora tinha uma bica diretamente do rio do submundo. Justo aquele que traz amnésia. Santa coincidência do roteiro escrito por uma turma possivelmente alcoolizada.
PS7. Aquele momento constrangedor em que você abre a gaveta da sua mãe e encontra um objeto longo, cilíndrico e mágico… neste caso uma varinha.
PS8. Que galera mais louca, sempre marcando as brigas DO LADO DO RIO DO ESQUECIMENTO.
PS9. “Conheça o meu pai” – Um adolescente com cara de alguém que não vai ao banheiro tem uma semana. Nossa, que medo.
PS10. Existe uma obra de feitiçaria muito forte. Sempre que decido abandonar a série, aparece um episódio como Sisters. E lá vamos nós…















