And now you’re telling me it’s all over?

Um dos episódios mais chocantes e impressionantes de Drag Race, por todos os fatores possíveis. Teve Derrick surpreendendo, teve Chi Chi surpreendendo e decepcionando no mesmo episódio… muitas emoções.

Muitas emoções no episódio, porque no tema da runway mesmo, a falta de criatividade gritou. Detox foi extremamente feliz naquele look do reunited e entrou pra herstory de DR, e o look é tão singular e espontâneo que qualquer coisa que tente se parecer com ele é, simplesmente, sem graça. E assim foi a runway.

Já no desafio da semana, é legal termos algo que exija das queens uma criação do zero quanto às ideias. Logo na semana que os EUA estão falando só de políticas (com direito a Trump ganhando as pré-eleições) e, curiosamente, no Brasil também. A ideia mais genial a meu ver seria ser extremamente absurda e fora da realidade, puxar o mundo drag ao extremo e querer ele como realidade. Ninguém fez com perfeição, mas Bob e Naomi chegaram bem perto e isso é muito satisfatório.

Vamos às individuais?

Bob the Drag Queen

A sinergia de Bob com Derrick é inexistente, mas nesse episódio elas conseguiram usar suas desavenças como energia pro desafio. Ainda que seja válido dizer que essa rivalidade é extremamente falsa e criada pela edição, porque até agora não houve nada tão forte. Derrick teve mais rivalidade com Betty e elas só tiveram atrito uma vez.

Mas Bob brilhou, e mais do que seu par. É difícil se surpreender positivamente com uma queen que é especialista em comédia (principalmente absurda), mas ela entregou uma performance muito boa e foi a melhor das seis ali.

Quanto ao look, a princípio não tinha gostado muito, mas no Untucked ela deu a deixa perfeita: se você vai ser um palhaço, seja um palhaço completo. Dito isso, eu entendi seu conceito e ao rever, pude compreender melhor a ideia. Até dá pra comprar a ideia de estampa de bolinhas com xadrez.

Derrick Barry

Derrick foi incrível – pro que Derrick consegue ser. Não me entendam mal: quem lê as reviews sabe o quanto eu defendo ela, mas essa não é área dela e ter conseguido agir fora da caixinha é surpreendente, pelo menos pra mim. A campanha política não ficou INCRÍVEL, mas ficou boa e deu pra ver que ela se dedicou e tentou. Sinto que após semana passada, ela tenha recebido sua “wake up call”.

Já o look eu não sei se gostei. Adorei enquanto preto, mas o branco ficou simples. Não achei ruim porque fez referência à Samara e ninguém sequer comentou isso, mas em geral ficou agradável. Pontos pra maquiagem, que tem sido uma das mais versáteis do elenco na intenção de se distanciar daquela-que-não-deve-ser-nomeada – sem contar com Kim, claro.

Acredito que nessa altura do campeonato, já tenhamos noção da personalidade de Derrick e acho que ela se afastou bem do que sua proposta de drag originalmente é. Doa a quem doer, mas ela tem grandes chances de estar no Top 3 – mas eu posso estar enganado.

Naomi Smalls

A campanha foi divertida, e extremamente positiva, porque quem conseguir difamar Kim Chi de alguma forma sem parecer um monstro merece palmas. Naomi foi quem levou o conceito de “presidente drag” mais a sério, como pontuado por um dos jurados, e isso garantiu ela como uma das duas melhores – seria, se o julgamento não fosse em dupla.

O look é incrível e ao mesmo tempo não tanto. Ignorando o fato do desafio ser inspirado no look Detox e d’ela ter se inspirado ainda em Raven, tudo ficou muito bonito e o padding (enchimento) ficou muito bem feito. Inclusive, vale comentar que chegamos ao ponto de Drag Race que uma queen é elogiada simplesmente por colocar enchimentos – lá nas temporadas anteriores, a queen que não colocava sempre era criticada. Mas o look é exatamente o mesmo de Raven – como a própria Raven disse.

Kim Chi

É delicado falar de Kim Chi. Adoro-a e gosto demais de seu trabalho, mas eu ainda não sei quem é Kim além das inseguranças.

Eu sei que Bob é irônica e não leva nada a sério, eu sei que Derrick tem um complexo de inferioridade disfarçado de superioridade, eu sei que Naomi demonstra superficialidade e se importar apenas com sua aparência, eu sei que Chi Chi não tem recursos pro seu drag e isso frustra muito ela, e que ela é muito reprimida, assim como sei que Thorgy é hiperativa e completamente fora desse mundo.

E aí eu me pergunto: e quem é Kim Chi? Eu sei que a maquiagem dela é impecável, eu sei que ela não sabe andar de saltos, que ela é insegura por N motivos e que ela quer apresentar sua drag na Coreia, mas nada disso me diz muito sobre sua personalidade. Kim é insegura, nós sabemos o porquê, mas como ela se sente sobre isso? Se alguém conseguiu interpretar esses sentimentos, eu adoraria lê-los nos comentários e talvez fazer uma leitura diferente da personagem, mas por enquanto, não a conheço.

Digo isso tudo porque acho que ela tem uma força enorme, mas a edição praticamente deu um ultimato: ou ela sai no próximo episódio, ou ela vai surpreender a todos.

O look usado é icônico por ser uma referência maravilhosa. Ninguém lembra exatamente onde surgiu, mas remete diretamente aos mímicos dos filmes mudos dos anos ’20, e isso foi uma abordagem diferente ao “preto e branco” e me fez gostar bastante.

Thorgy Thor

Nada me entristeceu mais do que ver Thorgy se tropeçando essa semana. Eu imaginava que eventualmente ela iria colapsar em sua ansiedade ao invés de melhorar, afinal eu tenho ansiedade em níveis Thorgy e entendo que raramente você consegue passar por cima disso. São muitas ideias e muita vontade de fazer todas, e no final das contas nenhuma fica bem executada. Às vezes, menos é mais até na hora de produzir.

Foram tantas ideias na campanha e nenhuma funcionou em harmonia, logo o conjunto ficou perdido. A mesma coisa na passarela. O look tem uma proposta maravilhosa e eu fiquei maravilhado de ver Thorgy usando uma peruca “comum”. Mas não foi bem executado: a roupa é previsível pro seu estilo drag, a maquiagem estava mal finalizada (nos moldes Acid Betty de Madonna) e a lace da peruca estava HORRENDA.

O semblante de Thorgy durante o episódio inteiro foi de tristeza, o que me deu a impressão de que ela sabia que sairia desde o começo.

Chi Chi DeVayne

A campanha política de Chi Chi não foi das melhores, e longe de mim querer arranjar desculpas, mas eu entendo o lado dela. “Caipira” ser “caipira” nos EUA é bem complicado, ainda mais sendo negro. Na posição dela, é normal que a reação imediata dela fosse reprimir isso. Espero que ela aprenda a se soltar e deixar essa personalidade maravilhosa que vemos nos bastidores ser executada no palco.

Sobre o look… Amei!? Adorei!? Achei tudo!? Parecia que Chi Chi sabia que iria dublar Dreamgirls e entregou um look digno do musical. A maquiagem não ficou tão boa, mais branca do que cinza, mas o conjunto ficou muito bonito e à isso eu só tenho elogios.

Bob e Derrick venceram, sem grandes surpresas. O bottom que eu gostaria seria Thorgy e Kim, mas colocar dois grandes monstros da competição no bottom geraria polêmica demais. Vamos de Chi Chi no bottom, o que eu sabia que não seria problema desde o começo. A música era And I Am Telling You I’m Not Going do musical, adivinhem, Dreamgirls. E Chi Chi estava especialmente caracterizada para tal.

Gostei muito o quanto Bob enalteceu a cena do musical no Untucked. Inclusive, Bob já dublou esta música e eu considero um dos melhores lipsynchs que vi na minha vida inteira e foi o que colocou Bob na frente da corrida lá no começo do programa pra mim. Gostaria de disponibilizar o vídeo pra vocês aqui, mas assisti à ele no facebook e não encontrei no youtube. Quem puder e conseguir, não percam a chance.

And I Am Telling You é tudo aquilo que Bob falou e muito mais. É uma das músicas mais reconhecidas da história mundial (no âmbito popular) e muito importante culturalmente, porque foi o primeiro Tony (“what’s a Tony?” GUNN, Gia) dado à uma negra reconhecida e aclamada pela crítica. Recomendo, inclusive, assistirem a performance de Jennifer Holiday no Tony do ano em que ganhou seu prêmio. Muita gente conhece a música pelo que Jennifer Hudson fez em 2006, mas o mérito da música vem de quase 30 anos antes.

O lipsynch poderia ter sido épico e entrado pra história, mas Thorgy parece ter desistido antes da metade. Não tinham chances contra Chi Chi: ela dominou a música. Mas se tem uma coisa que eu aprendi, é que não se desiste no meio do lipsynch: se dá o melhor, e aí você tem chances de ter um double shantay. Foi, inclusive, no Top6 da 6 temporada que tivemos o double shantay de BenDeLa e Darienne.

E assim, nos despedimos de Thorgy, com grande tristeza. Ela era uma grande artista e é com muita pena que eu escrevo essa review, porque eu acreditava nela como vencedora. Às vezes, seu maior inimigo pode ser você mesmo.

Top do episódio pessoal

  1. Bob the Drag Queen
  2. Derrick Barry
  3. Chi Chi DeVayne
  4. Naomi Smalls
  5. Kim Chi

Top geral

  1. Bob the Drag Queen
  2. Kim Chi
  3. Naomi Smalls
  4. Derrick Barry
  5. Chi Chi DeVayne

Tudo está acontecendo inversamente. Quem diria que em pleno Top5 eu colocaria Derrick Barry e Chi Chi? Fico feliz de ver o programa sair do óbvio, mas não escondo minha surpresa.

Faltam 2 semanas pra sabermos o Top3. Já solto aqui uns easter eggs pra vocês:

-A White Party acontece todo ano e por todos os anos, o Top5 era “anunciado” antes mesmo das eliminações, pois seriam as drags que compareceriam ao evento. Esse ano, o cartaz tinha Robbie Turner, Acid Betty, Thorgy Thor, Naomi Smalls e Kim Chi. Das 5, 3 já foram embora sequencialmente. Sinal #1 que pode indicar a saída próxima de Kim e Naomi.

-O sinal #2 foi dado por Robbie em uma entrevista, a qual ela comentou sobre o Top3 ser muito parecido com o da saudosa sexta temporada. Seria então uma versão menos carismática de Adore, Bianca e Courtney com Bob, Chi Chi e Derrick? Lembrando que não só as características lembram, como tivemos o ABC da 6 e, num eventual Top3 formado com as citadas, teríamos um BCD.

E aí? O que vocês acham? Semana que vem teremos a resposta: ou o Top 3 vai ter Naomi e Kim, ou não vai ter nenhuma das duas. Temos duas semanas até o Top 3 e três semanas até o fim dessa temporada.

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