Agora é tempo de colher os frutos de Colony, e pôr a mesa para saber se realmente esta safra foi positiva. Sem titubear, a semente da série foi bem plantada, e o resultado final foi bem satisfatório, o que fez do show ser uma das grandes propostas da última temporada de seriados americano. Teve suas falhas, mas elas são menores diante do todo que ela ofereceu até agora. Foi uma produção de ficção científica honesta, não fantasiosa. E quem acha que história scifi tem que ser no espaço em guerras de naves com tiros para todos os lados, sinto informar, isso não é o que representa o gênero, nunca foi e nunca será, e por isso, o seriado merece algum tipo de destaque.
E para surpresa de muita gente, Gateway começa com Charlie solto por aí. O filho do meio dos Bowman’s não estava na temida Fábrica em estado de processamento quem sabe virando massa humana para sabe lá o que, mas sim em Santa Mônica vivendo como um trombadinha! Era Colony sendo Colony com sua arte de descontruir personagens sem valorar o bem e o mal que alguém possa possuir. Não estamos numa terra de mocinhos e bandidos não é mesmo? Mas de pessoas reais que podem sim viver uma realidade que não é a sua devido ao mundo a sua volta por mais triste que isso possa parecer no momento em cena.
E confesso que fiquei triste com a queda do Proxy Snyder de forma tão sorrateira pelos seus pares. Se ele não ficasse agindo como aprendiz de pilantragem numa exagerada jogatina meia-boca com seus tortos planos maquiavélicos, talvez ainda pudesse governar por mais um ano e fosse menos odiado. Resta saber, se a partir do ocorrido, a Katie devido a sua ajuda para resgatar o seu filho, terá um mínimo de respeito por ele.
Agora vamos analisar de forma geral por alguns blocos a trama:
– Personagens
A tecedura em sua maior parte desta temporada, foi para realçar a relação social e pessoal de Katie e Will. Josh e Sarah estão muito bem em cena. A química dos dois é fantástica. E isso é algo muito positivo na série, e de igual modo, a identidade mental deles foi muito bem construída, um plano de ação que falta em muita produção atualmente na construção dos seus personagens.
O elenco secundário não fez feio, quando em cena, conseguiram mostrar bastante segurança. Tivemos bons momentos com a falecida chefe do Will (Phyllis). E espero que a partida de Beau não tenha sido definitiva. E quem não se surpreendeu com as segundas intenções da professora Lindsey fazendo a cabeça da Gracie para o lado dos Ocupantes? É uma das subtramas que mais espero que seja explorado no próximo ano do show.
Maddie agora é uma green zone literalmente, e como primeira dama do governador local vai servir de mentora política nas decisões do companheiro Nolan Burgess. E que mais menções ao mundo das artes plásticas sejam feitas. Espero muito.
– Invasores
A televisão já passou por muitas invasões alienígenas. E simplesmente dizer que a história é batida ou repetitiva não a torna ruim. Se assim o fosse, o comportamento semelhante beirando a quase uma igualdade dos humanos desde a sua hominização quanto a desejos, amores e temores, seria um forte indício para dar fim a espécime humana, e simplesmente dizer, que viver é chato. Repetir uma ideia ou determinado comportamento não é um problema, mas sim como sua execução é feita.
A meu ver, não ser explícito em mostrar naves cruzando o espaço, alienígenas possuindo corpos, e seres de outra dimensão andando por aí aos montes, foi uma característica marcante e certeira. O desconhecido velado causa muito mais temor do que um desconhecido aparente.
E ficou evidente que o cuidado conceitual é enorme quando Simon Eckhart (engenheiro aeronáutico) indagou sobre o que deveria ser a constituição corporal/celular do prisioneiro morto, o “embaixador alien”, que poderia não ser a base de carbono como a nossa. O que não acontece em muitas produções de apelo popular, e que infelizmente, ajudam a criar uma falsa ideia em quem acompanha as variadas narrativas midiáticas (Séries, Filmes, Hqs, Games, Livros) que o enorme universo é constituído da mesma forma que a nossa ciência encara o sistema galáctico/terráqueo. Se não podemos exigir um rigor técnico por questões orçamentárias, pelo menos, um mínimo em rigor científico podemos ter. Parabéns.
– Contextualização
A trama ter como background o (neo) nazismo foi motivo de muita crítica. Fora a repulsa criado em algumas pessoas para o tema. Se a intenção era chocar para gerar curiosidade, convenhamos, não foi a melhor das jogadas, isso afastou muita gente. Mas no geral, as referências explicitas e implícitas ao regime de Hitler e o seu legado distorcido, foram elegantemente roteirizados.
Dizer que uma série vai ser sucesso depende de vários fatores, não só elenco e roteiro, mas também, poder de convencimento da obra e publicidade só citando alguns de vários pontos chaves. Quanto a elenco: ótimo; Roteiro: bom; Convencimento da história, ótimo; publicidade: ruim. Contudo, saber dosar isso é um meio caminho para o sucesso, mas não garantia de várias temporadas. E ficou gritante, que a segunda temporada vai ser uma outra série. A introdução de uma nova resistência e um novo governo local não foram introduções aleatórias, o que poderá gerar mais agilidade. Embora o seu estilo um pouco mais arrastado não me incomodou em nada.
– Mistérios
Muita gente teve medo que a nova produção do canal USA virasse um novo Lost (2004-2010) com mistérios escorrendo abaixo do televisor/monitor. Que bom que Cuse foi sensato e não transformou o show num programa de perguntas e respostas que nunca parecem ter um fim. Mas se o telespectador foi um pouco mais atento, deve ter percebido que a série tentou criar uma aura fantástica em cima dos números, teve super-foco em uniformes, aparelhos industriais, veículos de todo os tipos, etc. Não vi Cuse em nenhuma reportagem dizer que foi uma homenagem a Lost, e prefiro acreditar que tenha sido, pois não gostaria de ficar caçando pistas até em nuvens para dizer depois que tudo em cena pode ter algum sentido para a mitologia do show como foi na sua extinta série.
Alguns mistérios foram muito bem construídos, a Fabrica ser um projeto na lua foi um. Outro, a forma da resistência se comunicar por cadeias de números por páginas de livros/revistas em configurações horizontais/verticais das palavras/vogais foi genial. Mas não posso dizer o mesmo dos drones, ainda não me acostumei com eles sobrevoando a cidade local. E me recuso acreditar que são meros figurantes. Até eles tiveram sua personalidade modificada! Se no começo ficou aludido que não seriam capazes de atacar de forma brutal, nos episódios seguintes, especialmente nesse, eles estão lá para botar o terror com muito fogo se preciso. Gostaria de ser generoso e tentar não ver como falha de roteiro, mas foi.
– Outras considerações
Na segunda temporada gostaria de ver o ex-governador Snyder ganhando uma certa redenção numa possível ajuda a resistência. E que o barulho nos túneis embaixo da zona morta onde Bram foi preso mais seu professor, seja uma espécie de base propulsora para o espaço, daí o barulho estridente.
A relação de Katie e Will vai ficar conturbada. E apesar de isso ser passível de acontecer devido a sua proximidade com Broussard e um certo distanciamento do marido, não gostaria de vê-la ter algum caso com seu parceiro na resistência. Ou se quer, que o desejo sexual venha de uma parte somente.
Se existe uma base na lua, é notório que os Ocupantes já estavam estudando os humanos a muito tempo antes da sua chegada a Terra. E pelo amor dos deuses de Kobol e sua existência nos treze planetas (risos), que aquelas estruturas metálicas tipo tonéis na Lua não sejam armazenadores de água roubada dos oceanos, ou se quer, que a série comece a referenciar outras obras do gênero, isso não.
Pela roupa usada, deu para perceber que a altura dos ocupantes não é muito alta, e que talvez, eles tenham uma constituição biológica frágil. Pela resistência do traje, é uma possibilidade. E seria bizarro ver uma raça com aparência infantil e por isso, seu fascínio pelas crianças da Terra.
E por fim, gostei do cliffhanger com Katie aos prantos. E cá entre nós, ela não foi blindada para a resistência, sofrer não era opcional, estava no pacote. Agora, a vigilância eletrônica na casa dos Bownman’s ecoa os trabalhos da falecida Phyllis? Ou Broussard em dúvida com sua parceira? Ou Colony agindo redhaticamente querendo nos dizer que qualquer um pode perder a sua posição não importando que humano seja?
Por dentro do show nove

– Não podemos fechar este espaço sem falar do nazismo. Sarah Wayne Callies, já faz alguns anos que é porta-voz do Comitê Internacional de Resgate (do inglês IRC – International Rescue Committee), entidade criada em 1933, com sede nos EUA, presente na Segunda Guerra Mundial, e especialmente Alemanha. E voltando a Sarah, sua vivência no IRC ajudou muitíssimo na construção da sua personagem. A entidade aqui citada, atualmente atua em mais de 40 países na ajuda de refugiados. Também é sabido, que nas suas primeiras décadas, foi acusada de servir de meio de espionagem política para o governo americano.
– Que música bonita, também triste, e envolvente nos minutos finais do episódio
– Pessoal, obrigado por acompanhar as reviews. Abraços, e até próximo ato em Colony.
















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