Um dos piores episódios de Once Upon a Time. Até agora.
Não é fácil assistir ao capítulo de uma série e chegar a conclusão, depois de quarenta minutos, que você testemunhou um dos piores trabalhos já executados por uma equipe criativa. Once Upon a Time sempre foi uma série de altos e baixos. Claro que durante seu ano de estreia foram mais altos do que baixos, mas o padrão de irregularidade fez morada na cúpula da produção e desde então fez questão de não abandonar o barco. É como se os roteiristas e produtores trombassem uns nos outros durante a criação de uma trama. Apesar das boas intenções o produto sempre termina como uma amalgama de várias inconsistências e saídas fáceis, mas irritantes.
Todo o conceito em cima do submundo é extremamente falho. Não porque é ruim, mas porque o roteiro não o fortalece. O efeito após mais uma abordagem em cima do assunto inacabado, o suporte da trama da segunda parte da quinta temporada, sofreu mais um baque. Independente do seu crime, de quantas vidas você tirou, ou de quem você traiu durante a sua vida, se no último segundo você se arrepender, você estará salvo – mesmo depois de morto. É um conceito bem complicado de compreender, mesmo quando levo em consideração que o episódio foi exibido em um domingo de páscoa. O problema com a abordagem infantilizada é que ela tira completamente qualquer sensação de perigo e emergência dentro do submundo. Ninguém está em perigo, portanto ninguém ali importa para mim. Simples assim.
Dentro da morada do deus do sofrimento e do cabelo azul explosivo só existe um perigo real e imediato: o próprio Hades. Ninguém ali dentro, tirando o próprio capiroto, impõe algum tipo de ameaça para os personagens. Para ser mais exato, até agora tudo está bem tranquilo. Os heróis da série estão sempre felizes, andando pelas ruas do submundo como se aquela fosse a cidade deles. Parece, mas não é. Nenhuma das almas aprisionadas ofereceu qualquer tipo de problema para Regina e seus comparsas – a não ser quando a interação com o flashback do episódio manda. Tudo está bem corriqueiro e simples. Mas quando eu penso em submundo eu não associo a uma imagem de facilidade e simplicidade. Alguém aqui o faz? David precisou invadir a delegacia, local onde seu amargurado irmão comanda, mas nada aconteceu. Nada. Tanto é que a Snow simplesmente abandonou o maridão lá e nem fez questão de ficar na espreita, caso o gêmeo malvado aparecesse. Os roteiristas sabiam que aquele não era o momento de colocar mais dois irmãos para resolver pendências, mas nós não. Cadê o risco? Com certeza perdido dentro das páginas do livro encantado e frágil.
Quando você lida com a presença de uma divindade como Hades existem linhas que não podem ser cruzadas, ou que não poderiam de um jeito ou de outro. Começar a desenvolver um texto que preza pela busca de uma forma de derrotar um deus é um pouco complexo, mesmo para os padrões de “a magia salva tudo” que a série sempre impôs ao seu telespectador. Até mesmo a magia precisa de um limite, mas Once Upon a Time decidiu que está disposta a quebrar qualquer regra para atingir o objetivo de criar uma história, mesmo que uma confusa. Ver o Hades com medo desvalorizou totalmente a aura de imponência construída durante o retorno da série. Então tem alguma coisa que pode destruir o rei do submundo? Sério mesmo? Estabelecer que o personagem não pode afetar o mundo de cima é justo, mas querer passar a imagem de que a turma de Storybrooke vai conquistar o pós vida já é um alongamento grande demais para a produção da série. Até onde eles estão dispostos a ir para criar seu mundo? Até quando a série estará no ar e qual será o vilão que irá, literamente, desbancar um deus?

Como sempre a saída fácil, ou difícil (depende do ponto de vista), em cima do plot escolhido para The Brothers Jones foi mais uma repetição de fórmula utilizada pela série. A única maneira de derrotar o Hades está dentro do livro de histórias, que também tem uma contraparte no submundo, assim como a caneta ou a alma do aprendiz. O porém e coloque um grande porém aqui, é que toda a informação necessária é destruída pelo irmão do Hook. E aí caímos no mais do mesmo, de novo, pelo quarto ano consecutivo, em que não existem respostas rápidas, em que os roteiristas não mudam a maneira de abordar a temática ao redor do vilão principal e simplesmente reclicam aquilo que já estamos carecas de saber. Nada vai dar certo até chegarmos ao episódio duplo especial que não tem conexão nenhuma com a trama desenvolvida pela série no ano atual. Mais do mesmo. Isso cansa.
O episódio girou ao redor da necessidade de que Hook perdoasse a si mesmo após os eventos de sua transformação em Dark One. Foi bom ter a série reconhecendo que Emma conseguiu lutar contra o controle das trevas por seis meses, ao passo que Killian não durou uma revelação feita pela Zelena. Contudo a força do episódio estava sendo direcionada para a relação entre os dois irmãos Jones, uma parceria que não expressou a conexão sentimental que o roteiro queria passar. Um roteiro mal escrito, totalmente fora de qualquer padrão de qualidade e extremamente infantil. Todas as vezes que o Liam não estava na tela todo mundo reconhecia o quanto Killian confiava nele, só para depois termos todas as informações a respeito de quem ele realmente era. Foi demais até mesmo para o padrão de Once Upon a Time, uma série que nunca foi muito preocupada em demonstrar suas saídas fáceis e diálogos cheios de exposição desnecessária, mas que com certeza bateu o próprio recorde.
Já existiram episódios piores que este, pode ter certeza. Talvez você até julgue minha posição como exagerada, desproporcional, ou qualquer outra palavra. Só quero chamar atenção para um ponto: estamos na quinta temporada. Já passamos da época da reinvenção e Once Upon a Time não se reinventou, mas está reciclando a si mesma, criando padrões que os roteiristas e produtores se recusam a quebrar. Para criar mais do que o público já está acostumado a série nem ao menos consegue respeitar um elemento principal para qualquer produção, a morte. Visitar o submundo é uma ótima oportunidade de reencontrar personagens importantes, mas existem formas melhores de fazê-lo sem precisar descaracterizar e destruir a história já contada anteriormente. No vasto oceano que a série se encontra a regra permanece a mesma: quem não nada, morre. E a boia de ombro de Once Upon a Time está vazando com muita velocidade.
- E o prêmio de personagem acessório da quinta temporada vai para: Robin Hood – Desaparecido por um episódio inteiro e não referenciado. Regina só o levou para o submundo para não precisar ouvir “I touch myself” no iPod do Henry, não é?
PS². Seria muito interessante se tivessem escolhido uma atriz para interpretar o Hades. Eu poderia fazer uso das diversas piadas que surgiram a respeito de azul ser a cor mais quente, mas que nunca poderei usar.
PS³. Imagina quantas fanfics não surgiram após o encontro da Cruella com o David na masmorra de sadomasoquismo?
PS4. STOP cabelo azul 2k16.
PS5. Cada série da Disney tem os Jones Brothers que merece.
PS6. O aprendiz apareceu para impedir que o Henry utilizasse a caneta de forma errada e para isso, disse exatamente onde a caneta estava. Era mais fácil ter ficado em casa limpando a capa.
PS7. Henry está passando pela fase emo dentro do submundo. Que adolescente previsível, não é? Vou passar minha playlist de My Chemical Romance para ele ser “feliz” de verdade.
PS8. “Não discuta com a sua mãe… ou sua mãe”. Melhor fala do episódio inteiro.
PS9. É uma ironia muito grande que a série que mais tem assuntos inacabados decidiu trabalhar a temática com tanta propriedade. Se os roteiristas e produtores estivessem no submundo, precisariam de uns 100 anos para amarrar todas as pontas soltas que deixaram em 5.
PS10. Zelena – sem mais.















