Não há mais tempo para brincadeiras em Limitless e a série deixou o humor para breves pausas e se concentrou em evitar maiores atropelos próximo ao final da primeira temporada. Não custa lembrar que não há nenhuma menção acerca da renovação da série até o momento, o que deve estar deixando os fãs em pânico. Limitless tem ótimos números (perto da casa dos 11 milhões de espectadores se somadas as reexibições/reprises), mas nada sobre a CBS se pronunciar sobre a série protagonizada por Jake McDorman e desenvolvida por Craig Sweeny.

O que vimos no episódio de título curioso – “A Dog´s Breakfast” – foi o encurtamento das regalias e privilégios de Finch. A FBI não confia no moço como outrora. Sua instabilidade e confesso momento de crise, não foram capazes de comover que Naz lhe desse uma chance, mantendo seu modus operandi de contribuir com a agência. Pelo contrário. Parece que até a forma despojada de se vestir fizeram-no engolir. O sempre descolado nova-iorquino agora precisa da beca para realmente não parecer alguém com privilégios maiores do que os que já possui. A ideia é enquadrá-lo na formatação da agência americana.

Em um primeiro momento isso funcionou muito bem. A ideia é intimidar Finch de ações que possam colocar em risco os segredos do FBI e sua principal missão: entender os efeitos do NZT no seu corpo. Dentro desta diretiva, me perguntei (mesmo que hesitante), se Naz não tem qualquer tipo de envolvimento nesta mudança, já que foi a encarregada da contratação de “X” e “Y” para monitorar Finch fora e dentro da agência; Mike e Ike estão ocupados ajudando Rebecca a entender quais são as relações que Finch pode ter com o candidato a presidente da República nos Estados Unidos. Será que a chefe do FBI em Nova Iorque também tem relação com o Eddie Morra?

O roteiro amadureceu. Ainda precisa da participação secundária dos procedurais, porque poderia tranquilamente ser conduzida por 10 ou 12 episódios. A CBS vacila, seus roteiristas rodam os pratos e haja enrolação com plots totalmente sem tempero. Este então sobre um empresário desesperado por um transplante, está entre aquelas coisas que a gente fica se perguntando porque os canais abertos ainda se sujeitam a textos muito influenciados pelos shows exibidos nos anos 80 (e produzidos pela própria CBS), ou seja, aquele modelo que entrega a fragilidade dos argumentos, apenas para contar uma história durante pouco mais de 20 minutos, porque de tão pueris, não se sustentam com um mínimo de observação; são pontes engarrafadas necessárias para que os carros (história) cheguem ao público em geral.

Com a densidade da continuidade da proposta, temos episódios mais cinzas e densos, deixando o alívio cômico para momentos curtos durante a exibição, numa excelente combinação de ação mais drama, sendo mostrada de maneira singular, já que não apela para que o público perca o foco do ponto de vista de Brian e seus questionamentos. Limitless está longe do humor elegante das primeiras exibições e temos Finch lutando para permanecer com sua identidade preservada, sem que o cerco seja capaz de lhe mudar o comportamento.

Por isso espanta a revelação sobre a atuação mais recente de Sands. O ex-capanga do Senador parece ter se desvinculado do político para construir sua carreira em cima dos segredos sobre o NZT que conquistou graças as informações que coletou durante todo o seu serviço junto ao personagem de Bradley Cooper. E espanta mais ainda que Morra não esteja muito interessado em qual fase Sands está arquitetando enganá-lo, como se já tivesse também o controle dos planos que seu ex-funcionário pensa em colocar em ação. Sands está com Piper, mas nada sabemos se a moça está viva. Eu posso apostar que o vilão está blefando para conseguir a atenção de Finch, coisa que obviamente conseguiu.

Deixo por último minha observação sobre o papel de Rebecca Harris nesta história e que pode contribuir para uma visão crítica da sua participação, não somente sobre o desenvolvimento da personagem, mas na virada de uma possível renovação de temporada.

A agente do FBI manteve a firmeza sobre suas suspeitas, não foi ingênua de consultar ou questionar Finch sobre suas ligações e através da dedicação de “Mike” e “Ike” acaba de chegar bem perto da relação de Morra com Finch, por isso é surpreendente que tenha ido ao studio de Brian para colocá-lo na parede, como quase ninguém fez. Aquele encontro que Sands teve com a agente acabou contribuído muito para que uma pulga (ou uma comunidade delas) tenha se abrigado atrás da orelha da personagem da atriz Jennifer Carpenter. O resultado disso, é que além de cerceado dentro do próprio ambiente de trabalho, Finch sabe que tem dificuldades de mentir para sua supervisora, o que faz com os próximos episódios sejam temperados com muita tensão no diálogo entre os dois. Ela está com a faca nos dentes, enquanto Finch vive um momento de total fragilidade.

“A Dog´s Breakfast” é a primeira parte do epílogo que irá ao ar possivelmente ainda no primeiro semestre, carregando muito mais mistério sobre o desenrolar deste novelo do que propriamente poderia se suspeitar quando o show chegou à TV no ano passado. Arrisco a dizer que a adaptação está mais interessante e instigante do que o filme de 2011 que além de Bradley trazia o experiente ator Robert De Niro.

O nome do próximo episódio é “Hi, My Name is Rebecca Harris” e só chega às TV no dia 5 de abril. É hora de torcer para que Brian mantenha como escudo apenas a verdade, porque muito mais certificada de que Finch está enrolado até o pescoço, Rebecca não poupará críticas ao voluntário que faz uso da NZT,mas que não sofre os efeitos colaterais causadas aos dependentes do remédio. Oremos.

Artigo anteriorChicago PD 3×18: Kasual with K
Próximo artigoScandal 5×15: Pencils down