Muitos planos e maquinações em um episódio um pouco desconectado da trama central de Demolidor.

Existe sempre um problema com séries que abusam de muitas tramas ao mesmo tempo. O processo de costura precisa ser muito bom para que tudo soe conectado e condizente com o clima apresentado desde o primeiro episódio. Infelizmente The Man in The Box soa muito separado do restante do roteiro da segunda temporada da série. Assim como no ano anterior, ao tratar do Céu Negro, mais uma vez o limite é cruzado ao inserir elementos que ainda não parecem prontos para fazer parte da mitologia da série. É compreensível quando observamos o número do episódio, que busca a necessidade de expandir o roteiro para a terceira temporada da série e até mesmo os eventos futuros das propriedades da Marvel Netflix, porém, o panorama abarrotado não fez muito pelo episódio, que terminou um pouco confuso no meu ponto de vista.

A melhor parte, contudo, foi poder ter a volta da Claire Temple e a função do detetive na expansão dos coadjuvantes da série. É sempre muito bom ver como a enfermeira lida com o mundo estranho que ela foi inserida, graças ao Demolidor. Foi assim quando ela precisou cuidar dos ferimentos do Matt na primeira temporada, novamente quando ela atendeu Luke Cage em Jessica Jones e mais uma vez enquanto ela demonstra que obviamente está cansada do que precisa fazer, mas continua por entender a importância de suas ações. É bom ver certa relutância vindo da personagem, pois ajuda a criar a personalidade diversa de mais uma mulher forte dentro da série, que foge a expectativa clichê da satisfação em ser uma heroína. Para alguns o chamado não chega através do som de justiça, mas do sentimento de dever. É uma construção mais complexa, mas totalmente satisfatória por ampliar a diversidade de personagens dentro da série.

A função principal de Claire neste décimo episódio é a de tentar trazer o Demolidor para a vida humana, expondo o processo de exclusão que Matt está passando desde que foi confrontado pelo discurso de Frank Castle no telhado do prédio, enquanto estava acorrentado. É bom perceber que a confusão também está instaurada dentro da série além do som de tiroteios, mas principalmente no interior da mente do protagonista e das pessoas que estão a sua volta. O lado ruim da aparente desorganização é que dentro da quantidade absurda de antagonistas é adicionada novamente a imagem do Justiceiro. Demolidor é uma série que não fica parada quando o assunto é desenvolvimento de trama e a de Frank Castle está muito competente. Assim como a de Karen Page. O problema é que nem tudo casa muito bem com a massiva infusão de temáticas correndo e corroendo a base do texto durante todo o episódio.

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Finalmente tivemos a revelação do que aconteceu com a família Castle, utilizando a posição de Reyes dentro do crime cometido contra pessoas inocentes. A vulnerabilidade da promotora e seu desespero, além da imagem de sua morte, colocam a visão humanizada do Justiceiro em xeque, em uma montagem de cena que nos leva a acreditar que aquele homem finalmente cruzou uma linha e desrespeitou seu próprio código. Obviamente tudo passa de mais uma manipulação do Rei do Crime, mas a partir do momento em que não apenas os bandidos, mas a própria justiça colocou-se contra o Justiceiro e o seu objetivo de limpar os responsáveis pelo seu luto, a série nos prega uma bela de uma peça e nos faz questionar o personagem mais uma vez. Entretanto nada disso é suficiente para que ele comece a matar pessoas sem antes ter certeza do envolvimento delas. Não, aqui é a mão do Fisk e o seu desejo de instaurar novamente um caos que o coloque na posição de liderança que ele almejava durante o primeiro ano da série.

O ponto alto com certeza foi o encontro de Matt com Wilson Fisk. Um momento feito de forma a construir a superioridade do já assumido Rei do Crime. A compreensão de como o Fisk funciona e a compreensão que Matt tem a respeito de seu primeiro verdadeiro antagonista recebem uma luz a mais, bem além da montagem escolhida para a primeira temporada, em que o uniforme com certeza recebeu mais destaque do que a condenação. É uma história que se entrelaça de forma a cimentar o vilão como o nêmeses do herói, tanto dentro quanto fora do uniforme vermelho. Com certeza uma cena muito tensa.

Nem tudo é perfeito em Demolidor e este décimo episódio parece que desceu de forma agridoce. Especialmente quando lembro do dublê extremamente falso na luta contra a Elektra. Um desserviço frente a habilidade da própria Elodie Young, que claramente estava presente em parte das cenas de luta. Pelo menos tivemos o uso do sai como arma, uma marca assinada da ninja assassina da Marvel. Entre outras pequenas particularidades que não acrescentaram muito, por já estarem repetidas, existe a animosidade entre Foggy e Matt. Dentro de toda a temporada, até agora, The Man in The Box foi o episódio que menos senti a coesão do roteiro e que mais pareceu multifacetado e preocupado em jogar diversas tramas ao mesmo tempo, sem nos dar a oportunidade de digeri-las. Tanto é que já escrevi muito e tenho certeza que ainda precisaria de pelo menos mais quatro parágrafos para cobrir exatamente tudo o que aconteceu durante o episódio.

Easter eggs e outras informações

– Bloco D é também o local onde ficavam os criminosos mais perigosos da famosa prisão Alcatraz. Existe uma história do Demolidor chamada “The Devil in Cell Block D”, em que o Diabo da Cozinha do Inferno é preso. E sabe quem comete um crime e se entrega para também ser encarcerado e poder ajudar o vigilante? Acertou se você disse Justiceiro.

–  Assim como nos quadrinhos, Foggy Nelson foi colocado em perigo de vida. Claro que na nona arte isso acontece com mais frequência.

– Sabia que existe um personagem com sobrenome Duchamp e que é conectado a outro personagem que vira e mexe recebe algum aceno da Marvel? Estou me referindo ao amigo do Cavaleiro da Lua, o Jean-Paul Duchamp. Será que ele e o Jacques são irmãos? Ou melhor, eram?

– Sai, as armas utilizadas pela Elektra na luta final são a marca assinada da assassina mais famosa da Casa das Ideias. Agora só falta a roupa vermelha.

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