Resta um.
No discurso de eliminação dessa última terça-feira, Pedro Bial falou sobre quem “promete e não se compromete”. Foi uma colocação provocativa, um recadinho para todos os membros do grupo de Renan e para a dupla ensaboada formada por Cacau e Matheus. É claro que Renan e seu séquito tiveram que começar a se comprometer em algum momento, sabemos disso. A questão aqui é que até o ponto em que tiveram que combater Ana Paula, todos eles estavam graduadinhos na cartilha da vaidade moralista.
Eu explico… Durante o processo de seleção do programa, todo mundo promete mil movimentações. E fazem isso porque a ideia inicial deles – e nossa antes de começarmos a assistir – é de que o que dá audiência é festa, barraco e bomba. Não se faz uma campanha de equilíbrio para convencer a famosa bancada da “cadeira elétrica” a te colocar lá dentro. Ninguém precisa prometer vilanias, mas sem dúvida não defende o exercício da meditação. O problema é que quando o programa começa, essas perspectivas mudam. Os participantes se esquivam de possíveis arranhões na imagem e o público se esquece que queria ver jogo e passa a julgar os que jogam com mãos de ferro.
Há um emblemático exemplo disso. A cajuína Gyselle, do BBB8, dizia em seu vídeo de inscrição que as pessoas não deviam se enganar com sua carinha de anjo, porque ela era muito mais que isso. A moça era considerada uma promessa de movimentações, mas assim que percebeu que Marcelo Arantes era uma bomba-relógio, ficou na órbita dele, protegeu-se e se esquivou ao máximo de qualquer conflito. Chegou na final nesse jogo de retranca e só não ganhou porque o BBB8 era daqueles da época em que vencia o “heroi masculino”.
Quando essa décima sexta edição começou, o pessoal da “paz e do amor” já estava comprometido com a meditação e a “alegria”. Curioso usar a palavra “comprometido”, mas de fato o compromisso desse tipo de competidor é somente consigo mesmo. Assim que estão lá dentro, entram numa de achar que precisam externar todas as próprias qualidades, todo o repertório de valores e morais, em alto e bom som. E não é que não sejam essas coisas, pelo contrário. O foco é que vira demais na direção da própria campanha pessoal e o resultado é um discurso demagógico inevitável. De súbito, eles pensam que o público ficará satisfeito em vê-los tomando banho de piscina, festejando, bocejando e jurando amor eterno uns aos outros. E olha que durante muito tempo tiveram razão… O espectador se divertia eliminando focos de tensão porque, na mesma proporção em que o participante se reafirma sendo “bonzinho”, o público se reafirma castigando o “vilão”.
Adélia, Renan, Tamiel, Juliana, Alan e Daniel entraram achando que a história iria se repetir. O problema é que no meio do caminho tinha uma Ana Paula e ao lado de Munik e Ronan, ela conseguiu expulsar os “meditadores” da zona de conforto e obrigá-los a sim, se comprometerem com o que os tinha colocado ali. O resultado da eliminação de Adélia, então, significa que o legado de Ana Paula ficou na casa quando ela saiu e o público – boa parte dele – absorveu essa cruzada e não quer mais voltar atrás. De uma forma como nunca aconteceu, o véu que cobria os verdadeiros impulsos dos “mocinhos” foi destruído e há uma clareza absoluta a respeito deles. Eles não são maus, de forma alguma estou dizendo isso, eles só estão no foco errado, o foco da auto-promoção moralista, que dentro do contexto do programa – e sobretudo dessa edição – não tem mais nenhuma força.
Renan é o último da lista original. A saída de Adélia jogou o moço numa tristeza real, muito pelo que essa saída representa, é claro. O milhão está escorrendo e ele sabe. Sua luta é digna, ainda que ele continue mentindo sobre “não falar de votos”. A produção do programa não o ajuda, providencia paredões triplos para impedir que o lado de Ana Paula perca aliados. E a estratégia funciona. Sempre disse que a verdadeira manipulação do BBB é essa; e que ela é absolutamente bem-vinda. Não perder essa rivalidade é essencial e percebam como a dinâmica se confirma num simples raciocínio: se todo o grupo provocador sai, acabam todas as tensões. Mas, se o grupo provocador fica, ainda há tensão mesmo que somente um dos “meditadores” fique. É exatamente assim que estamos… Munik, Ronan e Geralda ainda serão capazes de render bons momentos até o momento em que só restarem eles, porque sempre haverá alguém para provocar.
Se Renan sair na semana que vem ainda sobram Cacau e Matheus e acho incrível como o grupo de Munik consegue desvendá-los. Cacau é uma figura… Ela é tão cara-de-pau que eu quase admiro. Na festa que resultou nos tapas em Renan, ela chegou nos níveis mais absolutos da vergonha alheia, chorando por Matheus no quarto, falando em voz alta “com o próprio coração”. Quanta consciência dramatúrgica, é impressionante. Ela não perde uma. Assim que Adélia saiu lá foi ela conversar com Ronan, fazer um mea culpa desajeitado, claramente assustada porque ela e Matheus escolheram um lado claramente decadente. Ele, aliás, também não vai bem… Detalhes como o do churrasco comprado com estalecas alheias podem arruinar um participante.
A saída de Adélia desceu mais quadrada justamente porque havia uma certa esperança em Renan de que o público estivesse “aprovando” o grupo de Ana Paula porque Ana Paula estava nele. Essa eliminação – e com tanta rejeição como foi – categoriza que o público não “aprova” e sim “desaprova” uma postura demagógica clara. Adélia passou dias prometendo confrontos com Ana Paula que nunca vieram. Quando resolveu agir, foi na mesma retranca de sempre. Renan faz a vítima o tempo todo, reclamando de ações estratégicas que ele mesmo executa. É um ciclo que não termina… O resultado pode ser uma final épica, com Geralda, Munik e Ronan. Uma final regada àquele comprometimento ideal, o comprometimento com a instituição do jogo e não da “honra”, essa com aspas, encomendada para ser rasteira.

Munik: Esses dias ela disse: “Eu sou carne”… Seus diálogos com Ronan são deliciosos e ela continua afiada para movimentar-se no jogo. Um desbunde de participante.
Ronan: Começo a achar que a forma como ele resiste depois de uma primeira semana condenado, merece respeito.
Geralda: O que foi Dona Geralda vendo a saída de Ana Paula como uma razão para se posicionar definitivamente no jogo? Que surpresa a Dona Geralda, que surpresa…

Cacau: Nem tenho o que dizer, só não dá… Não dá.
Matheus: Egoísta e meio cafajeste com Cacau, já é o suficiente.
Outras Notas:
- Bacana a produção dar flores às meninas no dia 08.
- Ana Paula deu uma lúcida entrevista para Ana Maria Braga, dizendo que paga um preço alto por ser quem é; e que é complicado lidar com os que a abandonam por não ser capaz de contar “mentiras sociais”. Foi muito interessante.
- Renan sem barba ficou MUITO melhor. Quero ver como esse moço vai lidar com os supostos prints de seu instagram com claras referências homossexuais. Uma pena essa perseguição desnecessária.













