Afinal, qual o plano de Claire Underwood? Quer ela fazer história se tornando Vice? Quer ela fazer história se tornando, com o marido, um casal direto chefiando o país? São somente palavras de alguém que quer ser mais do que é e força tudo para alcançar isso? Ou ela quer ir além e ser a primeira presidente estadunidense? Chapter 44 foi um episódio que colocou, como nunca antes, o foco em Claire Underwood e isso gerou quarenta e cinco minutos de um belo jogo de cálculo político dissimulado. Se o capítulo anterior tinha criado a oportunidade para que a Primeira Dama construísse sua bagagem política, nesse ela começa a se mover ousadamente para garantir que não seja uma oportunidade desperdiçada.

O cuidado usado por Claire para conseguir a aproximação com Blythe é louvável. Ao invés de ser incisiva, invasiva e testar de forma imediata a abertura do Presidente em exercício, ela usa sua áurea solícita como disfarce para atingi-lo. Assim, ao longo de Chapter 44, acompanhamos, primeiramente, ela oferecendo sua participação na conversa com Petrov através de chat pelo notebook. Pode até parecer uma ideia banal, mas esse tipo de banalidade é o que Donald não enxergaria como um ato antiético administrativamente de passar por cima da Secretária de Estado. Afinal, ele só estava sendo assessorado por uma pessoa sem substrato eleitoral agindo como chanceler. Nada sério…

Mas a interação mais importante entre ambos foi a conversa na cozinha. Claire tem ambições, mas ela reconhece suas limitações e quer mudar isso. Ela gostaria de autonomia, no entanto isso é impossível sem algum aliado que sirva de plataforma política. Há a possibilidade real de que o marido venha a falecer. Se isso acontecer, ela perde quaisquer chances de seguir carreira, afinal deixaria de ser a Primeira Dama, tornar-se-ia a viúva do ex-Presidente que deixou o país à beira de um colapso energético. Então, simultaneamente, ela precisa assegurar o terreno em caso de Francis sobreviver e também sugar o máximo que puder de Blythe, caso o falecimento venha à tona.

Por isso, é destacável a forma atraente e insinuada, apesar de sentimental, que ela reacende a morte de Marjory para que ela possa se mostrar frágil e firme, assim como potencialmente aberta a possibilidades além-Francis, para Blythe. A atuação de Robin Wright foi elogiável nesse momento. Havia tantas coisas que Claire precisava fazer simultaneamente e de forma contida, para não expor as cartas de seus planos. Aquele foi o testamento que ela necessitava para assegurar a inclinação de Blythe para si. Não, querer fazer história não é um capricho, mas a presidência talvez não esteja em seus planos. Tornar-se parte da cúpula de governo sem passar anteriormente por cargos eletivos é um marco absurdo de se alcançar e tudo aponta para que isso seja, de fato, seu objetivo.

E, se é pra ganhar o coração do povo estadunidense, é preciso aparecer perante as câmeras. Seu pronunciamento sobre a possibilidade de morte do Presidente foi emblemático. Ela não somente trouxe simpatia para si e o marido, assim como desviou o olhar da mídia quanto à credibilidade da nota de suicídio de Lucas, abrindo espaço para que sua atenção, a de Leann e a de Doug se voltem para a questão da Rússia. Dessa forma, Claire Underwood se revela não só para a população, mas principalmente para o público da série que, sim, ela é uma política em potencial. Resta saber se a proposta de resolução conjunta com a China será aceita. Tudo indica que isso pode ser alcançado, principalmente com o apoio de Danton e Tusk (como foi bem ver essa cobra novamente).

Com a saúde de Frank debilitada e o foco em Claire, os outros plots ficaram em segundo plano. Apesar disso, vale destacar a situação difícil em que Dunbar se encontra. Com o atentado de morte de Lucas e a descoberta de que Seth vazou as fotos de Underwood, é questão de tempo para que sua candidatura venha abaixo. Dunbar possuiu uma vontade de ser ética e de justiça tão grande que impedirão que ela venha a mentir sobre seu contato com o ex-editor. E essa tentativa de se manter limpa na política é o principal fator que depõe contra a candidata a candidata (eita Estados Unidos e suas normas eleitorais) desde seu anúncio na terceira temporada. O cenário político de House of Cards é sujo e perigoso. Heather seria suscetível a Underwoods e seus similares, assim como Walker foi.

O meio da temporada está chegando e a série segue com todos os elementos para entregar sua melhor temporada. Resta torcer para que não emerja um tropeço fatal para jogar tudo por água abaixo. 

P.S.: Tusk foi retomado, Blythe ressurgiu, Petrov continuou presente. Estaria a equipe de HoC colocando em ação um final planejado? 

P.S.: As alucinações de Frank mostram seu inconsciente perturbado com a situação ameaçadora em que se encontra. A escolha do rebelde de mosquete como protagonista das alucinações mostra que ele focou em seu passado imediato. Seria interessante eles retrocederem ainda mais, afinal o que não falta é ameaça. 

P.S.: O ex-chefe de Lucas teve a curiosidade aguçada quanto às alegações do falecido…

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