Uma aventura de peso.
O terceiro volume da animação da Dreamworks Studios serve como um fechamento da trama que começou no primeiro. No início foi Po descobrindo-se como um guerreiro lendário, no segundo foi a primeira batalha após se tornar o salvador de toda a China pela primeira vez e neste “Kung Fu Panda 3” (2016) um inimigo dos dois mestres anteriores retorna para botar em cheque a verdadeira força do atrapalhado herói ao mesmo tempo que apresenta a descoberta das origens do mesmo.
Após se firmar como o “dragão guerreiro”, Po e Os Cinco Furiosos vivem a vida de heróis na pequena vila que habita as cercanias do monastério onde Shifu agora passa o bastão para o panda mais atrapalhado da Terra. Enquanto isso, Kai, um poderoso inimigo do mestre Oogway, consegue escapar do mundo dos espíritos munido do “chi” de grandes mestres, jurando vingança e ameaçando a dominação mundial.
A trama em si não traz muitas novidades no escopo geral da trilogia que aqui se encerra: um grande vilão, Po descobrindo uma nova habilidade e o final feliz prometido. O que chama a atenção é a questão de família e identidade na trama direcionada as crianças, imbuindo a “moral da história” de modo competente e certeiro, sem soar piegas. Descobrir a si mesmo. Uma questão que não somente crianças precisam entender como muitos adultos ainda não entenderam. A dificuldade de entender as reais habilidades e capacidades, assim como as deficiências, é o caminho para entender a si próprio e como consequência entender o mundo em que se está inserido. Nesse contexto, essa capacidade de se aceitar é um dos trunfos para a resolução da trama. Trunfo também que se revela no conceito de família. Família é onde você é aceito não importa qual raça ou localidade você se encontre. A descoberta do refúgio dos pandas que de início serve como divisor da núcleo familiar, acaba sendo o ponto focal para tratar desse assunto tão em voga hoje em dia. Óbvio que não trata de questões mais espinhosas, mas serve como um “curso preparatório” para que os pequenos comecem a entender “de boa” as diferenças que existem no mundo. O “chi” aqui também entra para conscientizar a questão da convivência entre os elementos da natureza, dar e receber como um ciclo infinito.
Nos quesitos técnicos o filme continua o ápice da animação da Dreamworks, com fluidez dos movimentos das lutas, mecânica de partículas interessante e um 3D que se não agrega também não atrapalha. As sequências de lutas no mundo dos espíritos e as manipulações de “chi” estão repletas de momentos de grandiosidade, assim como as inserções da antiga pintura chinesa de forma imersiva na trama. A edição do filme está entre uma das mais interessantes que vi ultimamente, misturando vários estilos de animação num fluxo constante sem perder a meada da coisa em nenhum momento. Sem contar as ligações com os filmes anteriores, realizada de modo bem inventivo até.
No final fica a sensação de encerramento. O fechamento de grande parte dos plots de todos os filmes fecha o caminho da trama e coloca um ponto final (bem exemplificado na cartela “FIM” ao terminar a exibição) em tudo até aqui. No caso de uma possível quarta empreitada os rumos podem ser reexplorados ou construídos do zero. Kung Fu Panda 3 é um programa que agrada adultos e crianças, com trama ágil, não tão profunda, mas com capacidade de entreter sem comprometer o divertimento. Merece a passada no final de semana no cinema.
* O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Fox Film do Brasil











