Fazia tempo que The Vampire Diaries não era tão The Vampire Diaries.

Manter a fórmula de uma série perfeita por sete anos é um desafio homérico. A grande maioria não consegue e os deslizes são esperados, antecipados até. Existe um cansaço do roteiro, do elenco e da própria parte técnica, algo que justifica a troca de showrunners ou a contratação de diretores sem conexão alguma com a produção, por exemplo. Alguns saem quando o barco está afundando, outros escolhem deixar de lado em momentos de bonança, para não acabar caindo no mais do mesmo. A reinvenção é extremamente necessária. Mas o que acontece quando a série cumpre essa proposta, mas não entrega realmente algo que a faça reafirmar sua identidade? Bom, a metade da sétima temporada de The Vampire Diaries é exatamente a resposta para essa pergunta.

Quando você percebe que os roteiristas decidiram começar a história de destaque do Matt com uma bebedeira é porque as coisas não estão assim tão bem estruturadas quanto eles querem tentar passar. Matt é um personagem carente de uma boa história faz muito tempo. Com a saída de Elena o foco que deveria mudar para Caroline, ou Bonnie, voltou para a dinâmica entre os irmãos Salvatore. É bom ter novamente a história se desenvolvendo em cima do núcleo principal, mas se é para o Matt ganhar alguma relevância, que seja com algo que faça sentido. Sabemos que ele estará vivo e muito bem daqui três anos, também temos conhecimento de que em determinado momento ele começará a trabalhar com a caçadora. O que não sabemos, porém, é se todo esse desenvolvimento será mostrado na série, ou simplesmente desprezado até que algum ato nefasto de alguém que parece ser o Stefan, desencadeie sua mágoa. O discurso vazio que antecipa algo grandioso pode terminar com um meh.

The vampire Diaries falha ao não conseguir criar uma empatia maior entre personagens que simplesmente estão lá, flutuando entre uma trama e outra, como Tyler, Matt e por vários anos Bonnie. É imprescindível ter mais dos protagonistas, mas em sete anos de série também é bom dar novos ares para quem está presente desde o episódio piloto. O tão sonhado destaque para a Bon Bon só surgiu na sexta temporada, enquanto a Elena ainda existia. Pensar na saída da protagonista até deu certa luz para série, mas uma luz que até o momento está se provando o trem no fim do túnel para os coadjuvantes. Tudo piorou mais ainda quando escolheram incluir novos personagens no lugar de aprofundar os antigos. Alguém realmente se preocupa com a amizade entre a vampira herege e a bruxa? E o tal romance com o Enzo? Ou a ida para a ala psiquiátrica? Eu me preocuparia, se existisse algo para me fazer conectar com essa possibilidade. Pelo menos ela e Matt deram match no MysticTinder.

Por outro lado foi exatamente esse chá místico de sumiço dos hereges que conferiu a Things We Lost In The Fire um brilho especial dentro de uma temporada tão instável. Contudo, os sinais de cansaço de The Vampire Diaries estão cada vez mais evidentes. Saber que durante anos e mais anos tivemos ameaças grandiosas para a temporada como Katherine, Klaus e família original, Silas, Kai, e hoje temos apenas um monte de vampiro bêbado, não faz muito sentido. A proporção do risco até justificava a sua presença quando a família herege era, de fato, uma família com todas as ramificações e complicações existentes, além do fato de termos a mamãe Salvatore como parte do problema. Hoje, em pleno décimo primeiro episódio, nada ali no tempo presente impõe o medo necessário.

Mystic Falls também não apresenta o tipo de motivação necessária para criar toda uma temporada ao redor da cidade. Quem ali realmente é feliz, ou tem algo que os impeça de simplesmente ir morar em outro lugar? Elena não tem mais a família viva, algo que motivaria Damon a permanecer em Mystic Falls ou até lutar por ela. Dizer que ele quer manter a imagem perfeita de um lugar que só trouxe miséria para a mulher que ama é algo um pouco discrepante com a própria personalidade do personagem. O mesmo vale para Stefan, Caroline, Matt… O únicos realmente sensatos são Tyler e Alaric, e isso já diz muito a respeito dessa motivação sem muita justificativa – Até alguns episódios atrás o Ric estava se fingindo de bêbado e tentando trazer o espírito da mulher que ama do além que nem existe. Tanto é que, em determinado momento nós sabemos que todo mundo ali decidirá ir para outro lugar, ou terminará bem longe de Mystic Falls. Novamente é o recurso de contar o futuro estragando um pouco a imagem de emergência que o roteiro tenta passar para a trama.

De maneira geral o clima deste décimo primeiro episódio remete e muito a um período em que a série prezava mais pelo desenvolvimento de seus dois personagens principais, do que as idas e vindas de vampiros bruxos com temperamento de crianças. Infelizmente até essa abordagem traz consigo problemas difíceis de se desprezar. Foram sete anos desde que conhecemos Damon e Stefan e acreditar que uma pedra mística está desprezando esses sete anos de crescimento e amadurecimento é forçar um pouco a amizade.

The Vampire Diaries sempre teve um charme próprio, algo que me compele a voltar semanalmente para seus episódios, mas o charme não está alocado na porção saudosista da série e sim no avanço de seus personagens. Falta algo realmente importante para chacoalhar a vida de Damon e cia, um ponto que a série está provocando com seu flashfoward, mas sem nunca entrega-lo totalmente. Abandonem Mystic Falls, mas não abandonem o misto de química perfeita e boas histórias que fizeram desta produção algo memorável. E por favor, me tragam um vilão carismático e com potencial. ASAP!

PS. Damon queimando o corpo da Elena é uma visão, ou algo passível de conserto? A) Sim. B) Com certeza. C) Lógico. D) Ah vá, tá na cara que é, querida.

PS². Em que realidade paralela Damon escolheria salvar primeiro Matt para depois ajudar a Bonnie?

PS3. Acho bom a caçadora ser a Buffy, ou então o Jeremy in drag.

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