Sempre que The Mentalist aparece com um episódio desse tipo, eu me lembro do porquê ter me interessado tanto pela série.

Spoilers Abaixo:

The Mentalist não é, nunca foi e nunca será uma grande série. Como quase nenhum procedural é. Não se deve esperar de uma série desse tipo um forte desenvolvimento dramático, ou personagens completamente tridimensionais. Existem sim exceções, como tudo na vida, mas são raras. Mas The Mentalist tem uma fórmula muito interessante, que envolve uma boa quantidade de raciocínio (elementar) e um personagem central que tem um imenso carisma. Quando a série se perdeu nessa fórmula e começou a se repetir, a qualidade caiu drasticamente, me levando a compará-la a vazios dramáticos como os CSI da vida. Agora, vejo Red Carpet Treatment e tenho a certeza de que a segunda temporada foi um deslize.

Nesse episódio vemos Jane ainda muito abalado pelo ocorrido com Kristina no episódio anterior, tanto que acaba dormindo na CBI, deixando Lisbon preocupada com ele. Mas existe um novo caso, e nele os agentes procuram o assassino de um acusado de estupro e assassinato, mas que graças a nova evidência de DNA, foi libertado. Jane a princípio reluta em trabalhar no caso, por considerar a vítima culpada pelo crime, mas depois acaba entrando no caso. Com isso temos a entrada de Karen Cross, ex-promotora de justiça, que trabalhou na condenação de Henry Dahl, e agora comanda um talk show com tema jurídico, que teria como convidado a própria vítima. Além disso, temos Max Winter, marido da mulher assassinada anos atrás, também como um dos suspeitos.

Se levarmos em conta a originalidade do caso em si, não veremos novidade. Dentro da própria série já vimos situações parecidas. O que dá as caras por aqui é o desenvolvimento, que ocorre de maneira muito interessante. Logo de cara, vemos que ou Max ou Karen será o culpado pela morte de Dahl, mesmo com alguns suspeitos menores aparecendo e logo sendo descartados. E o roteiro trabalha justamente com isso. A cena em que Jane se apresenta no talk-show de Karen é conduzida de modo a deixar a entender que a apresentadora seria acusada, o que não acontece. Por um momento, achei que mais uma vez Jane tinha guardado segredo de todos pra fazer uma ceninha e apontar o culpado. De fato, foi isso o que ocorreu, mas dessa vez ele estava enganado. Ou melhor, não estava, mas não se sabe se foi de fato Winter que matou Dahl ou se o mesmo já tinha falecido. E o que tornou o episódio interessante foi justamente essa sutil diferença na solução do caso, que não tenho dúvidas que pegou a grande maioria das pessoas de surpresa. Além disso, gosto quando a série explora o lado humorístico da personalidade de Patrick, embora esse não seja intencional. Dei muitas risadas com algumas ironias do consultor, além de perceber que a série novamente está fazendo jus a seu nome, utilizando dos jogos mentais que deram fama a ela.

Um outro ponto em que a série vem acertando é em dar uma maior continuidade a suas histórias. Em quatro episódios, essa terceira temporada vem mostrando uma maior coesão que o resto da série inteira. É verdade que a terceira geralmente é a temporada em que as séries atingem sua maturidade, tanto de roteiro quanto de audiência. E em The Mentalist isso não é diferente. Não tivemos aqui um desenvolvimento das tramas com Kristina e Red John, mas o fato de ela serem citadas durante o episódio já é um grande avanço. Antigamente, praticamente esquecíamos da existência do serial killer até aparecer um episódio solto no meio da temporada que o citava. Dessa vez temos uma storyline mais desenvolvida. E espero que continue assim, porque é o caminho certo. O cliffhanger do fim do episódio é uma mostra disso. Se Jane nunca teve vontade de ter uma arma, agora que tem é impossível pensar o que ele fará com ela. Provavelmente a usará para matar Red John, mas é bom ver a questão sendo levantada. A série perdeu um pouco de audiência devido a esse fato, mas isso era esperado. Uma vez que você investe na continuidade de uma história o espectador casual vai se afastando. É inevitável.

Com relação aos personagens, dessa vez eu até me interessei por Van Pelt e seu novo affair. Rigsby também esteve interessante e divertido. Ri muito com ele tentando acender a vela com o poder da mente. Gosto quando existe uma maior interação entre os coadjuvantes, porque eles também fazem parte da série, embora nunca vão poder ter o destaque de Jane. Já Lisbon e Hightower estão apagadíssimas e o talento das atrizes não tem colaborado para mudar essa situação. Os roteiristas já mostraram com Patrick que sabem tridimensionalizar um personagem, porque os coadjuvantes parecem tão rasos?

Em um episódio eficiente, que mostra como a série amadureceu, The Mentalist segue numa boa crescente. A expectativa é que os próximos episódios se apresentem ainda mais divertidos, mesmo que não sejam espetaculares.

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