Começam os preparativos para a Terra 2 em The Flash.
Este segundo ano de The Flash tem se provado um pouco agridoce para a maioria dos fãs da série. As opiniões vivem divididas entre quem acha que esta é a melhor temporada e outros que mencionam a primeira com um saudosismo agressivo. Muito centralizada em expandir a franquia da DC Comics na CW ao introduzir personagens e temáticas de Lendas do Amanhã, assistimos gradualmente a série desmembrar seu elenco e roteiro em prol de outra produção. Mas o que transformou Fast Lane em algo realmente interessante foi sua proximidade com a fórmula do início deste segundo ano. Um claro sinal de que após a saída da Patty os roteiristas decidiram nos colocar em um caminho já conhecido e satisfatório. Tivemos até a volta do Zoom e não tem como reclamar de um episódio que apresenta uma dinâmica boa, desenvolve a trama principal, expande a dos coadjuvantes e ainda mostra o vilão da temporada fazendo alguma coisa, não é? Realmente, não tem como.
Ainda julgo o segundo ano de Flash na televisão superior ao primeiro, mas é bem complicado afirmar que esta temporada supera a primeira em todos os aspectos. Como de praxe a preocupação em criar uma história competente de origem para o herói domou todo o ano de estreia, permanece até hoje e continuará até o final da série. Só teremos o Flash completo quando a CW finalmente encerrar sua existência, até lá o personagem principal será constantemente confrontado com decisões que irão definir seu caráter e posição como herói. Exatamente por este motivo algumas similaridades sempre poderão ser notadas entre um ano e o outro. Claro que alguns detalhes demonstram um pouco da dificuldade da série em modificar o seu status, como por exemplo a presença do Harrison Wells como mentor pelo segundo ano seguido. Mesmo assim, é notável a evolução que existe em The Flash.
A proposta de incluir um vilão menor e paralelamente explorar a temática central não é nenhuma novidade, mas às vezes é exatamente o que precisamos para aproveitar um episódio. Tar Pit existe para amarrar duas tramas ao mesmo tempo, a de Barry e Wally. Com a morte de Francine a série precisou trazer Wally para Central City e de maneira bem executada. A posição de Wells dentro do grupo também recebeu a devida atenção e conferiu ao time a motivação necessária para finalmente adentrar no terreno da Terra 2. Quando o roteiro preza por uma dinâmica equilibrada o crescimento é perceptível. E foi desta maneira que Flash decidiu operar em um bom episódio como Fast Lane.

E veja como a falta de um interesse amoroso fez bem para a Iris, que se tornou uma personagem muito mais agradável e relevante para a série depois que perdeu o noivo e se firmou definitivamente como melhor amiga para o Barry. Sua investida no mundo do jornalismo investigativo é a justificativa para sua existência no time Flash, sua relevância para a série e a confirmação de toda a inteligência da personagem que foi desprezada no passado em prol de um discurso de amor platônico e não correspondido. Hoje a Iris é exatamente quem ela deveria ter sido desde o começo da série. Talvez ela até tenha apresentado todas essas características, mas com certeza não era o foco do roteiro. Quando eu falo incessantemente nas críticas de Flash e Arrow que ambas as produções não sabem lidar com suas personagens femininas, é pela falta de histórias e tramas competentes e interessantes para estas mulheres. E em Fast Lane pelo menos uma conseguiu atingir o ápice – Caitlin, seu momento vai chegar, eu quero acreditar.
A personalidade do Barry, contudo, continua um pouco confusa. Parte do problema é a necessidade da série em lidar com vários assuntos mais intrigantes e importantes do que um drama colegial. Dois episódios atrás Barry era a verdadeira personificação do sofrimento e da angústia. Neste o comportamento animado e otimista mostra uma evolução rápida. Se tratando da série do “homem mais rápido do mundo” é até fácil de entender, agora quando pensamos no lado sentimental de qualquer pessoa comum, nem tanto. Em determinado momento Barry está se lamentando pela falta da Patty, em outro está feliz da vida do lado do Harry, para logo em seguida agir como um filhote abandonado na porta do cientista. Barry Allen sofre de formas misteriosas.
Alguns fatos a respeito do Wally têm chamado atenção e o principal é o clichê da sua paixão por velocidade e carros. Esta temporada Flash está pegando pesado nas referências a paternidade e também a experiência ao redor deste tema. Henry desapareceu, o que também serve para levantar várias perguntas. Não consigo deixar de imaginar que possa existir algum tipo de conexão entre Wally e Zoom, ou que existirá até a conclusão da temporada. Devido à falta de aprofundamento em cima do vilão é difícil especular, mas a série precisará concluir o tema que está criando. Precisaremos de alguma forma compreender onde a paternidade e as relações entre pai e filho se encaixam, além da expansão dos relacionamentos entre personagens.
Quando o drama é relacionável e crível, a cena se tornará aceita pelos telespectadores com maior facilidade. Wally, Iris e Joe conseguiram passar um relacionamento de fácil conexão exterior. O problema do pai que não quer afastar o filho, da filha que age como mãe, é algo normal e bem mais comum do que muitos possam acreditar. Por este exato motivo o núcleo West funcionou tão bem neste décimo segundo episódio. Não existiram momentos ruins, ao contrário, tivemos uma cena extremamente intrigante com o Barry não sendo rápido o suficiente. A tensão não surge apenas da possibilidade de morte de um personagem, mas do desenvolvimento da cena e do envolvimento que ela permite. Trilha sonora, câmera, recursos de efeitos especiais, estes pontos não significam nada se o emocional está ausente e com a nova crescente da Iris, existe a preocupação requisitada para transformar um momento com desfecho previsível em algo grande.
The Flash apresentou um ótimo episódio, mas não por ter criado cenas grandiosas como em Enter Zoom e sim por entregar exatamente aquilo que ela sempre propôs: Um entretenimento leve, bem executado e com personagens interessantes. Ainda estamos longe da perfeição, mas acredito que este espaço para respirar antes do grande mergulho tenha sido extremamente necessário para o futuro da temporada.
Easter eggs e outras informações
– “Quem é o melhor hacker do mundo, pessoal?” “Felicity Smoak.”
– Zoom se comportou como uma espécie de viciado na força da aceleração. Como se ele precisasse daquele boost para viver. Que outro personagem precisa muito dos poderes de volta para curar uma condição causada pela força da aceleração?
– Tinder para meta-humanos. #Quero
– Local de constante referência em Flash e Arrow, Coast City ganhou uma nova menção na série do Corredor Escarlate. A pizza que a família Wells está comendo é da pizzaria Coast City Pizza. Esta é a cidade do Hal Jordan, também conhecido como Lanterna Verde.
– Durante a cena na Indústria Tar é possível ouvir a notícia sobre a campanha do Oliver Queen para prefeito de Star City.
– Tar Pit teve seu debut em Flash Vol 2 #174 e foi criado por Geoff Johns e Scott Kollins. Seu surgimento na série é bem diferente da sua contraparte nos quadrinhos. Na nona arte Joey Monteleone estava preso na penitenciária de Iron Heighs quando descobriu sua habilidade de manifestar sua forma astral em objetos inanimados. Um belo dia sua consciência terminou presa em um poço de piche, mas ao contrário do esperado, Joey acabou gostando da nova forma e abandonou seu antigo corpo em um coma na prisão. Tar Pit também já tentou entrar no Esquadrão Suicida, ao lado do Capitão Bumerangue, este último fez uma participação em Arrow no episódio Draw Back Your Bow, da terceira temporada.
– 52 buracos interdimensionais, rede de TV 52 news. O resto vocês já sabem.















