A história de origem de Peggy Carter.

Depois de uma temporada e três episódios finalmente descobrimos mais da história de Peggy Cater antes dela se tornar uma agente da S.S.R. Tudo em mais um capítulo maravilhoso de ser acompanhado. Em um movimento já usual para as séries da Marvel até a vilã recebeu a devida atenção, outra sacada inteligentíssima da equipe de roteiristas de AC. Até o momento a Marvel TV tem sido bem melhor sucedida em desenvolver vilões do que a Marvel filmes. Wilson Fisk, Killgrave e agora Whitney Frost são dignos de um panteão que os filmes ainda não conseguiram alcançar. Parte deste sucesso vem da escala e do tempo que as produções direcionadas para televisão, ou serviço de streaming, detém. Com horas de sobra e mais liberdade é fácil entender o porquê destes homens e mulheres serem tão mais interessantes que um Malekith, ou Ronam.

É muito divertido assistir Agent Carter, não tem como negar. A química perfeita de Hayley e Darcy com qualquer outro integrante do elenco é digna de aplausos. O melhor de tudo é sempre ter o balanceamento perfeito entre ação, drama e comédia. O drama nunca é tão forte quanto em Jessica Jones, por exemplo, mas é sim emocionante ver a Peggy sofrendo pela morte do irmão, quem a encorajou a fazer toda a diferença na história do Capitão América, assim como a triste trajetória de Agnes Cully, que futuramente adotaria o nome Whitney Frost. Se apiedar de um vilão e compreender sua motivação é o que transforma um antagonista clichê em alguém relacionável e complexo.

Também foi neste episódio que Peggy e Sousa começaram a se aprofundar cada vez mais na trama que começou com a Isodyne e agora progride para algo bem mais ramificado. A própria cena de tortura falsa demonstra a necessidade da série em explorar um lado ainda não conhecido de Peggy. Este é o reflexo da produção e os caminhos que ela precisará trilhar até a conclusão deste arco. Muito do que era necessário descobrir para o avanço da trama já foi descoberto, quer seja através da confissão amedrontada do capacho, ou do momento em que Peggy escuta através do rádio o ato monstruoso de Whitney. E eu gosto bastante de ver como tudo casa perfeitamente. Passamos pelo passado e vimos Whitney alcançando um objetivo ao consertar o rádio ainda criança. Depois seu momento isolado ao som de uma música bem parecida com a de sua infância, enquanto ela almejava arrumar uma saída para outra coisa que estava quebrada, seu rosto. E é lá no final quando terminarmos ouvindo outro tom vindo da personagem, mas com o mesmo elemento de todas as cenas, que o ciclo é fechado.

Whitney aprendeu através do exemplo da mãe que sua melhor arma é o seu rosto, sua beleza. Peggy aprendeu que para conquistar aquilo que ela realmente queria era necessário deixar de lado o que os outros disseram que ela precisava. O grande ponto chave do desenvolvimento do flashback das duas personagens é a compreensão de que ambas seguiram caminhos diferentes do mesmo ideal. Whitney precisou abrir mão de seu sonho para começar a viver. Peggy abraçou um conceito que ela não imaginava precisar ao ser confrontada pela morte de seu irmão. A conexão entre vida e morte, causa e consequência, apenas ilustra o brilhante desenvolvimento de roteiro de Agent Carter. Existe um cuidado muito grande em dar para vilã e mocinha uma força motriz que vá além da trama da temporada. Longe de matérias negras e homens intangíveis, as duas precisaram crescer e abraçar um mundo machista, mas ao mesmo tempo refutá-lo.

Resumindo bem todas as sequências de flashbacks, podemos notar que tanto Peggy quanto Frost farão o possível para atingir seus objetivos – Dentro dos limites de cada uma. Também é válido mencionar que não estamos lidando com uma personagem fraca, uma mera atriz, mas sim uma mulher ambiciosa e extremamente competente. Ao nos depararmos com Whitney encomendando ratos para realizar experiências em si mesma, anotando metodicamente todos os resultados, a série está nos dizendo que é bom sim tomar cuidado com a vilã. Mesmo que ela não seja dona de dotes como o de Dottie, Frost possui o mesmo tipo de diferencial que Peggy, a inteligência. Enquanto todo mundo escolhe despreza-las, elas mostram sua capacidade além do esperado. E eu estou extremamente ansioso pelo confronto das duas poderosas mulheres.

Smoke and Mirrors é um tipo de episódio que funciona de maneira fluida e que quebra as convenções básicas de como se utilizar um flashback. Não existiram drogas poderosas, um sonho, ou alguma situação que repetisse exatamente o que estava acontecendo no passado e justificasse a presença daquelas cenas. O que vimos foi a série nos mostrando o aprofundamento de suas personagens centrais com sutileza e uma carga emocional condizente com tudo o que já vimos de Agent Carter. Para mim este é um tipo de episódio digno de top 5. E por mais doloroso que seja ver a audiência da série tão aquém discrepante com sua qualidade, ainda me orgulho por poder testemunhar o nascimento de uma verdadeira heroína da Marvel, a primeira e única Peggy Carter.

Easter eggs e outras informações

– Como você está? Jarvilhoso!

– Vocês já tinham me informado nos comentários da review passada, mas eu deixei passar batido – No quarto da Whitney Frost existe uma escultura com as duas máscaras do teatro, uma alusão a Madame Máscara, alcunha adotada por Frost nos quadrinhos.

– Thompson no clube Arena é uma forte indicação do futuro da S.H.I.E.L.D., infiltrada pela Hydra desde o começo.

– A Executiva de Operações Especiais existiu no mundo real e foi uma organização britânica criada por Winston Churchill para encorajar e facilitar a espionagem e sabotagem atrás das linhas inimigas.

– Bletchley Park Trust era o local em que os códigos alemães eram quebrados durante a segunda guerra mundial.

– Na review passada eu dediquei um parágrafo para mencionar as similaridades entre Frost e Hedy Lamarr. Neste episódio a série também fez questão de nos lembrar da existência de Hedy.

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