Depois de dois episódios com bom nível de qualidade, Smallville cai bruscamente. Uma tentativa de voo que destruiu o telhado da boa narrativa e deixou uma frustração pairando na atmosfera. Nem a Supergirl foi capaz de salvar o desastre…

Spoilers Abaixo:

Pois é, amigos e fãs sobreviventes da saga de uma década, fiquei decepcionado com o resultado deste episódio, principalmente depois de todo o burburinho em torno do retorno de Kara, nossa garota kryptoniana, que não foi tão interessante como parecia.

Foram erros atrás de erros que transformaram os 40 minutos desse episódio nos mais torturantes da minha breve vida de seriador. Primeiro vimos aquela cena podre do Darkseid possuindo o Gordon Godfrey. Depois tivemos o discurso do possuído contra os vigilantes e a queda do outdoor. Pausa para respirar e pedir paciência. O QUE FOI AQUELA CENA? Os roteiristas esqueceram que efeitos são importantes nessas horas? Terrível, mesmo com a poderosa garota de azul, vermelho e amarelo na parada.

Supergirl poupou todo o trabalho de Clark, tentou ensinar o herói a voar (o que mais uma vez não deu certo), tapou o buraco da falta de Chloe e Tess no episódio e ainda por cima foi a mensageira de Jor-el. É claro que não posso esquecer que foi Kara quem veio para avisar Clark do mal que está na jogada durante esta temporada final; explicar todos os malefícios que a fumaça negra repleta de corvos pode causar e usar seu bracelete da casa dos El para salvar o dia. Ufa! Muita coisa a fazer, mesmo para uma super-garota.

Entre as coisas ruis que aconteceram, tivemos Lois fazendo o típico trabalho de jornalista investigativo e expondo os podres de Gordon antes que ele publicasse online o último capítulo do livro que acabara de ser lançado. O que não faz sentido, aliás, qual a graça de publicar um livro e deixar o capítulo final para depois? No mínimo um capítulo extra seria aceitável, mas como estamos falando de Smallville, dá para engolir.

E ninguém venha me dizer que as cenas com Lois neste episódio foram boas ou engraçadas. Foram completamente sofríveis. Roupinha de couro? Só estando com muito tesão para não perceber que tudo aquilo era forçado demais. Até o momento em que Lois tira as fotos foi ridículo. Me poupem, roteiristas da série. Não somos tão idiotas para acreditar nessa enrolação.

O único lado bom de todo esse jogo investigativo foi vermos o Clube Desaad e a prévia de mais um dos capangas de Darkseid. Lembro que nos quadrinhos Desaad era inventor de máquinas de tortura, mas tenho certeza de que não foi ele quem fez aquela coisa de panos onde Lois foi presa. Ô coisinha mais brega.

Mais sofrível ainda é Clark salvar Lois da armadilha justamente quando a pestinha desmaia e nós, que queríamos ver como nosso herói tiraria sua amada dos laços sádicos de Desaad, ficamos com um lençol vermelho na tela. Nessa hora eu já estava a ponto de arrancar os cabelos. Em pleno feriadão, um episódio tão ruim? Deus!

Entretanto, no meio de toda essa nojeira, algumas coisas boas sobraram, felizmente.

Os roteiristas continuam a bater na tecla do destino, o que pode cansar ao longo da temporada, mas até que foi bacana ver Lois voltar à Metropolis para continuar ao lado de seu musculoso, atrapalhado, charmoso, herói e colega de trabalho, Clark Kent/Blur.

Também foi bom ver o Arqueiro Verde sentir saudades de Chloe, mergulhar em uma leve depressão e renascer forte e triunfante para uma nova era dos vigilantes. Claro que foi a Supergirl quem inaugurou a moda de mostrar o rosto, mas quem vai ser lembrado mesmo é o playboy dono da Luthorcorp e companhia.

Não consigo expressar o quanto fiquei surpreso e feliz com a decisão de Oliver, mesmo que o sacrifício de Chloe tenta se tornado obsoleto. Metrópolis nunca mais será a mesma.

Quem também não será o mesmo daqui para frente é Clark, que continua aprendendo a controlar seu lado negro. Aquele lado repleto de ódio pelos vilões e que almeja ser o herói que nasceu para ser. Prova disso foi o diálogo entre Clark e Gordon-possuído-por-Darkseid que mostrou que nosso herói ainda não está preparado para enfrentar toda essa Escuridão. O que já havia sido dito por Jor-el e repetido pela ilustríssima Supergirl.

Só acho que Kara cuidar de Darkseid sozinha não seja um bom plano, porque no fim das contas Clark vai se envolver na briga. Como se não conhecêssemos muito bem nosso herói, não é? E também não teria graça se a Supergirl pegasse toda a atenção para si. Se isto acontecer, estaremos diante de um momento que deve mudar a história e o nome da série. Não teremos mais ‘Smallville’, teremos ‘Supergirl’ no prime-time da sexta-feira do popularesco CW. O lado bom é que pelo menos teremos mais cores.

Bom humor à parte, gostei de ver a forma que Lois vem preparando o território para dizer a Clark que sabe que ele é o Blur. O próximo episódio reserva surpresas quanto a isso, já que semana que vem teremos o esperado episódio 200, cheio de referências ao passado da série. Queridos amigos, é hora de pedir a todos os deuses, sejam eles novos como Darkseid, sejam eles falsos, como Gordon afirmou que são os vigilantes, ou oriundos da mitologia humana. Numa hora dessas orações nunca são demais, porque depois de um episódio desses todo o ânimo pela temporada final foi para o calabouço e está esperando um milagre. Que o ’10×04 – Homecoming’ seja espetacular.

E por hoje é só.

Nota do episódio dentro do PQS (Padrão de Qualidade Smallville): 6.

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