Final de ano no SM é recheado de listas. Você já conferiu as 15 Melhores Séries de 2015, As 5 Melhores Novas Séries da Fall-Season, Os Melhores Episódios do 1ª semestre, do 2ª semestre e durante todo esse processo, algumas produções acabam sendo negligenciadas, porém, hoje, parte dessas injustiças serão corrigidas. Ótimas séries ficam de fora de uma outra lista não pela falta de qualidade ou por preconceito, mas simplesmente fala falta de votos ou argumentos (sério, vocês precisam ver como é o debate no QG do SM quando o assunto é lista. O bixo pega!). Sem mais delongas, eis 5 fantásticas séries que não tiveram os créditos que merecem nas nossas mais recentes listas.

5Sense8 (Netflix) Por Natanael Lucas

Vendido como um projeto dos irmãos Wachowski (Matrix) com o Netflix, Sense8 só ganhou os holofotes através da divulgação de quem estava cansado de ideias saturadas e foi indicando o trabalho até não poder mais. O problema da estreia, apesar de ter sido ovacionada pelo grande público, foi a falta de prestígio que a narrativa construiu. O grande erro da série não esteve na sincronia dos fatos, que foi praticamente recheado de cliffhangers e episódios memoráveis, mas a simplicidade dos diálogos, quase sempre vazios e com pouca interação com o contexto dos personagens. Sense8 teve sim momentos marcantes e belíssimos, mas não tiveram a força suficiente para criar um ritmo de crescimento.

Mas se qualidade for o parâmetro para analisar o trabalho como um todo, então a vontade de aplaudir de pé é imensa. Sense8 conta a história de 8 vidas completamente diferentes que por uma força quase divina são transformadas em somente uma. A premissa tinha tudo para colocar a obra num pedestal de criatividade, mas os artifícios usados para tal não tiveram o peso suficiente para transformar a série como referência visual.

Apesar disso, o grande trunfo do primeiro ano foi cruzar a fronteira dos paradigmas sociais: discutindo diversidade sexual, machismo e preconceitos culturais/sociais. E isso acabou rendendo oportunidades que fizeram da série uma das grandes injustiças atualmente. Quem não ficou arrepiado quando Capheus, Sun, Lito, Will, Kala, Wolfgang, Nomi e Riley compartilharam a letra de What’s Up? E quando todos tiveram a ensejo de reviverem os seus nascimentos ao som de uma orquestra emocionante? Sem falar nos períodos em que a série focava nos dilemas de Nomi e sua sensibilidade para lidar com questões de gênero até então pouco abordadas no ambiente televisivo. Menção honrosa para a cena de orgia e a fotografia brilhantemente aproveitada.

Sense8 não só modificou a forma de contar histórias, com 8 protagonistas igualmente cativantes, como também conquistou pela mitologia da história, que foi praticamente tratada como coadjuvante, mas que rendeu mais espaço para a psique dos personagens. Infelizmente a série convergiu o fato de que ainda é preciso muito mais para cativar a crítica especializada, apesar do apelo do público. Não basta um sobrenome importante com um histórico icônico no mundo das artes para já nascer influente, é preciso de um elemento que a segunda temporada tem o dever de conquistar em 2016:  transformar a experiência de assistir Sense8 num espetáculo de texto, atuação e filosofia.

4Penny Dreadful (Showtime) Por Lucas Müller

A primeira temporada de “Penny Dreadful” foi bem eficaz e correta e contou com uma atuação espetacular de Eva Green que hipnotizava o olhar de todos em cada momento que estava em tela. Mas foi no seu segundo ano que a série encontrou seu tom de narrativa ao trazer o grupo mais assustador de bruxas que já surgiu no mundo seriado e impregnando uma tensão e urgência que conseguem nos prender ao longo dos seus ótimos 10 episódios. E intercalando a narrativa no presente com uma gradual construção do passado e das motivações dos protagonistas, era impossível não se apegar a cada um deles, o que somente aumentava a ansiedade pelo destino turvo que se desenhava (e ainda se desenha) para todos.

Fora Eva Green, que continuou seu trabalho perfeito do ano anterior, fomos presenteados com as bruxas interpretadas por Patti LuPone e Helen McCrory, esta que trazia um frio na espinha sempre que recitava seus feitiços na diabólica língua do Verbis Diablo. Quem viu a temporada, com certeza não esquece da incrível e bem dirigida cena em que ela aparece costurando os órgãos de um recém-nascido em uma boneca com a cara de Vanessa. Algo perturbador e que fica na sua mente, algo que só o terror em sua essência consegue fazer e algo para o qual “Penny Dreadful” parece ter conseguido achar a fórmula. Que venha a terceira temporada da melhor série de horror da atualidade.\

3The Man in the High Castle (Amazon) Por Lucas Fernandes

Como seria se o mundo fosse divido entre duas superpotências? Não, não estou falando dos EUA e da URSS e sim da Alemanha Nazista e do Japão Imperial. É com essa premissa mais do que interessante, baseada no livro homônimo de Philip K. Dick, que The Man in The High Castle se apresenta. Com os Estados Unidos divido entre duas potências (Grande Reich Nazista e Estados Japoneses do Pacífico), forças de ambos os lados dão início a um jogo de gato e rato com consequências inimagináveis, que poderiam mudar o destino da humanidade. Além disso a trama vai evoluindo de gêneros passando pelo thriller político, ficção distópica e fantasia. Tudo isso amarado por atuações marcantes de gente como Alexa Davalos, Rupert Evans, Cary-Hiroyuki Tagawa e Rufus Sewell (indicado ao Critics’ Choice). A produção de Ridley Scott com a idealização de Frank Spotnitz (de Arquivo X) é uma das melhores surpresas do ano e a melhor produção da Amazon Studios até agora. Merece toda a atenção possível! Não perca essa chance e corra já para ver essa série que vale a pena assistir.

2Daredevil (Netflix) Por Diego Antunes

Demolidor estreou no começo de 2015, adorada por fãs e não fãs das histórias em quadrinhos, a série traçou uma nova linha no quesito adaptações derivadas da nona arte.  O problema é que muita coisa aconteceu (leia muita série nova surgiu, muito episódio bom das antigas pipocou) e a série do Diabo da Cozinha do Inferno acabou “deixada de lado”. Mas agora decidimos trazer Matt Mudock de volta e mostrar que ela merece, de verdade, figurar em um TOP de 2015.

Daredevil (série) surgiu com a promessa de apagar o filme de 2003 da memória. O que ninguém esperava era que a primeira série da parceria entre Netflix e Marvel fosse ser tão bem-sucedida. Com clima mais pesado e diferente de todas as obras lançadas pela Casa das Ideias para o Live Action, a produção encabeçada por Steven S. Deknight mudou completamente como um super-herói era reproduzido na televisão. A partir de hoje muito se diz a respeito do teor maduro e das lutas bem coreografadas de Demolidor, é praticamente um padrão que muitos fãs querem para novas produções. Não é uma regra, mas encheu os olhos de todo mundo. Quem não se lembra da ótima sequência no corredor, reprisando Old Boy? Ou a luta contra Nobu e a verdadeira surra (uma das) que Matt levou ainda em seu uniforme preto pijamão? A verdade é que do elenco bem escalado, do herói bem desenvolvido ao vilão, Daredevil foi responsável por satisfazer o sonho de muito fanboy, este aqui incluso.

1Person of Interest (CBS) Por Kin Jordan

Person of Interest é uma daquelas séries incomuns que conseguem melhorar a cada temporada. Após uma excelente terceira temporada, Jonathan Nolan consegue entregar uma quarta ainda melhor e mais ousada. Temporada esta que começou com o Team Machine derrotado e fragilizado após os eventos grandiosos de Deus Ex Machina. Pairava uma grande dúvida de como a série conseguiria continuar após tais eventos. Porém a equipe de escritores, como sempre, demonstra um enorme controle sobre a obra. Após um início sólido, mesclando sua parte procedural e desenvolvimento da mitologia, Person of Interest iniciou 2015 com o espetacular episódio If-Then-Else (4×11), aclamado pelo público e pela crítica especializada, e que simplesmente virou a série de cabeça pra baixo com seus acontecimentos, mostrando o quão inventivo e surpreendente é este show. Daí em diante foram entregues sequências de ótimos episódios que culminaram em uma Season Finale magnífica (YHWH), que mais uma vez vira tudo de cabeça pra baixo e nos deixa sem saber o rumo que a série seguirá na quinta e provável última temporada. Elenco, personagens interessantes, ótima história, drama, ação, humor e uma excelente equipe de escritores é o que torna Person of Interest uma das melhores e mais interessantes séries no ar atualmente. Infelizmente sofre o preconceito por ser exibida na CBS, canal conhecido por suas produções procedurais. Porém vale lembrar que PoI, apesar de exibida por este canal, é produzida pela Warner e, embora apresente sim sua cota procedural (e ainda assim com bons episódios), se preocupa bastante com sua mitologia e em nenhum momento subestima a inteligência de seu público. E que venha a quinta temporada que certamente será a melhor da série!

E para você, tem alguma outra série muito boa que foi completamente esquecida e ignorada? Compartilhe conosco sua opinião e não deixe de mencionar nos comentários aquele programa imperdível que merecia mais destaque, mas foi injustiçado.

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