A tapeçaria começa a se formar.

The Man in the High Castle é a nova série da Amazon, que retrata como o mundo seria se o Japão e a Alemanha tivessem ganhado a guerra. Esta review é do segundo episódio da série. Para acompanhar a do primeiro, que explica a história e dá as primeiras impressões, clique aqui. Recomenda-se ter visto previamente o piloto, já que personagens e locais são apresentados nele.

Já viu o piloto e as Primeiras Impressões? Então pode continuar sem surpresas…

A engrenagem que movimenta o ambiente distópico de The Man in the High Castle ganha mais velocidade nesse segundo episódio. Nas três divisões em que os EUA se encontram agora momentos chave vão sendo postos em ação na busca pelo misterioso Homem do Castelo Alto e como ele consegue recriar algo que não existe naquele mundo.

Grande Reich Nazista

Na costa leste as coisas começam a ficar complicadas para os nazistas. Os rebeldes começaram a dar o troco pela morte de uma das lideranças. Quem sofreu o ataque foi o Ogruf. Smith, que ficou no meio do tiroteio e saiu dali por sorte (e porque vaso ruim não quebra). Isso só serviu para alertar ainda mais a cúpula do governo nazista em solo americano. A necessidade de encontrar o autor dos filmes revolucionários agora é uma das prioridades e também o começo do que pode vir a ser o conflito entre potencias, já que os nazistas sempre tomam o governo japonês como vassalo, como se sempre estivesse por cima.

Estados Japoneses do Pacífico

Na costa oeste, os japoneses cientes da existência do filme estão à procura da pessoa que recebeu o filme de Trudy. Para isso acabaram prendendo Frank, na certeza de que Juliana estivesse com o filme (e está). Assim duas frentes polarizadas são tratadas aqui: o dilema de Frank e as artimanhas de Tagomi.

Frank teve de escolher entre entregar Juliana ou salvar a irmã e os sobrinhos. O governo ciente do fato de que ele é judeu (que no alinhamento de pensamento entre potências, são perseguidos em ambos os lados do país) usa disso para barganhar a informação de quem está de posse do filme. Numa negociação tensa, com um desfecho nada agradável, após seguidas horas de tortura, Frank é liberado, mas não sem antes perder os parentes.

Tagomi por sua vez articula com Wegener um modo de conseguir suplantar o poder nazista após a morte de Hitler. A tensão entre as duas potências é palpável no ar e é só questão de tempo até que entrem em guerra pelo resto do globo novamente. O plano que ainda não está claro envolve a presença dos príncipes imperiais que estão vindo de uma visita direto do Japão. O problema de colocar o plano em prática são os espiões nazistas dentro do governo e o I-Ching que continua dando mensagens desfavoráveis para a realização.

Zona Neutra

Em Canon City Juliana finalmente entra em contato com o contato indicado na passagem de ônibus que conseguiu com Trudy. O problema é que o contato se mostra como um espião infiltrado para eliminar possíveis dissidentes no território da Zona Neutra. Só não foi morta porque contou com a ajuda de Joe. O espião nazista está cada dia mais descrente da sua missão, principalmente depois de ver o conteúdo do filme que ele teria de entregar. Resta saber se ele ajudará Juliana na missão de encontrar o Homem do Castelo Alto ou se isso é só uma tática de aproximação perante a moça…

Continuando com a boa ambientação do piloto, o segundo episódio de The Man in the High Castle continua mostrando-se como uma obra coesa com uma linguagem visual interessante, como na sequência final em que os diversos destinos são recortados numa tapeçaria visual intrigante. A Amazon acertou em cheio na adaptação do livro de Philip K. Dick e espera é que a qualidade só aumente daqui até o final da temporada.

Heil! 1: Sejam japoneses ou nazistas, os métodos de tortura psicológica estão entre os mais cruéis e eficientes;

Heil! 2: Interessante a união dos ideais americanos e nazistas no diálogo entre Smith e o filho;

Heil! 3: E a trilha sonora com hits da época? Strange Fruit, de Billie Holiday e Sukiyaki, de Kyu Sakamoto dera as caras nesse episódio;

Heil! 4: Figurino também está muito bem feito com destaque para as fardas e vestidos de época;

Heil! 5: Para quem não pegou a referência: Leni Riefenstahl foi uma cineasta alemã, responsável por filmar “O Triunfo da Vontade” e “Olympia”, dois marcos do cinema nazista.

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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.