Chanel de todos os papéis.
Semana passada nós falamos aqui sobre as obrigações de uma Final Girl numa dramaturgia como essa. Falamos também sobre como Scream Queens confirma e subverte essas obrigações na medida em que Chanel continua se colocando na trama como um rolo compressor, desesperada por um lugar que a mantenha viva e diva. Essa semana o “projeto Chanel vive por último” ganhou mais um item e que – ironicamente – esmagou mais um pouquinho a relevância de Grace dentro do show.
Grace, aliás, tem acumulado duas funções. Ela tem perfil para Final Girl e para aquele personagem que investiga os mistérios dos assassinatos (salve Gale). Chanel ficou uma semana querendo roubar um desses títulos e nessa outra, decidiu-se por roubar também o outro. O problema é que com Emma Roberts dando colorido a uma personagem insana e deliciosa, fica muito difícil lembrar que Grace e Pete existem e nos fazem perder tempo com uma investigação que é feita num ritmo que parece do meu sobrinho de 10 anos.
Chegamos no sétimo episódio e já posso admitir que o problema da série é justamente quando ela se leva a sério. Essa semana Ryan Murphy também assinou o roteiro e dividiu a ação em dois plots muito distintos: a vida pessoal da reitora Munsch e as mazelas provocadas pelo enterro de Chanel Nº2, que mesmo morta deu o que falar. Ryan disse que Ariana Grande ainda reapareceria e cumpriu sua promessa em grande estilo. Do enterro a simplesmente GENIAL cena em que ela conta como funciona o inferno, Chanel Nº2 brilhou em seu retorno ectoplasmático.
Não é que tenha sido ruim todo o plot de Munsch, só não foi tão divertido e acabou deixando o ritmo um pouco irregular. Ryan quis acarinhar o ego de Jamie Lee Curtis e preparou uma engenhosa trama em que ela se vinga do ex-marido, que a trocara por uma garota muito mais jovem. Os detalhes desse enredo, como sempre, foram pensados para continuar alimentando a série de muito nonsense e referência pop, mas o resultado final foi deslocado de modo inconsciente. Ou seja, estava tão divertido ver Chanel e suas súditas surtando, que toda vez que Munsch aparecia ou Grace investigava, eu tinha vontade de ir beber água.
Claro que há mérito em inverter as expectativas e transformar a mulher abandonada numa força vingativa que esmaga a ex-amante do marido. Quer dizer, Feather se apaixonou por um homem casado, mas ele fez tudo certo. Divorciou-se e foi viver com sua amada. A menina também manteve sua lealdade ao novo marido e não tripudiou na esposa traída. O roteiro, enfim, quis passar a ideia de que muitas vezes a vingança e a maldade podem estar incutidas no indivíduo, esperando apenas o momento certo de entrar em erupção.
Mas, preferir o enredo de Chanel não é nenhum pecado mortal. Foi maravilhoso vê-la sendo manipulada pelo espírito zombeteiro da Number Two, apontada por ele como a autora dos assassinatos. Melhor ainda foi ver Hester aproveitando de novo para planejar outro levante que tirasse sua superiora da face da terra. Ryan continua mestre em diálogos insanamente rápidos e construídos com base nas mais absurdas referências. Glee tinha muito disso também, mas Scream Queens chegou ao completo apogeu da insanidade.
Ao descobrir o plano de suas minions, Chanel tem um insight e resolve que vai ela mesma descobrir quem está por trás dos assassinatos. Arruma um chapéu de Nancy Drew pra cada uma e garante que em dois tempos, vai conseguir maiores e interessantes progressos do que Grace foi capaz de alcançar. Chanel é uma personagem com a qual é difícil demais competir. Se ela quiser ser a vilã, será a mais interessante, se for a Final Girl será mais interessante, se for a investigadora será a mais esperta… E isso porque ela foi construída com muitos detalhes e camadas. Ela pode dizer as maiores barbaridades e o público da série está em busca disso. Não tem como saber se no final das contas essa soberania de Chanel não acabará sendo nociva pro show. Por enquanto está sendo um deleite e eu só quero mais e mais.
Screamzinho: Ariana caixão, de óculos escuros, hahahha. E o inferno com xixi quente fervente? Eu não sei de qual parte eu ri mais.
Screamzinho 2: Ménage com Hitler e Satan, hahaahahaaah.
Screamzinho 3: Gigi já nos esclareceu que são dois Red Devils mesmo.
Screamzinho 4: Uma semana de cabras, com Tabitha em The Walking Dead e a ama de leite de Chad.
















