A carta do salvamento que parece não salvar ninguém.
Há dois ajustes na dinâmica de Project Runway que fazem parte da história recente do show. Um deles é a olhadinha de perto que os jurados dão nas roupas e que não consigo entender como não fez parte do jogo desde sempre. A outra é o direito de salvar um participante da eliminação pelas mãos de Tim Gunn. São dois ajustes importantes e que provavelmente só foram feitos depois de muita consideração, já que o programa até hoje só abriu mão de uma grande dinâmica, que foi o sorteio das modelos (do qual sinto muita falta, inclusive).
Estamos aqui para falar dessa carta de salvação de Tim, que nos anos anteriores não foi usada de modo muito satisfatório para mim. É claro que Tim não via o programa pela nossa perspectiva e não tinha condições de saber quais os nossos participantes preferidos. Se soubesse, talvez não fosse garantia também de que tomaria outras decisões. O fato é que ele nunca salvou ninguém que eu não quisesse ver porta afora. Mesmo Justin, que chegou tão perto da vitória. Sempre tive a sensação de que o mentor não usava sua carta para salvar talentos delineados e sim o pessoal que estava meio perdido.
Por isso estranhei tanto que tenhamos chegado às portas do Season Finale sem saber se Tim ia ou não usar seu privilégio. Ele geralmente faz isso bem mais cedo e por vários momentos dessa temporada eu esperei que ele fosse salvar retardatários como Laurie ou Joseph. Intrigantemente, o mentor tem esperado e com isso, deixado que o fluxo de retardatários esvaziasse naturalmente e um time de participantes mais complexos chegasse na reta final. Os episódios 11 e 12 foram os que mais esperei vê-lo usando seu safe card e mais adiante vamos entender porque isso APARENTEMENTE não aconteceu.
Desafio do Dia: Criar um look Avant-Garde usando as pontes de Nova York com inspiração e tendo impressões em 3D como complemento.
Tempo Para Execução: 2 dias.
Prêmio Para o Vencedor: Um equipamento de impressão em 3D (que eu espero que eles nunca usem).
Já tivemos esse negócio de “tecido em 3D” antes… Justin mesmo quem usou na sua coleção. Já lá eu não entendia muito como aquilo podia ser bacana… A impressão era de que tinham colado uns pedaços de plástico no meio da roupa e que nada soava como uma parte do pano que se tridimensionara e sim que um acessório como um colar ou uma corrente tivesse sido incluído no look.
Dito isso, preciso pedir que se alguém tiver um argumento diferente para sublinhar o valor do recurso, fique à vontade. Eu realmente não alcanço… Nesse desafio, tivemos usos melhores do negócio, ainda que na maioria das vezes o desperdício tenha sido o mesmo. Os participantes tinham uma grande oportunidade das mãos, porque o Avant-Garde costuma ser um desafio muito excitante e que dá muitas liberdades a todos eles para pirarem na batatinha.
Como sempre, entretanto, os participantes se dividem em três tipos:
1. Os que entendem que Avant-Garde é uma mistura sutil de artes plásticas e moda. Deve ser eloquente, mas não demais.
2. Os que entendem o que é Avant-Garde, mas acabam dando a volta no conceito e jogando com o seguro.
3. Os que não tem a menor ideia do que é Avant-Garde e caem no abismo do literal, sem complexidade.
Na primeira linha de impressões estavam Candice e Ashley. As duas com uma completa ciência do que se trata o desafo e trabalhando em cima disso. Na segunda estavam Merline e Edmond, sabendo do que se trata, animados com a perspectiva de criar em torno do conceito, mas editando suas escolhas até que elas se tornassem apenas uma sombra do que foram. Por último estava Kelly, que admitiu não saber muito sobre o tema e transformando isso numa abordagem literal. O que nem eu e nem vocês esperavam, provavelmente, era que o resultado do desfile fosse ser tão ousado quanto as próprias noções de ousadia.

TOP: O desfile foi muito bem-sucedido. Mesmo as peças pouco interessantes eram bem-feitas e corretas. Candice fez uma roupa linda, mas não se via a inspiração na ponte (Mel B vai usá-la, inclusive). Ashley fez algo muito interessante, mas não sabia onde enfiar o 3D e acabou colando tudo na capa. A roupa de Ashley, inclusive, era a que mais gritava a bobagem que é enfiar esses pedaços de plástico no look. Edmond foi no clássico e acertou, só não era Avant-Garde. Kelly é quem surpreendeu todo mundo, com uma criação estranhíssima, cheia de escolhas que poderiam destruí-la, mas que funcionavam de uma forma misteriosa. A interpretação do desafio era literal, a cor era marrom e o material pouco maleável. Mesmo assim, tudo foi feito com precisão e ela mereceu a vitória.

BOTTOM: Merline era a mais animada com o desafio e no ateliê estava cheia de ideias. Tudo foi ficando pelo caminho e ela apareceu na passarela com essa coisa enfadonha, nada atraente e impactante. Estava bem feito, mas não estava à altura do desfile. Quando ela foi eliminada, tive certeza que Tim a salvaria, porque enfim, Merline era boa, tinha ousadia e foi uma participante alegre e positiva, que ensinou muito sobre diferenças. Aprendi a admirar Merline e esperava que ela ficasse.
Entretanto, Tim entrou, mandou-a limpar suas coisas e bola pra frente. Quando o episódio 12 começou, ainda achei que ele entraria, falaria que sentiu falta de alguém ali e traria a maluquinha de volta. Mas, não rolou. Os últimos quatro participantes surgiram para o novo desafio e para a viagem do ano, que jamais imaginei que seria dentro dos próprios Estados Unidos. Ou o orçamento caiu ou eles só queriam mesmo seguir o fluxo da proposta do challenge.
Desafio do Dia: Criar um look para Red Carpet usando Los Angeles como inspiração.
Tempo Para Execução: 2 dias.
Prêmio Para o Vencedor: Um lugar na Fashion Week.
Como sempre acontece nesse ponto do jogo, os quatro remanescentes passam o dia todo valorizando as próprias criações sem muito bom senso e caindo de pau em cima dos vestidos dos outros. Mas, só nas entrevistas. A edição mostrou vários momentos em que um pedia opinião pro outro, mas quando iam para as entrevistas a conversa já era outra. Eu destaco Candice nessa categoria. Uma das grandes falsianes do show.
As criações pareciam ir em boas direções. Os tecidos escolhidos por Ashley e Edmond eram um pouco duvidosos. O dela muito propenso a parecer barato e o dele, muito mais condizente com uma parada gay. O moço, inclusive, começou com um vestido longo e foi cortando, cortando, cortando, quase até virar um maxi cinto. Com aquela estampa berrante, ele teve medo de exagerar no design e acabou cometendo o segundo grande erro de sua semana. O primeiro foi justamente o de ter escolhido aquela matéria-prima.
No desfile, as roupas de Candice e Ashley estavam novamente dentro do esperado. O curioso é que o resultado mostrou de novo que os jurados vêm numa onda de serem completamente dominados por um desejo crescente de criatividade agressiva. Quem não arriscou, quem não se empenhou nessa exigência ficou pelo caminho e justamente por isso, Kelly teve sua terceira vitória, sendo a segunda seguida.

TOP: Nina quase a mandou embora em uma semana lá pelo meio da temporada. A jurada aproveitou então para se redimir desse desejo, sublinhando como Kelly se revelou uma competidora das mais criativas. Sua roupa era, como sempre, estranha e misteriosamente interessante. A textura era inusitada, a cor, a distribuição de elementos… Tudo muito limítrofe, mas dotado de uma elegância surpreendente. E vale dizer que, de novo, Kelly estava fora de sua zona de conforto, já que ela não faz roupas para tapete vermelho. Mesmo com seu visual de atriz pornô dos anos 80, ela vem se provando semana a semana.

BOTTOM: Além da estampa colorida exagerada demais e do brilho das lantejoulas, o design era pobre e feio. Quanto mais ele cortava mais a coisa parecia errada, mas ele resolveu levar aquilo para a passarela mesmo assim. Christian Siriano disse que fazia uma silhueta como aquela em dez minutos. E faria.
Então, veio a pergunta temida de quem deveria ir para a Fashion Week e dessa vez o resultado foi bem equilibrado. Nenhum dos quatro ficou de fora das escolhas e ninguém foi jogado “under the bus”. Claro que havia uma atmosfera velada de superioridade entre Candice e Edmond, mas Kelly e Ashley não deixaram de ser citadas.
Edmond acabou eliminado. Ficou claro que os jurados não o queriam fora e que torceram para que Ashley tivesse errado mais. Mas, Heidi ganhou mais do meu respeito ao dizer que se entra na passarela todo dia e diz que um dia você está “in” e no outro está “out”, eles precisam ser justos e tomar a decisão baseada no desafio daquele dia e não no histórico de Edmond. Sendo assim, ele teve sua eliminação anunciada.
O primeiro sinal de que essa pode ser a vez em que Tim usará seu cartão de salvação foi a ausência da despedida de Edmond na edição de imagens. Fomos dele se lamentando com os amigos ao clipe do episódio seguinte e nesse mesmo clipe também não vimos imagens dos finalistas todos juntos. Isso foi muito estranho e já espero que ele seja mantido na competição. Porém, na Fashion Week não costumam haver quatro designers e geralmente quatro finalistas significam uma eliminação na prévia para os jurados. Mas, essa eliminação é anunciada antes das coleções serem feitas.
Enfim, o episódio dessa noite promete surpresas e mesmo com as reviews duplas e atrasadas, espero vocês aqui para acompanharmos essa reta final.















![Project Runway 14×13/15: The Final Runway [Season Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2015/11/Project-Runway-14x13-218x150.jpg)






