Assim fica difícil te defender, Haven.

Na maioria das vezes que o cancelamento de uma série que amamos é anunciado, a sensação de amargura e desconsolo toma conta. Porém, quando isto ocorre com grande antecedência, o efeito é contrário, pois confiamos que o final será bem planejado, resgatando tudo de bom que a série apresentou e deixando de lado seus deslizes. O término de Haven foi declarado há quase dois anos e, pelo caminhar crescente da história, fiquei extremamente empolgado com a decisão. Pelo o que parece, superestimei a capacidade dos roteiristas…

The Trial of Nathan Wuornos é um dos piores episódios desde o início da série (e olha que a primeira temporada é sofrível!) e, como fã incondicional, parte meu coração ter que admitir isso. Eu fiquei com a impressão de que partiram de uma ideia (o julgamento) e não se importaram em criar situações completamente inverossímeis para que o mesmo ocorresse.

Primeiro, Nathan deixa Kira na Sala dos Éteres, pois seu pé estava preso e ele não conseguiria libertá-la sozinho, mas Dwight com a musculosa Charlotte libertaram-na sem a menor dificuldade – qualquer alavanca teria deslocado aquela pedra. Segundo, ele mente para todos que a menina está morta, visando proteger a matéria-prima que, possivelmente, servirá como cura dos Problemas. Pra que mentir? Quem em sã consciência sairia correndo no meio das perturbações para destruir as bolotas que causaram seus Troubles? E, por último, a equipe saiu numa missão extremamente arriscada. A chance de perder a vida era monstruosa – tanto que o pobre coitado do engenheiro morreu e ninguém se importou com isso. Sendo assim, por que acusar Nathan de sua morte?

Pelo menos, se a execução do julgamento tivesse sido genial, todas essas lamentáveis premissas  teriam sido esquecidas, contudo, o que vimos foi uma sequência boba, orquestrada pelos irmãos Teague que, inexplicavelmente, mudaram sua postura sombria dos últimos episódios e se tornaram uma espécie de O Gordo e o Magro de Haven. Seria isso o efeito de outro Trouble?

Audrey, por sua vez, conseguiu desvendar o mistério da Escuridão e libertou todos (inclusive nós, telespectadores) do cárcere no ginásio. O desenrolar de toda a investigação – especialmente a crueldade de jogar todos os barbudos na sala escura – foi bem divertida e o cliffhanger final com o Sandman promete mudar o direcionamento deste péssimo início.

Eu continuo torcendo e confiante, especialmente pela emocionante sequência do discurso do Nathan, ao mesmo tempo em que a maldição da escuridão desaparecia (Emily Rose, por que tão linda?), ao som da belíssima All You Left Behind. Faltaram lágrimas…

Encerro essa curta review, pois não quero mais escrever nada contra Haven e, se tivesse que falar do plot do Duke, isso seria inevitável. Hoje tem novo episódio e torço para que as coisas entrem nos eixos.

Até semana que vem!

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Alexandre Bonfá
Apaixonado por HQ´s há mais de 30 anos, eu me sinto realizado com essa avalanche de séries de Quadrinhos da atualidade. Tá achando pouco? Ano que vem vai ter o dobro!