No Brasil temos A Regra do Jogo, nos EUA temos Blood & Oil.
Existe um termo bem interessante para definir um formato estadunidense de fazer televisão: o popular soap opera. No Brasil as novelas são as que mais se utilizam dos artifícios desse gênero para captar os telespectadores todo o dia. O nome, que na tradução literal significa ópera de sabão, foi inventado em 1960 para designar um entretenimento barato e recheado de melodramas entrelaçados, geralmente com um caráter moralístico protestante. Sabão pois na época a maioria dos patrocinadores desse formato eram marcas de limpeza doméstica. Atualmente o termo passou a ser usado para taxar uma produção como banal, muitas vezes com o intuito de desprezar o trabalho que está sendo apresentado. O importante é que soap opera é um gênero que divide opiniões, há quem é viciado nesse estilo desde o primeiro episódio/capítulo, e há quem corre bem longe há procura de algo mais segmentado. Já Blood & Oil pode não ser um novelão estilo A Regra do Jogo, mas está caminhando para ser uma soap opera completamente escorregadia.
Apesar na narrativa plana que tivemos nas primeiras semanas, só agora que passei a prestar mais atenção em Jules, culpa do episódio ter como objetivo principal a reunião dos personagens na festa de aniversário. Ela, que já vestiu várias profissões no decorrer da série, está agora divida em duas direções: uma ao lado de Wick, por quem ela claramente não está apaixonada mas sabe que seria o caminho mais confortável, e na contramão está o passado com Hap Briggs, que vem ressurgindo das cinzas numa velocidade tremenda. Detalhe que esse plot é tipicamente um artificio da soap opera, quando uma personagem precisa superar algo do passado e faz do telespectador uma testemunha de suas camadas amorosas, revisitando fases da sua vida com o fim de deixar um clima tenso e instigante, sendo que pra mim o efeito é completamente o contrário. Agora, se B&O quiser vestir esse gênero ao extremo então sugiro colocar uma gravidez no meio dessa história pra transformar a vida de Jules num inferninho mais interessante.
E falando em inferno, uma coisa que o quarto episódio realizou muito bem foi nos introduzir um pouco mais no assunto petróleo e sua competitividade. Principalmente no espaço em que pudemos testemunhar o “leilão de terrenos” e a tentativa falha de Billy e Clifton começar alguma coisa nessa indústria. A união entre os dois, e o apoio de Emma (outra recém aquisição do elenco), faz total sentido para mim já que o objetivo da série é instigar a sede de poder/dinheiro entre os personagens e não dar muito espaço para mistério ou derivados. Mas como toda soap opera o mal sempre começa ganhando e exibindo suas garras. Dessa vez, foi o papel de Hap em desfazer (mais uma vez) a alegria de Billy e os Vingadores que levou o carimbo “olha do que a nossa trama é capaz de fazer nesse mundo lamacento chamado Rock Springs“. Eu juro que quase arrepiei quando o patrono Briggs olhou diretamente nos olhos do nosso herói e declarou:
Este é o negócio do petróleo. Eles não saem por aí distribuindo troféus para quem está jogando o jogo. Pra cada poço de petróleo há milhares de poços secos. Para para cada eu, há um milhão de você. É assim que funciona.”
E isso certamente abriu uma rachadura no coração de Billy, que já começou a olhar o jogo com mais atenção e desejo. O problema nesse caso continua sendo seu casamento e toda aquela dinâmica entre ter que lidar com um relacionamento + família, e ao mesmo tempo a crescente obsessão por petróleo + vencer Hap de qualquer jeito.
Por outro lado, temos um personagem que apesar do plot tentar de tudo para parecer instigante não conseguiu cativar meu interesse. A.J. vinha sendo perseguido por um inimigo anônimo de Briggs e tentou sabotar os planos da empresa. Essa tentativa de inserir um clima de mistério e investigação a favor de uma guerra parelela ao contexto “família” que a série vem criando é que está me perturbando. Se B&O quiser abraçar a ópera de vez, assim como Revenge e Dallas fizeram, então o mais consciente seria eliminar esse núcleo que começou entediante e tudo indica que irá morrer entediante.
Assim como o aniversário de Jules, a série (que registra números nada empolgantes de audiência) deve permanecer como um teatro rico mas recheado de convidados anônimos e incolores, um retrato típico de uma soap opera mal sucedida. Blood & Oil nasceu com uma temática polêmica e avassaladora, mas até agora só serviu para apagar as velas de um bolo que saiu do forno muito antes do esperado.
PS1: Quantos minutos vocês levam para acender velas na banheira antes que sua namorada chegue para estragar a surpresa?
PS2: Não entendi o motivo de Billy estar todo vestido de terno no momento em que Cody volta do aniversário. Algum erro do roteiro/edição? Ou será que estão tentando esconder alguma coisa?
PS3: Não sei vocês mas senti um climão entre Carla e Wick…






















