Depois de Cristo, digo, Elena.

Elena funciona para TVD como uma faca de dois gumes fatais: com ela é sofrer, sem ela é sofrer mais. É isso se aplica, ao que parece, aos roteiristas. E, pelo menos pelo que nos foi oferecido nessa season premiere, não há tempo que cure esse martírio da série de não saber se guiar se não for pelos rastros da nossa semi-falecida protagonista. É como se a série mantivesse certo argumento em voga por uma razão que não existe mais e que, pelo menos dos próximos 60 anos, não implicará nada.

Não que eu não esperasse mais qualquer menção à Elena nessa estreia. Ou que ao menos não supusesse que o primeiro plot fosse algo parecido com um dos hereges arrastando o caixão de Elena por toda Mystic Falls. Os mortos estão aí para serem lembrados e darem nomes aos bancos de praças. Normal. O que eu não esperava era a tentativa de se minar atitudes ou justificar feitos pelo estridente: o que Elena vai pensar sobre isso quando acordar, hein mocinho? Desejei estar surdo. E quando um dos recursos narrativos que mais me atraem – volta ao tempo para explicar um acontecimento futuro – é condicionado por: só levanto quando Elena acordar? Desejei ser o Malcom e ter meu coração arrancado.

O caminho é reto na série: temos 6 (S-E-I-S) novos vilões que sequer sabem da existência da moça dos cabelos humanos lisos e que pouco estão se importando pelo que ela passou ou está passando. Eles querem sangue, indiscriminadamente, sem distinção de raça, cor, sexo, idade, religião, linhagem, O+, O -, enfim, querem tirar o atraso de mais de 100 anos presos em um mundo paralelo. Dê a eles está chance, Plec!

Tá, fui injusto e me esqueci que o Enzo e a Mama Monster também estão incluídos no pacote de vilões. Temos, então, 7,5 vilões. Quanto ao Enzo, bem… vingue-se do Stefan usando a Sarah e você volta a merecer meu tempo. Já a Mama, essa merece crédito. Não pelo que ela já fez, mas pela potência de ser. A imagem dela presa, toda descabelada, pulando feito um orangotango numa cela, na temporada passada, permanece intacta na minha cabeça. Se, por ora, ela servirá de sustentáculo para suas little bitches brilharem, freando seus anseios de sangue ou as ideias de colocar fogo na galera em plena luz do dia, em um futuro não muito distante, apostaria nela como sendo àquela que persegue Stefan pelos galpões abandonados do Brooklin. O porquê? Stefan terá um plano melhor (quem nesse mundo pensa em fazer uma bomba para matar vampiros-bruxos, minha gente?!), nesses próximo três anos, e consegue extirpar os hereges de Mystic, talvez. Mama sabe se vingar ao ser contrariada, ainda mais quando se trata de família, o que, em tempo, não inclui os irmãos Salvatore.

Após algumas citações vagas sobre os hereges, chegou aquele momento complicado de dar um Google para me lembrar do nome deles. Não pensem que nem fiz questão de guardá-los, sou só ruim com nomes mesmo. São promissores. As mulheres, Valerie, Nora e Mary, sem surpresas, serão os fios condutores. Aliás, se tem uma série que gosta de colocar o homem como sendo step de uma mulher, essa série é TVD. Elas pisam neles, com orgulho, com vontade, beijam o irmão deles, se beijam entre si e depois vão embora falando que não foram amadas o suficiente. Espera aí, isso é só um reflexo da vida real mesmo. (Brincadeira. Não queimem sutiãs na sede do Série Maníacos por causa desse comentário, gosto de trabalhar aqui).

O recado quanto aos hereges, aliás, está dado: nada de razoabilidade e proporcionalidade. Não importam as consequências de suas atitudes, quem com ferro fere com ferro será ferido. Fato: atropelamento com omissão de socorro. Consequência: omissão de socorro a uma morta. Revenge: crânio explodido no capô do carro. O mesmo se aplica à explosão da casa. Não importa se não deu em nada, vai ter troco. E não é disso que é feito um vilão? Psicopatia desmotivada e com requintes de crueldade? Imagina se arrancam o coração do seu maninho…

E o que dizer da cota para casal na série? Bom, começo dizendo que não saiu no SM, mas saiu no EGO que a Candice Accola está grávida. Quais as implicações para a série? Tirando o fato de vampiros não poderem engravidar, nenhuma. Não acho que seja necessário mudar a mitologia da série para adequar o papel à atriz, quando, para mim, só o contrário é verdadeiro. Um close nos beijos de amor de Steroline e está tudo certo. Se precisar dar uma sumida com ela? Se arrumaram um jeito de Elena sumir por sessenta anos, o que são seis meses de licença-maternidade, não é mesmo?

Em segundo lugar, se deram uma desacelerada com o casal no final da temporada passada, resolveram chutar o balde nessa. Quando eu achei que seria aqueles encontros regados a constrangimento por mais meia-temporada, sou surpreendido por um quase-tórrido beijo de amor. Durante o episódio eu relembrei de uma história de cerca de três anos atrás, quando eu estava com a humanidade desligada e resolvi me declarar para uma garota da minha sala. Fica a dica: não tente voltar a ser “somente” amigo dela, a não ser que ela venha tirar uma farpa de madeira do seu pescoço e fique no estado que Caroline fica. De qualquer modo, aos shippers Steroline: se preparem, pois já sabemos o que vem depois da bonança.

Enfim, embora os primeiros 30 minutos desse episódio pudesse se chamar “Coisas que devo registrar para contar pra Elena quando ela acordar”, não há como não se empolgar com as inúmeras possibilidades que podem ser levantadas com a presença de Mama e suas crias, ainda mais agora que o fator morte é muito mais crível que em other side. A série já conseguiu fazer coisas incríveis em termos de antagonismo, e tudo só não foi ainda mais bacana de acompanhar pela disputa eterna de espaço entre a história a ser contada versus a história de amor a ser contada. Desapega, TVD!

P.S.1: Se Caroline aparecer grávida na série, não se esqueçam: mesmo com a humanidade desligada, usem camisinha!

P.S.2: Damon não pode ir prensando a Bonnie contra um carro só porque um caminhão tá em vias de atropela – lá não. Vai que ela confunde a pegada. Vai que eu confundo também. Vai que eu começo a shippar.

P.S.3: Descobrimos mais uma função para phasmatus: abrir porta de carro e derrubar os inimigos. A palavra é multifuncional.

P.S.4: Não vote Stefan para Prefeito! Ele nem assumiu e Mystic Falls já virou cidade fantasma. A Dilma, pelo menos, mantém os níveis de CO controlados.

P.S.5: Alguém pode avisar Nora e Mary que no século XXI não tá tão de boa dar uns beijos lésbicos na rua não? Se nem Fernanda Montenegro saiu ilesa.

P.S.6: Sobre o plot do Ric: que seja tudo, menos necrofilia. Oremos.

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