Um terrível choque de realidade para Sue Heck.
É extremamente raro – dá pra contar nos dedos de uma mão – aparecer um episódio de The Middle que não me deixe, no fim, consideravelmente mais feliz do que quando comecei. Ainda assim, não sei se me lembro de um início de temporada tão intenso e recompensador como o do sétimo ano da nossa comédia favorita. Cutting The Cord, mais um excelente episódio para o respeitável rol de The Middle, não apenas segurou a onda da ótima premiere como foi capaz de nos guiar por uma nova e incrível montanha-russa de sentimentos em apenas 20 minutos de episódio.
Mas vou começar falando sobre um problema chamado Brick. Eu comentei na review anterior que um dos maiores trunfos de The Middle era justamente sua habilidade para ser real aos nossos olhos, para passar verdade. Brick é frequentemente a antítese dessa característica. Com suas manias exageradas e sua estranheza social (que, a rigor, não é um problema, mas comparemos a estranheza social de Sue com a de Brick e fica mais fácil entender aonde quero chegar), o Heck caçula tende a forçar a série para o lado cômico, muitas vezes sacrificando a verossimilhança.
Às vezes esse é um recurso não apenas bem sucedido, mas necessário em uma comédia. Entretanto, fazer com que os pais de Brick se recusem a cuidar do filho – e, por cuidar, estou falando em prover alimentação! – ao meu ver passa um pouco da conta.
Tudo bem, a introdução desse arco foi propositalmente exagerada para justificar a negligência de Frankie e Mike em relação a tudo o que vai acontecer com o filho durante o restante do episódio, mas ainda assim, foi de um exagero quase cruel vê-los deliberadamente largando o garoto às traças.
Por sorte, ele segue os passos da irmã e eleva ao máximo nosso nível de vergonha alheia com as dancinhas no pátio da escola, e nessa acaba conseguindo não apenas proteção como também uma amizade curiosa – ou o mais próximo disso que Brick consegue conquistar.
O que eu espero é que esse tipo de trama nos leve a algum lugar com Brick, desenvolvendo-o melhor como personagem e influenciando sua personalidade. Se isso acontecer ao longo da temporada, poderemos dizer que terá valido a pena. Mas, depois da maestria com que foram conduzidos os desenvolvimentos de Axl e Sue (o que fica mais do que evidente nesse episódio), chega de usar Brick apenas como alívio cômico. Ele é tudo o que nos restou na Heck House, então está na hora de transformá-lo numa pessoa de verdade, num adolescente de verdade.
Agora, vamos voltar ao lado maravilhoso de toda a história, e quando estamos falando de coisas maravilhosas, é claro que estamos falando de Sue Heck, também conhecida como “o Sol de The Middle”. Mal houve espaço para tanto brilho nesses 20 minutos, a começar pela enorme expectativa de Sue pela chegada de sua roomie, trama que ganhou um teaser no episódio passado – olha The Middle brincando de deixar cliffhangers!
Em primeiro lugar, as perguntas de Sue para os pais eram tão esdrúxulas (e básicas – você não precisa esperar a faculdade para procurar saber sobre como lavar o cabelo, precisa?) que não pude evitar soltar uma risada alta quando Mike disse “Mas ela não acabou de pousar no planeta!”, porque era exatamente essa a sensação mesmo. Mike, aliás, foi um pequeno show a parte. Seu “hihihiiii” de alegria pulando da cama para escovar os dentes quando Frankie sugeriu que era noite de festinha no quarto foi divertidíssimo!
Durante a espera, as tentativas de Sue de se enturmar transitaram entre o sensacional e o “de cortar o coração”. O destaque, obviamente, foi a reunião com o pessoal de humanas e o choque de realidade que ela definitivamente não estava pronta para receber. Apenas genial!
Mas eis que, como tudo na vida dos Hecks, Holly aparece e é a pessoa mais chata do mundo. Praticamente a anti-Sue Heck, eu diria. Sue é tão querida e tão iluminada que ela continua tentando, quando uma pessoa comum obviamente olharia para o naipe da criatura e já se afastaria naturalmente. Mas não Sue. Sue sempre tenta, mesmo depois e ver um “F**k Life” gigantesco na parede. E sempre quebra a cara. Como de praxe, desde a primeira temporada.
Quase morri de dó da nossa queridíssima personagem dormindo ao “relento” e ainda sendo punida por isso. Toda a situação exalava um nível tão alto de depressão, que quando Sue desabafa ao telefone dizendo não estar pronta, eu realmente senti um baita frio na barriga: será que essa seria a maneira de não deixar a Heck House esvaziar? Será que Sue pediria arrego e voltaria pra casa? Seria bom manter a família unida, mas seria tão triste vê-la fracassar até nisso…
Felizmente, a cavalaria chegou para Sue na melhor hora possível, e essa cavalaria atende pelo nome de Axl. Ok, ok, ela não teria chegado ao fundo do poço se não tivesse sido rejeitada pelo próprio Axl logo no começo, mas relevemos: o Heck mais velho realmente tem um coração.
Não há como não ficar tocado com esse momento de conexão entre os irmãos, não se envolver com a cena e não sentir todas aquelas emoções paradoxalmente comuns e raras que só The Middle consegue provocar em nós. Acompanhamos Axl crescendo como ser humano nas últimas duas temporadas, e agora estamos diante da consequência. E não dá pra não ficar com o coração aquecido de orgulho ao constatar que, no fim das contas, ele aprendeu mais com Frankie do que gostaria de admitir. Afinal de contas, we do it for family.
Diários de Sue Heck:
– Ok, a BFF ainda não veio, mas se Axl teve direito a um novo amigo na faculdade, eu mato essas showrunners se Sue for privada disso e continuar só interagindo com bitches! Sigamos aguardando ansiosamente.
– Holly cometeu a heresia de chamar Taylor Swift de vadia! NO YOU DID NOT! É só azar no amor, coitada, mas Sue bem que poderia ter respondido haters gonna hate hate hate!
– Problemas para lidar com cocô em banheiro público: quem nunca? #oversharing
– A todos, muito obrigado por acessarem e acompanharem, ainda que brevemente, o meu trabalho com The Middle! Espero ter feito um trabalho satisfatório na ausência do nosso querido Gustavo Nagipe, que na próxima review já estará de volta ao seu posto. Nos esbarramos nos coments, e até a próxima!














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