Tubarões e Baleias.

Nostalgia define o series finale de CSI. Quinze anos após a exibição de seu primeiro episódio, a principal franquia de CSI chega ao fim, reunindo alguns de seus principais personagens ao longo dos anos. Porém, a estrela foi Grissom, todo o episódio girou em torno do personagem que durante tanto tempo foi o centro do laboratório criminal de Las Vegas. Para todos os fãs da série acredito que Grissom jamais foi substituído pelos outros personagens que ocuparam seu lugar. E não estou desmerecendo os outros personagens, principalmente porque, para mim, DB foi um acerto desde o momento em que entrou no seriado.

Mas, CSI com Grissom é diferente, assistindo este episódio senti um retorno aos primórdios da série, e muito deste sentimento foi pela simples presença do personagem. No entanto, não foi apenas por causa de Grissom, vimos também recursos narrativos que não estavam sendo empregados há algum tempo, como a recriação mental de cenas do crime e de objetos destruídos, além de vê-lo como professor de Lindsay, filha de Catherine.

Ao descobrir que todos esses personagens iriam retornar para o episódio final fiquei imaginando como os roteiristas fariam para que a trama funcionasse e o resultado final me surpreendeu e foi ótimo de assistir.

Em primeiro lugar, trazer Lady Heather de volta foi uma ótima decisão e um grande acerto do roteiro. A personagem foi importante quando apareceu pela primeira vez e ao longo das temporadas pudemos ver seu desenvolvimento e sua história, além de sua óbvia conexão com Grissom, que eu sempre achei muito boa de assistir. Lady Heather foi uma das peças do quebra-cabeças da trama, que ainda precisava unir muitos outros personagens. E existe algo mais simbólico para o CSI do que um caso envolvendo um cassino em Las Vegas?

Ainda mais um cassino do pai de Catherine, o que fez com que a loira voltasse para fazer parte das investigações. A personagem, ao lado de Grissom, também ganhou bastante destaque, um destaque merecido para uma das principais personagens do seriado até quase o seu final. Assistir a dupla trabalhando lado a lado foi divertido e cumpriu muito bem o objetivo do roteiro.

No entanto, não posso deixar de falar que outros personagens acabaram não tendo o destaque que mereciam. Sei que apenas um episódio duplo não poderia nos mostrar tudo o que gostaríamos de ver, mas o sentimento de “quero mais” sempre continua. Jim teve seu episódio de despedida, um ótimo episódio por sinal, e veio no series finale apenas para marcar presença, então este não me incomodou tanto. DB, por exemplo, merecia um pouco mais após ter conseguido, com sucesso, estar à frente do laboratório. Mas, Greg foi o mais esquecido neste finale. O personagem, que seguiu firme e forte desde o primeiro episódio da série, estava totalmente apagado.

Acredito que todos os pequenos problemas relacionados ao episódio ocorreram em função da falta de tempo. A ideia de unir tantos personagens em uma trama conjunta foi muito ambiciosa e funcionou bem. A trama foi muito interessante, com um ritmo ótimo, acelerado quando necessário e mais lenta ao nos mostrar as tramas pessoais de cada personagem, que ao final de um seriado tão longo é o que os fãs estão buscando. É a necessidade de saber como ficará a vida de cada um daqueles personagens agora que não mais poderemos assisti-las uma vez por semana.

Mas, vamos à um dos principais elementos da trama principal: Lady Heather, que veio, como sempre, envolta em um caso misterioso. Um caso que envolvia pessoas explodindo e um criminoso que as estava usando para reconquistar a fantasia do amor que Lady Heather um dia sentiu por ele, um amor que para ele sumiu quando a ex-dominatrix conheceu Grissom, foco de sua raiva e quem ele gostaria de eliminar. A maneira escolhida pelo personagem para cumprir sua missão foi interessante, principalmente por usar pessoas ligadas à Lady Heather.

No final das contas, acabou sendo uma trama de resolução simples, o que não é uma crítica, já que uma história muito mais elaborada teria sido difícil de encaixar em apenas um episódio duplo. O que permitiu inclusive que a trama buscasse a ambição são os fãs do seriado, que sempre o acompanharam, e conseguiram entender bem os acontecimentos da finale sem se perder. CSI se baseou em sua história para nos entregar um episódio sólido e bem feito.

No entanto, nem tudo saiu perfeitamente bem. Quem acompanhava minhas reviews do seriado sabe que eu sempre gostei de Lady Heather e não posso terminar essa review sem falar sobre o triângulo amoroso que criaram para o episódio e que se tornou sua principal trama secundária, ou até mesmo a trama principal dependendo do ponto de vista.

Como comentei no início do texto, a conexão entre a ex-dominatrix e Grissom sempre me intrigou, gostava muito de ver a interação dos dois e como eles funcionavam muito bem cada vez que apareciam juntos. Portanto, me incomodou que o seriado decidiu basear tanto de seu já limitado tempo para dedicar ao amor de Sara por Grissom e ao ciúme que a personagem sentia de Lady Heather.

Tudo me soou um tanto quanto exagerado e ao mesmo tempo um pouco raso demais, sem um desenvolvimento maior dos sentimentos de cada um. Sara e Grissom já haviam terminado o casamento em um episódio que pareceu deixar tudo bem resolvido, mas a volta do personagem certamente indicaria um tremor nesta relação, e era necessário falar sobre isso. Mas, com Lady Heather no meio, ficou difícil de o roteiro me convencer que Sara e Grissom são perfeitos um para o outro.

A cena final dos dois no barco, com Sara largando tudo o que havia conquistado para ficar ao lado de Grissom não deixou de ser bonita, assim como a declaração que ele faz sobre seu amor por Sara para Lady Heather ao final do episódio. E assistir a personagem largar tudo por Grissom, assim como ele largou por ela tantas temporadas atrás, foi uma decisão inteligente do roteiro e funcionou bem para o finale.

Porém, jamais conseguirei entender o porquê de não terem explorado mais o lado de Grissom com Lady Heather. Sabia que minhas esperanças dos dois ficarem juntos seriam frustradas, mas a química entre eles é forte e continua funcionando muito bem. Diferente do que sinto ao ver Sara e Grissom juntos.

A conversa de Sara com Lady Heather foi um dos pontos altos do episódio para mim, como uma briga silenciosa entre os olhares das personagens. Heather teve a capacidade de nos passar sua emoção com os olhos e não com suas palavras. Sua boca dizia que ela não era apaixonada por Grissom e seu olhos diziam o contrário, assim como sua expressão na conversa final indicava o quanto estava sendo difícil para ela ouvir a declaração de Grissom sobre Sara.

Apesar de minhas expectativas pessoais em relação aos personagens, CSI Las Vegas entregou o que prometeu e sai da grade da televisão americana deixando saudades!

P.S – Também não posso terminar esse texto sem falar de um dos melhores momentos de todos: a conversa de Catherine com Grissom:

Catherine: Eu preciso de um favor. A garota nova. Ela está passando por um momento difícil. Ela acha que te decepcionou. Estava esperando que você pudesse ajudá-la a processar a mala. Ela está precisando de um tutorial do Grissom.

Grissom: Eu preferia não fazer, estou muito bem aqui. Da onde ela surgiu?

Catherine: Minha vagina. Você não a reconhece? Grissom, ela é Lindsay, minha filha.

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