A TV Land não é muito conhecida por suas séries originais. O canal é conhecido pelas reprises de seriados como The Golden Girls (aliás, esse último parece ser um queridinho dos canais americanos), e tinha aclamação da crítica com sua ótima porém finalizada série Hot In Cleveland. Ficou claro que o canal queria um novo sitcom que substituísse as risadas de sua última jogada original. Era difícil e as apostas estavam altas, ainda mais quando decidiram jogar com tudo: contratar Darren Star, consagrado pelo seu trabalho em seriados como Sex & the City, Barrados no Baile e Melrose Place, não ia colocar as expectativas abaixo. E como o público do canal é, em sua maioria, 40 anos-acima, jogar Sutton Foster (um dos maiores nomes da Broadway nos últimos anos) e Miriam Shor (atriz responsável por deixar qualquer seriado chato extremamente engraçado, como na maravilhosa performance em G.C.B. em 2012) foi uma jogada extremamente inteligente. No entanto, faltava mais apoio$, então o canal se uniu a Nick At Nite (basicamente, Nickelodeon de madrugada) e contrataram Hilary Duff como fator chamativo dos mais jovens. Bom, digamos que foi isso que chamou todos os holofotes para o seriado, já que ficou conhecida como “a-nova-série-da-Hilary-Duff”.

Com as expectativas nas alturas (ainda mais depois das fracas estreias do ano), não pude ficar mais satisfeito. Basicamente, Younger fala de uma mulher de 40 anos, Liza, que depois de se separar e ver sua filha seguindo a vida no final da adolescência, decide dar uma reviravolta e fingir que tem 26 anos numa entrevista de emprego, já que na idade dela, nenhuma empresa pretendia contratá-la. Claro que tudo se tornaria uma grande confusão, e ela arranjaria um namorado tatuador bonitão, Josh (interpretado por Nico Tortorella) e uma amiga, Kelsey (a Hilary Duff gente!) que acreditaram que ela estivesse mesmo em seus 20. Temos ainda a melhor amiga gay, Maggie e a amiga de Kelsey, Lauren. Ambas nos dão momentos impagáveis.

Quem não assistiu deve se perguntar “como uma mulher de 40 anos vai se passar por uma de 26?”. Acreditem: ela consegue. Sutton nos entrega uma performance tão incrível que podemos identificar quando Liza está confortável em seus 40 e quando ela se encaixa na geração Y. É muito interessante, inclusive, ver a série com a perspectiva de gerações X/Y/Z na cabeça. Os ideais e objetivos que tanto nos diferenciam.

É incrível a harmonia entre o elenco – quem diria que Hilary Duff poderia ser uma atriz tão boa? – e como todos contracenam de forma fluente. Mais incrível ainda é como em 12 episódios, pudemos conhecer bastante de todos os grandes personagens e que, se a série tivesse acabado aqui, teríamos um final extremamente plausível. Mas, ainda bem que não! A série foi renovada e em 2016 nos deliciaremos novamente com esse seriado que eu recomendaria até pra minha tia de 40 anos.

Uma pena que a série não tenha tido tanta repercussão – não me surpreende, no entanto. As séries da TV Land são sempre injustiçadas, e aqui volto a citar Hot In Cleveland. Mas não há preocupação: a audiência se manteve estável na casa dos 1 milhão de expectadores (não são grandes números pro canal, mas a estabilidade garante mais um ano na casa) e espero, do fundo do meu coração de série maníaco, que todos possam se dar à chance de rir e se divertir.

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