Quando você espera pelo impossível.

BoJack Horseman consegue fazer o seu espectador esperar e torcer por coisas improváveis, para não dizer impossíveis. Nós sabíamos desde o início que BoJack não iria ser feliz para sempre com Wanda, e embora eu não tenha torcido para que eles ficassem juntos, tenho certeza de que muita gente torceu. No meu caso, eu estava torcendo para que ele conhece ao menos um pouco de felicidade ao lado de Charlotte, apenas para ter o meu coração quebrado junto do dele ao descobrir que ela tem um marido e filhos.

A trama, aliás, é baseada nisto. BoJack e a família de Charlotte compõem o principal e único núcleo do episódio. O cavalo resolve ficar em New Mexico após a visita e acaba se apegando à família da sua paixão platônica. Passam dois meses juntos vivendo uma mentira, para ser mais exato. Não me lembro se já tivemos um timeskip deste tipo na série antes, mas foi gratificante ter um. Não para saltar o desenvolvimento de BoJack ou das outras figuras ao seu redor, mas para renovar a série, que pode acabar tendo a sua fórmula desgastada dentro de pouco.

O episódio foi bastante sensível, mas também tivemos piadas excelentes. Pete Repeat, uma paródia de Drake tocando e vários outros momentos genuinamente engraçados. Mas é, não tem jeito. Esse capítulo na história do BoJack foi maioritariamente triste. O cavalo até tentou encontrar felicidade no que tinha, sendo um amigo e um conselheiro para Penny, a filha de Charlotte, por exemplo, mas acaba embebedando um dos seus amigos e passando a ideia errada para a garota. Tudo isso resulta no inevitável: BoJack destruindo a sua felicidade momentânea.

O que mais me entristece nisto tudo é ver que Charlotte era a última chance real de BoJack encontrar algum tipo de paz ou alegria. Se nós pararmos para pensar, ela é a única constante da sua vida, a única âncora com os bons dias que ele viveu, agora que Herb está morto. Sim, BoJack possui diversos amigos, como Todd e Diane, mas ele precisa de mais do que um amigo. E para ser honesto, Charlotte é a única personagem em toda essa série que eu gostaria de ver ao lado do BoJack. Nem a Princess Caroline, uma das minhas favoritas (e eu odeio gatos!) funciona com o cavalo.

Quando BoJack implora à Charlotte que fuja com ele, eu consegui sentir o meu coração rachar como um pedaço de vidro. A sequência dos balões foi igualmente tocante e eu estou sem entender até agora se BoJack estava, de fato, prestes a dormir com Penny. Se ele estava, é apenas mais um indício do quão prejudicial e tóxico ele é, mas também do quão assustadoramente carismático continua sendo. Por algum motivo BoJack adora estragar as suas relações puras e ingênuas com jovens que o têm como um ídolo com sexo, vide Sarah Lynn.

Não sei se estou preparado para o próximo e último episódio. BoJack retornou para casa no seu barco – que vai acabar virando um token do seu rastro de destruição – (numa cena brilhante, diga-se de passagem) apenas para encontrar Diane ainda vivendo na sua mansão, ainda desolada. As coisas não mudaram, mas de algum modo, sinto que mudaram e que agora BoJack terá de compensar pelo tempo perdido.

 

Lá nos anos 90…

– Já estou esperando pela confirmação de uma terceira temporada!

– Espero que esse timeskip tenha mudado pelo menos algo drasticamente.

– Será que vamos voltar a ver a Wanda? Rezo para que não. E eu sou agnóstico!

– Por favor, me convençam de que ainda há uma ínfima possibilidade de algum dia o pobre BoJack encontrar felicidade com a Charlotte. Por favor, me deixem viver nesta mentira.

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