A inesgotável procura do cavalo vazio.
BoJack não é a razão para eu ser um fã de BoJack Horseman. Nunca foi. Ele não é tão diferente de outras toneladas de personagens quebrados que temos por aí e a sua eterna e trágica miséria muito menos. O que me faz amar BoJack Horseman como eu amo poucas séries no ar hoje é a sua bipolaridade sensorial. Acompanhar essa série é gratificante e ao mesmo tempo desolador. Para cada três episódios puramente engraçados, nós temos três episódios melancólicos. Episódios como este, que chegam ao fim e só te fazem refletir no quanto essa animação é tão mais matura do que muitas produções live-action que estão sendo exibidas no momento e que se vendem como dramas de qualidade.
E está aí o diferencial de BoJack: a capacidade de fazer drama com o engraçado. Se ver Diane acabada e imunda num estado extremo de precariedade na casa de BoJack é inicialmente engraçado, isto acabou se tornando tão doloroso para nós quanto para ela nos minutos finais do episódio. Em BoJack Horseman, toda a alegria está condenada a se transformar em tristeza. Você pode dizer que isto é ruim para uma sitcom, mas eu gostaria de discordar. Ver Todd se juntando a um culto de humor improvisado foi muito mais bacana justamente por sabermos o quanto ele se sente sozinho. E por essa mesma coisa nós acabamos sorrindo e suspirando.
No episódio, BoJack tem de aprender a se acostumar com a ideia de que o filme com que sonhava para o seu ídolo não irá acontecer. O novo diretor é um sujeito simpático, mas sem qualquer visão. Quando ele afirma a BoJack que o que estão fazendo ‘não é Casablanca’, BoJack assume (logicamente) que ele entende que o filme será uma porcaria e está apenas fazendo o seu trabalho. Mas BoJack acaba transformando o cineasta num inimigo, já que ele literalmente quis dizer que não estavam fazendo Casablanca (pois esse filme já existe, segundo ele). BoJack se agarra por um momento à ideia de fazer uma peça da Broadway, mas logo isto é arrancado dele. Não que o fosse fazer feliz, já que ele mal se lembra da última vez que esteve verdadeiramente feliz.
Por consequência da constante mentira de Diane para Mr. Peanutbutter e pela ilusão que ela está alimentando, Wanda acaba detectando um padrão autodestrutivo em BoJack. Wanda finalmente conhece o BoJack, em outras palavras. “Aconteceu o que sempre acontece. Você não me conhecia, você se apaixonou por mim. E agora você me conhece”, disse o cavalo. Nós, os espectadores, estamos entre os únicos que o conhecemos e ainda o amamos. E mesmo assim, você ainda pode se perguntar até quando nós sentiremos isso.
O episódio acaba com BoJack fugindo de tudo e todos. Do seu trabalho, da sua ex-namorada, dos seus amigos… da sua vida. Tudo para ir em busca da última coisa que lhe fez feliz, provavelmente. Está aí uma razão para sorrir no final de um episódio tão tristonho: no próximo teremos a rena Charlotte.
E eu amo a Charlotte. Espero que o BoJack também.
Lá nos anos 90…
– Todd dirigindo um carro movido à peidos. Só mesmo essa série pra me fazer rir de uma piada de peido.
– Foi hilário ver o BoJack sublinhando diversas vezes que cientologia não é um culto só para poupar o episódio de críticas. Quebrou a quarta parede e não quebrou, ao mesmo tempo.
– Quando será que o Vincent Adultman vai voltar? Será que vamos ver uma luta entre ele e… alguém lembra o nome do coelho que está namorando com a Princess Caroline?
– Ver o Todd se dando conta de que o BoJack não está na sua apresentação de graduação foi de quebrar o coração. Coitado do Todd.















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