Olhando para a escuridão, na esperança dela olhar de volta.

Podemos dizer que chegamos ao ponto mais sombrio da jornada que Jonathan Strange & Mr. Norrell está nos proporcionando. As consequências dos atos foram deixadas de lado e muita coisa foi jogada em prol do objetivo final, que varia de cada lado da equação.

Strange tanto procurou a loucura que encontrou. Em Veneza mais precisamente. Depois de fugir da prisão na Inglaterra, foi na cidade italiana que ele encontrou o ambiente propicio para colocar seu plano em prática. Ele só não contava com as revelações que tais atos iriam apresentar. O objetivo de Strange era invocar algum ser do mundo das fadas para assim “impeli-lo” a realizar os seus desejos. E se o problema era a falta de loucura, com uma ajudinha dos Greysteel, ele consegue achar uma fonte inusitada da matéria prima. A velha que vive com os gatos num casarão decrépito (e presumo de alguma maneira ela era nobre) e age e se comporta como eles. Foi um toque interessante, mais interessante ainda quando ela come um pássaro morto trazido por um de seus companheiros felinos. Numa troca ainda mais inacreditável (a transformando num gato) ele consegue um “símbolo” da loucura dela para poder usar no encantamento de invocação, que dá certo! Mas o que ele não sabia e que nós acompanhamos a tempos é que o ser invocado é o “Cavalheiro” que agora ele finalmente pode enxergar.

Plano posto em prática e como sempre magia vem sempre com um preço, que no caso foi caro para ambos. O “Cavalheiro” acabou revelando de certo modo o que realizou para Norrell e Strange pediu o retorno da “falecida” esposa levando uma recusa na cara. O que o “Cavalheiro” não sabia era que uma vez a porta aberta para alguém tão obstinado como Strange o resultado sempre é uma surpresa. Após conseguir o dedo de Lady Pole de volta (e consequentemente sua liberdade do domínio magico) Strange adentra em Lost Hope e finalmente descobre a dimensão e os planos do ser de cabelos prateados. Ao encontrar Arabella viva e sobre poder de um feitiço, o mago se entrega aos mais profundos desejos de vingança e uma batalha se desenrola ali mesmo, legando a Strange uma maldição e para o “Cavalheiro” a drenagem de toda sua energia.

Norrell por sua vez continua seu monopólio ao “roubar” todas as edições lançadas do livro de Strange na Inglaterra e queimá-las no intuito de proibir o povo de aprender a magia que (na cabeça dele) só ele tem o direito de ensinar, administrar e autorizar em terras inglesas. O problema é que isso começou a trazer algumas consequências desagradáveis para ele. A primeira ser tachado de ladrão. A segunda é o súbito revés de sua popularidade entre os governantes, já que a revolta que acontece no norte tem um pé na magia, que querendo ou não ele “trouxe” de volta. E para completar ele retira Drawlight da cadeia no intuito de manda-lo como espião e assim descobrir os planos de Strange para com a magia e sua pessoa.

Stephen começa a ter uma esperança de se livrar do “Cavalheiro” que agora ele já vem com olhos mais temerosos, após a cegada de Vinculus no abrigo dirigido por Mr. Segundus. Do modo característico que só Vinculus tem ele propõe a liberdade a Stephen do grilhão mágico em troca da sua própria. Acaba-se descobrindo que o tão falado livro do Raven King é na verdade o próprio Vinculus, ou melhor, o corpo dele. Devido a um desafio do pai, que engoliu o livro folha por folha, Vinculus nasceu sendo o livro, dai a ligação tão forte com a profecia. Na jornada com destino a árvore (que viria a ser o ponto final de sua jornada) Vinculus consegue a simpatia de Stephen, mas mesmo assim a influência do “Cavalheiro” é maior e Vinculus acaba pendurado na arvore que apareceu na visão de Childermass enquanto passava pela cirurgia do tiro de Lady Pole. Se estiver morto, bem, tenho minhas dúvidas, mas é possível.

Todas essas linhas narrativas convergem num final sombrio e caótico. Com Strange ciente da mulher viva e ciente também do que Norrell anda fazendo na Inglaterra e munido de um desejo de vingança além do possível por ele e pelo “Cavalheiro”, só restou apelar para medidas drásticas. Com toda aquela escuridão ao seu redor que lentamente suga sua vida, ele resolve abrir de vez os portais mágicos e liberar o poder do Raven King para todos e assim retornar a magia de direito do povo inglês, sem pensar é claro nas consequências que tais atos podem trazer. E o que também pode retornar através desses portais…

Faltando somente um episódio para o fim da série com a iminência da chegada do Raven King (esse bendito vai aparecer?!), Jonathan Strange & Mr. Norrell nos apresenta um episódio ao mesmo tempo empolgante e de clima pesado, calcado nos sentimento de vingança e desespero dos personagens. O resultado de tudo isso, acompanharemos na próxima review com o final desta maravilhosa jornada televisiva. Até lá.

Pena de Corvo 1: Qual será o presente que Strange mandou para Flora Greysteel? Chuto que seja um espelho…

Pena de Corvo 2: Só estando maluco pra confiar duas missões importantes nas mãos de Drawlight! Mas se ele não fizer pode ter certeza de que Strange vai atrás dele com tudo… Entregar o dedo de Lady Pole a Childermass e uma carta a própria Lady Pole foram as missões.

Pena de Corvo 3: Nunca um “abracadabra” soou tão sinistro!

Pena de Corvo 4: Muito legal a cena do desaparecimento dos livros! Assim como a dos corvos entrando nos espelhos.

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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.