Mostra o rosto, a feminilidade!

O triste de Stitchers é que os bons momentos ficam sempre nos minutos finais, o que leva o espectador a sempre assistir mais um para ter certeza se deve ou não continuar. Isso é bom ou ruim? Ruim, porque apenas minutos de prazer não criam um vínculo. É uma série com potencial, mas óbvia nos três primeiros episódios e sem foco nenhum. Claramente, quer ser um procedural, com um novo cadáver para Kirsten (Emma Ishta) investigar por semana, mas os elementos procedurais, aos quais estamos acostumados, não são suficientes para sustentar o interesse na narrativa. “Connections” ao menos tentou fugir dessa fórmula com um enredo mais abrangente tratando do que aconteceu na vida de Kirsten com flashbacks e como ela está ligada ao programa.

A principal forma que arrumam para criar essa conexão é inserindo a anterior “stitchee” Marta (Tiffany Hines) na história e como o coma dela afeta Cameron (Kyle Harris). Uma emoção que passa uma imagem diferente do cientista bajulador e machista apresentada até o momento. Os roteiristas certamente querem nos dar mais desses momentos dramáticos, mas isso talvez implique em certos plots, entre ele ser um interesse romântico para Kirsten, bem como integrar o elenco cômico com seu parceiro de laboratório Linus (Ritesh Rajan), que faz piadas sexistas de forma exagerada e debochada. O grande momento concebido para nos mostrar como Cameron se sente condenado pelo ocorrido à Marta, acontece quando Kirsten vai para a memória da vítima neste capítulo, e quando ela apresenta frequência cardíaca altíssima, ele exige que Maggie (Salli Richardson-Whitfield) a traga de volta, o que não acontece. Maggie o responde de forma sucinta: “Kirsten não é Marta”. Mas afinal, quem é Marta?

Entendemos que Marta está em coma porque ela não podia separar suas emoções das amostras em que se inseria. E é interessante quando o episódio amarra isto ao caso da semana. Recém-casados, a mulher foi assassinada, a polícia suspeita que o marido seja o criminoso. Kirsten, ao que parece, lembra o amor da esposa com o marido, e ela se recusa a acreditar que ele seja o verdadeiro assassino. Cameron chama isto de “efeito residual da costura”, e Kirsten acaba experimentando emoções da esposa, mesmo de volta à realidade. O que traz mais carga emocional ao episódio e uma Kirsten não tão fria como nos foi introduzida. Então, os temores de Cameron não são tão infundados assim, mas inexplicavelmente Maggie tenta descartá-los. Treta à vista.

Neste episódio tratam de feminicídio, explicando o conceito, e deixam Cameron e Linus se gabando e acreditando na superioridade das características tipicamente masculinas deles. Quando Camille (Allison Scagliotti) precisa de auxílio para consertar um aparelho de som, Linus descaradamente diz que não é o tipo de trabalho que uma mulher obterá sucesso em realizar. Só que ela com todo seu ‘My pussy é o poder’ advindo da divindade brasileira Valesca Popozuda, prova que sim, ela consegue fazer sozinha, que tem estudo para isso, mas que não precisa. Ela então usa-o para ressuscitar o rádio e usa-o para satisfazê-la sexualmente. Camille tudinho, machismo nadinha. Baseado no episódio da semana passada, Linus e Camille não é nada inesperado.

Os últimos cinco minutos são uma montanha-russa, e felizmente, fazem com que pareça que o show sabe onde quer chegar. Embora as memórias de Ed tenham expirado, vemos que Maggie o conhecia, e mais que isso, ambos conhecem a mãe de Kirsten, que também ajudou a configurar o programa Stitchers. Em segundo lugar, Marta acorda de seu coma. Será que ela vai voltar e pedir o emprego de volta?

P.S.: Além da maneira de resolver assassinatos parecidíssima com iZombie, agora o fato de “herdar traços” também surge para se assemelhar mais ainda com o procedural da CW.

Artigo anteriorThe Whispers 1×04 Meltdown
Próximo artigoJonathan Strange & Mr. Norrell 1×06: The Black Tower