Sobre erros? Talvez. Porém, prefiro acreditar que “Whatever the Case May Be” – título de bom humor e gosto – é sobre perdão. Não sobre um personagem perdoando o outro ou sobre alguém procurando por perdão, mas sobre um personagem negando-se a si próprio esse alívio.

O episódio tem início com um passeio de Kate e Sawyer pela floresta e depois por um mergulho numa lindíssima cachoeira. Seria ganância pedir ainda mais? Por mim, poderíamos ter mais do que 40 minutos dos dois criminosos juntos, poderíamos ter uma temporada inteira. Desisti de esperar pela apresentação de novos sobreviventes – que só servem para fazer cameo na praia – e já me encontro estágio de aceitação, no qual me contento perfeitamente com os poucos-mas-bons que temos.

Não estou tão avançado assim no estágio de aceitação, é claro. Rose regressando à série depois de múltiplos episódios sem sequer ser mencionada e de já ter se dissipado das minhas recordações é inaceitável. Chega para dar lições a Charlie sobre, ironicamente, aceitação. Conselhos da mulher que ainda crê que o marido está vivo (não digo que não esteja, pois é Lost, mas não torna a sua postura menos tola).

Uma vez mais, o passado revisitado é o de Kate. As lembranças são trazidas ao topo por uma maleta que Sawyer e ela encontram durante o seu mergulho. A partir daí, Kate não poupa recursos ou tempo para recuperar a maleta.

Nos flashbacks, acompanhamos o decorrer de um assalto ao banco a que Kate estava, supostamente, se candidatando para uma vaga de emprego. O problema é que desde o anúncio do atentado, é óbvio que ela está com os marginais. Os verdadeiros interesses de Kate no banco são desmascarados forma infantil e risível durante um beijo entre ela e um dos seus parceiros de crime (beijo que ocorre ainda durante o assalto, para completar a estupidez).

O que está dentro da maleta? Segredos? Não. Apenas um instrumento de autotortura que Kate sente-se na obrigação de proteger, muito possivelmente para não se esquecer da vida que tirou (que à essa altura, acho sensato concluir que foi a de alguém próximo).

Sawyer escalando uma árvore e atirando a maleta na esperança de que ela assim se partisse foi asnice, tanto para os personagens, quanto para os argumentistas. Kate escondida entre os arbustos para depois recuperar a maleta pareceu algo saído de um desenho animado. E embora eu tenha, como qualquer ser humano mentalmente saudável, conhecimento de que os dois em companhia funcionam bem na tela, será mesmo necessário que todas as vezes que lutem ou caiam acabem em posições sensuais?

O episódio é excelente. A teia rítmica que une as cenas na ilha e no passado é impecável e Kate demonstra cada vez mais ser uma das personagens mais esféricas e interessantes de Lost. Mas até quando durará a magia do mistério que a envolve? Descobriremos.

Enquanto isso, no indecifrável epílogo da mente…

(?): Uma pergunta óbvia, porém imprescindível: quem Kate assassinou? E mais significante ainda: porquê?

(.): Falando sobre associações genuinamente inesperadas, tivemos uma relação florescendo entre Sayid e Shannon. Provavelmente serão um casal… e um não muito intrigante.

(!): Tivemos Jack sendo manipulado por Kate nesse episódio! Não me lembro de ter visto isso acontecer antes. Brincadeira!

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