O melhor de Once Upon a Time são os seus desfechos.

Lá no final da primeira temporada, a frase acima não poderia ser mais falsa. Hoje, depois de alguns anos de instabilidade, ela não poderia ser mais adequada. Once Upon a Time se tornou uma série de desfechos competentes para períodos de morosidade, ou extrema preguiça textual. Amargamos episódios ruins, momentos pouco interessantes e a construção de vilões que pouco interessava, mesclados com bons instantes, que infelizmente só surgiram com estabilidade nas três últimas semanas antes do final. Trazer Cruella, Ursula e Malévola funcionou em alguns pontos, mas provou exatamente o maior defeito atual da série, querer fazer muito em pouco tempo.

O Bom de Once Upon a Time nunca foram seus arcos com vilãs malignas, mas sim o desenvolvimento de versões alternativas dos personagens que por muito tempo conhecemos e amamos. Não é de se estranhar que os melhores episódios desta temporada e da anterior, são os últimos, que não tem relação (quase) nenhuma com o arco desenvolvido durante o decorrer do ano. Snow Drifts colocou Emma e Hook no passado, tentando fazer o possível para que o futuro fosse assegurado, com aquela boa e velha cena do príncipe William com a princesa Leia. Já Operation Mongoose nos presenteia com uma maravilhosa realidade alternativa, de uma série que já é uma realidade alternativa dos contos Disney, que nada mais são do que uma realidade alternativa dos contos dos irmãos Grimm. Mind blow! É um verdadeiro multiverso.

Então, eu gostaria que os redatores aprendessem e nos entregassem logo uma temporada inteira baseada em um mundo incomum. Infelizmente, depois de uma viagem no tempo e um lado B (saudades Fringe), dificilmente a série faria de uma fórmula repetida o seu arco para uma meia temporada, ou faria? Bom, o final da terceira temporada foi praticamente um reboot da série, com todos os elementos do fantástico ano de estreia. O que anda faltando em OUAT é um pouco mais de mundo mágico e não muita magia, como vem sendo feito desde a sombria, macabra e odiosa Neverland. O arco Frozen foi interessante, mas isso é mérito da Tia Sorveteira e não dos próprios personagens da animação, que surgiram apenas para que a série se valorizasse frente ao hype do filme. Já agora, com as três bruxas mais malvadas do oeste, que não fizeram nada e não serviram para nada, espero que as mentes pensantes por trás de Once Upon a Time tenham aprendido a lição. Menos é mais.

Eu só não entendo muito bem o motivo para deixar uma ideia tão boa limitada a um episódio duplo e não um ano inteiro, ou meio ano, já que a moda da temporada dividida em dois arcos veio para ficar. É isso o que deixa tudo mais interessante, mesmo que depois, lá no final, quem morreu volte, quem não nasceu apareça graduado, não importa. Para mim, o que vale mesmo é o caminho trilhado pelos personagens, muito mais do que o desfecho da temporada, que tem se provado o ápice da criatividade dos roteiristas. É muito interessante ter um desenvolvimento, mais ainda se ele vier depois de alguns Cliff hangers, mas não são os minutos finais de um último episódio que fazem com que os telespectadores permaneçam fiéis, é o crescimento.

Transformar a Emma em Dark One é uma grande oportunidade para a série, que prometeu uma ida para o lado negro através da corrupção da personagem, mas acabou entregando como consequência de um sacrifício, em nome da amizade e do amor, mais um daqueles momentos para deixar os amantes de SwannQueen enlouquecidos. O avanço vem não apenas para a produção, mas também para a atriz, que convenhamos, está bem “confortável” no papel de Emma Swan. Quase não existem desafios para Jennifer Morrison, que tirando seu momento viciada em heroína chique, não passou de alguns períodos de raiva com uma maquiagem meio questionável. Tê-la como uma figura tão interessante será uma ótima maneira de começar o quinto ano da série, que eu queria muito que fosse o último. Afinal, depois de Merlin, será que os roteiristas teriam coragem de se aventurar pela mitologia grega? Espero que a resposta seja um grande e sonoro não.

Mas faltou um pouco mais de inteligência para o roteiro, que apesar de competente, demonstrou um pouco de preguiça. Inverter a história e colocar os heróis como vilões é interessante sim, mas dar a mesma versão dos fatos como um reflexo no espelho, não. Então a Regina cometeu o mesmo erro que a Snow White, contou o segredo do namoro proibido entre ela e o irmão gêmeo malvado do David, o James. E existiram outras oportunidades perdidas, como a aparição do August que foi limitada aos minutos iniciais, ou o bom uso que poderia ter sido feito dos outros personagens, como Aurora, Mulan e Cinderela, que não precisava nem ser com uma cena complexa, apenas uma cadeira no conselho “negro” da Snow Black. Outro ponto, por onde andava Malévola? Aposto que marcando encontros com dragões.

Uma oportunidade perdida foi não terem entregado o final que o Rumpels realmente merecia, a morte. A melhor redenção para o personagem, após uma vida de Light One, teria sido se despedir do mundo em uma cena que o coroasse como o vilão meio anti-herói que ele sempre foi. Todas as atitudes do personagem, por pior que pudessem ter sido, foram em nome do amor pelo filho, pelo desejo de se reunir com Baelfire. Felizmente, como a série quis deixar bem claro, os erros humanos são as ferramentas que impedem a felicidade de alguém, não a predestinação. O discurso da Belle serviu exatamente para dar essa conclusão, esse ponto final tão digno que o personagem precisava ter. Gold sem poderes, sem o lado obscuro, não se tornará o herói que ele foi na realidade paralela, ao contrário, colocá-lo em um coma mágico foi a prova de que ninguém tem mais ideia do que fazer com ele. Existem personagens que partem no momento errado, outros, porém ficam além do devido.

Henry se tornar o autor foi condizente com toda a história que o garoto trilhou. Quatro anos andando com o livro debaixo do braço lhe rendeu mesmo uma boa intimidade com o material. Como de praxe, a série se esqueceu da trama do coração do verdadeiro crente e já que ninguém irá mais mencionar este pequeno detalhe, inserir o garoto como uma criatura poderosa e herdeira do caráter dos Charmings (antes do sequestro do ovo) é adequado. Só não entendi direito o que aconteceu, ele se tornou o autor, mas desistiu quando quebrou a caneta? Ou quebrou a caneta como recusa, mas continua sendo o autor, só que sem os meios para registrar a história? Agora que o aprendiz morreu, não conseguiremos uma resposta completa a respeito, a não ser que a série nos entregue, o que é sempre duvidoso. Como eu disse, OUAT é boa em criar desfechos, mas negligencia muito seu roteiro na hora de gerar explicações.

Todo o restante foi tão agradável, que eu senti um orgulho muito grande do que estava sendo apresentado. Fazia muito tempo que eu não via Snow e Charming desempenhando um papel interessante, que não gira ao redor da honra, caráter ou sua rebelde filha Emma. Não, é bom quando a série sabe diversificar a função de seus personagens, afinal, já havíamos experimentado um pouco da Snow Evil lá na maldição da Tia Sorveteira, que deixou todo mundo bem louco. Porém, em Operation Mongoose é um agrado a mais vê-la toda maquiada e pela primeira vez em muito tempo, bem vestida. Mesmo que o penteado não tenha favorecido muito, já ela deveria estar com o cabelão longo, arrastando no chão e com o corpo do anão falecido costurado a ele.

O mesmo vale para Regina e Rumpel do bem, que souberam manter um ar fiel aos personagens, com Rumpel despejando seus trejeitos como o Light One e Regina me convencendo como se ela fosse uma fora da lei encardida desde o primeiro episódio da série. Foram momentos ótimos que deixaram o episódio mais interessante do que eu esperava. Preciso de mais, quero outras realidades alternativas e não pretendo me satisfazer com apenas dois episódios por ano, necessito de uma temporada completa.

Mas as flores também tiveram seus momentos de erva-daninha. Como sempre existiram momentos nem um pouco críveis. Hook se prepara para sacrificar sua vida, dando uma chance para que Emma e Henry consigam fugir e o que os dois fazem? Ficam parados, para depois correrem como se a ameaça da Snow e do Charming não fosse nada. Ou seja, o sacrifício foi uma verdadeira perda de tempo. E o que exemplifica algo, a morte só vem quando o ator está descontente com o papel (Michael Raymond-James mandou lembranças), dificilmente existirá a coragem para tirar um personagem principal de cena. E é uma pena quando estamos nos referindo a uma versão “adulta” dos contos de fadas, que já mostrou que pessoas boas também morrem.

Não sei exatamente como irão construir a história do Merlin, para mim, o ideal seria uma viagem para Camelot, totalmente. Não me agrada muito imaginar que teremos uma invasão de personagens saídos de uma feira da idade média, detalhe que não seria tão interessante quanto fazer as malas e tentar encontrar a única pessoa que poderá salvar Emma Dark, aquele que aprisionou pela primeira vez a escuridão do mundo mágico. A própria utilização da Lily me deixou contente, seria muito fácil desprezar a presença da moça, assim como fizeram com a Malévola e tantas outras princesas que poderiam enriquecer mais ainda a experiência do mundo B. De qualquer forma, OUAT construiu uma temporada sólida, com pequenos tropeços. Tropeços que não me afastam da série e que jamais conseguiriam me fazer desistir, o saldo permanece positivo e eu estou morrendo de vontade de saber até onde os roteiristas são capazes de chegar.

PS. Ainda estou esperando pela confirmação de que a última temporada da série será: Once Upon a Time in Sitio do Pica-Pau Amarelo. Cuca Vs. Regina. Henry casado com a Emília. Tia Anastácia e Vovó abrindo uma padaria especializada em bolinhos de chuva. Lily comendo o Marquês de Rabicó assado, com acompanhamento de Visconde de Sabugosa.

PS². O autor criou uma realidade alternativa dentro do livro, mas fora dele, no mundo real, onde o Henry mora, ele estava famoso por ter escrito esse mesmo livro. Se ele criou um mundo “real” falso, como o Henry foi parar lá? E se naquele mundo não existia magia fora dos limites de Storybrooke, como ele conseguiu expandir sua “maldição”? Alguém socorre?

PS³. Quem é o pai da Lily? Teste de DNA em dragão, um quadro que me faria querer assistir o programa do Ratinho. “Você não é o pai” – Dragão queima e devora a audiência.

PS4. Will avulso foi trocado por Rumpelstiltskin empalhado. Poderia ser pior, ela poderia ter visualizado a mensagem no WhatsApp e não ter respondido.

PS5. Henry passou a vida toda sendo ensinado pela Snow, isso quando não estava em Neverland, ou pelas ruas de Storybrooke, fazendo tudo, menos estudar. E agora ele virou o autor. Isso OUTA, que bela mensagem para as crianças.

PS6. No flashback da Tia Sorveteira nós testemunhamos um homem adulto chutando meninas como se elas fossem bolas de futebol, neste pudemos ver o Autor amarrar o Henry em uma carroça e o entregar para um ogro. Por isso que as únicas crianças que aparecem são o Roland, o Henry e o bebê Neal. O resto? Vocês já podem imaginar o final.

PS7. Snow e Charming tocaram o f*da-se total para o filho recém-nascido. Agora até o Will avulso, que ninguém conhece direito, cuida da criança. São pais do ano, ou o que?

PS8. Quanto ao PS anterior, acabei de lembrar que eles contrataram a Zelena para ser babá. O Will tá ótimo.

PS9. O aprendiz teve tempo de fazer tudo, ser possuído, arrastado, gemer bastante, dizer o nome do autor, dizer FAR FAR AWAY FROM HERE, mas não teve tempo de dizer o nome do lugar. Ou eles vão visitar a terra do Shrek, ou esse cara é sacana ao extremo.

PS10. Os efeitos de OUAT nos presentearam com: Ogro muito feio, mas passável. Dragão muito estranho que caiu em um oceano superfalso. E o melhor: Uma fumaça preta gosmenta que se transforma em um furacão.  E o pior é ter a certeza de que aquele foi todo o orçamento do ano para efeitos especiais e quando eu digo do ano, estou me referindo ao próximo.

PS11. Quinta temporada os efeitos serão de massinha, ao melhor estilo stop motion. Ou então vão fazer as atrizes simularem o som da magia com a boca, igual eu fazia quando era criança.

PS12. O autor que escreveu a história da minha vida usou o sangue da Belle como tinta.

PS13. Então quer dizer que existe Tinder para dragões? Marque um encontro casual com o escamoso mais próximo de você e queime essa paixão.

PS14. Já que na próxima temporada teremos o Merlin, poderiam trazer a Fada Bela com seu bordão: Por Merlin!

PS14. Próxima temporada teremos mais do relacionamento de Lily e Emma? Se sim, o livro já está pronto:

PS15. Nos vemos na quinta temporada e dessa vez, sem reclamações sobre a numeração dos episódios, projeto ficha limpa. Um ano difícil para as inimigas. Foi um prazer!

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