JOSHUA PETER LANGMEAD (1981-2001) 

Se você soubesse que poderia morrer a qualquer momento em razão de uma doença, o que você faria? Você choraria em desespero por saber que seus dias estão contados? Você ignoraria esse fato e seguiria em frente em negação? Você se recolheria de seus hábitos para tentar evitar que a bomba relógio explodisse? Ou você chutaria o balde, aceitaria a própria mortalidade e buscaria formas de aproveitar ao máximo os momentos que lhe forem permitidos? Independente da escolha a ser feita e do rumo a ser tomado, enfrentar a certeza de que sua partida desse mundo pode ocorrer em um prazo mais curto do que se imaginava é algo que mexe com as bases de qualquer um. E não poderia ser diferente com Nate Fisher.

A descoberta de sua condição patológica e a urgência em lidar com isso seguem como o foco do início desse segundo ano de Six Feet Under. Out, Out Brief Candle (OOBC) foi o momento em que a série decidiu jogar o primogênito contra a parede. E, para tal, foi fundamental a figura de Joshua Peter: um jovem atleta que morreu cedo demais. Não teve a oportunidade de crescer como pessoa nem como profissional. Apesar da diferença de idade, há um paralelo evidente entre o atleta e Nate. Este corre todos os dias, não fuma cigarro abundante e diariamente como o pai e, mesmo assim, tem uma bomba relógio em seu organismo que pode explodir a qualquer momento.

O que assusta mais o personagem? As possibilidades que serão perdidas, a traição do destino após hábitos saudáveis? Na verdade, é um misto dos dois casos, no entanto o principal em relação a ele é a forma que ele se nega a se deixar desesperar e desabafar sobre o fato com as outras pessoas. Por isso, sua irritação com o aparecimento transbordante em choro e soluços de Joshua. A figura do falecido é a representação de tudo que ele está tentando conter dentro si. Diante disso, a cena em que ele está em frente a Brenda e, em seu subconsciente, coloca tudo para fora atingindo o pranto foi o prenúncio de que ele estava chegando em seu limite.

Todo o plot do personagem no episódio foi elegantemente construído para aquelas duas cenas finais, em que Nate encara Joshua e, consequentemente, a própria mortalidade, e então desabafa com o irmão. Não há palavras suficientes para descrever a força desse momento final, contido, contra a luz e que expõe o desabafo real do primogênito pela primeira vez e a conforto oferecido pelo irmão. Essa cena, aliás, expõe como David é importante para a família e o ex-namorado. Duas pessoas no episódio enfrentaram situações que requeriam apoio emocional (Keith e Nate) e ambas recorreram a David. Ele pode ser duro consigo e com as pessoas em seu redor, mas sua experiência de vida na funerária o tornou especialista quanto a acalentar as dores e o sofrimento alheio.

Apesar de, na season premiere, Brenda ter dito ao parceiro que não queria discutir sua depressão, dessa vez ela conseguiu expressar em palavras, com uma exatidão cortante, a razão de seu estado emocional: “Eu passei minha infância performando para médicos, o resto da minha vida cuidando de um irmão desgovernado, e eu não tenho ideia de quem eu seja”. Diante disso, OOBC adotou uma estrutura narrativa interessante. Até o momento em que ela desabafa, o jantar com Trevor parecia ser algo sem razão. Posterior ao desabafo, no entanto, a reconexão com o ex-namorado se revela uma tentativa dela de encontrar nele algum pedaço quem ela foi ou é, o que não se concretizou.

Vale ressaltar, por outro lado, a forma que o roteiro está buscando tratar melhor a caracterização de Rico e Vanessa. Na primeira temporada, o desenvolvimento deles ficou marginalizado frente a família principal. Por isso, a ideia da compra da casa foi tão brilhante, pois abriu uma gama extensa de possibilidades para o futuro de Frederico, dentro de sua família e quanto a possíveis rixas com os Fishers. A introdução de Ramon e a insinuação em relação à irmã de Vanessa foram as primeiras recompensas dessa escolha do roteiro.

Claire continuou com sua relação trágica com Gabe. A garota entrou em uma missão de resgate quanto ao rapaz desde a temporada passada. Quando todos o consideravam um caso perdido, ela enxergou algo válido por lutar nele. OOBC foi o momento em que ela descobriu que, no fim das contas, as outras pessoas estavam certas. Gabe, antes da morte do irmão, possuía traços condenáveis, no entanto, após o falecimento, ele perdeu o controle sobre si e se deixou levar pelos piores impulsos e pelas piores decisões.

Para contrabalancear a atmosfera pesada dos plots em ação nesse episódio, Ruth serviu como alívio cômico. The Plan foi uma ótima adição a Six Feet Under e o tipo de coisa que a matriarca embarca em suas experiências após a perda do marido. Se, ao saber que o filho era gay, ela foi em busca de um livro que ensinava a lidar com essa situação, imagina a impressão deixada pela reunião, com aqueles depoimentos poderosos de pessoas que superaram o que queriam deixar para trás. E, assim, Ruth se tornou a dona da fala mais épica do episódio: “Eu estou falando ferozmente do EU!”.

Six Feet Under criou um leque de possibilidade rico para o seu segundo ano, expondo uma segurança ímpar e falta de inibição frente a primeira temporada impecável.

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