Afinal, de que planeta será que veio Emily Thorne?
Não sou um dos série maníacos mais entendidos das obras da DC ou da Marvel, mas sou fã absoluto duas de suas histórias especificamente: os X-Men e o Super-Homem (assim, em português mesmo, porque sou das antigas e gosto de valorizar a língua que é o meu ganha-pão). E preciso dizer que, entre quadrinhos, desenhos e longas, nenhum dos heróis que acompanho e dos quais sou fã pode dizer que supera os obstáculos com tanta facilidade quanto nossa querida protagonista de Revenge.
Sério, o Super-Homem tem: visão de raio-X, supervelocidade, sopro congelante, corpo fechado (daí o apelido “homem de aço”) e voa. Mas, ainda assim, é muito mais difícil para ele se desvencilhar dos ataques e planos dos vilões (que, no caso dele, muitas vezes também são pessoas absolutamente normais e sem poderes) do que é para Emily sair por cima dos planos dazinimygas.
Isso porque – mas não só por isso – o Super-Homem tem contra si uma grande fraqueza: a kriptonita, uma pedrinha que é basicamente um pedacinho do planeta de onde ele veio, Krypton. Vejam bem, os criadores dessa mega-obra compreenderam que, ainda que um herói seja tudo isso que é o Super-Homem, todos necessitam de uma fraqueza. A sensação de invencibilidade, de saber que absolutamente nada poderia afetar o Super-Homem, poderia arruinar dramaturgicamente toda a obra. No fim das contas, todo público precisa encontrar identificação. Precisa ver, na tela, nas páginas, ou seja lá onde for, alguém mais forte que si mesmo, é verdade, mas ainda assim alguém que tenha alguma vulnerabilidade. É isso que nos aproxima do que estamos assistindo, que faz com que nos importemos e nos preocupemos com nosso herói.
Quando os roteiristas fazem Emily Thorne afirmar categoricamente “eu não tenho nenhuma fraqueza”, provavelmente acham que estão arrasando. “Uhul, diva, etc”. Mas não estão. De fato, estão cometendo um erro recorrente que eu já venho apontando há anos, e que está finalmente começando a mostrar seus resultados em termos de audiência. Porque nós podemos até ser superficiais e dizer “ah, o problema de Revenge é a Margô”. Mas, se formos realistas e analisarmos a situação mais friamente, veremos que não, não é a Margô.
O problema atual de Revenge é que Emily atingiu o status de personagem completamente inalcançável e inabalável. E, por mais que seja bonitinho e fofinho ver Margô tentar, a gente sabe que enfrentá-la é brincadeira de criança para a protagonista. Não há preocupação, não há identificação e, portanto, não há envolvimento.
Foi essa a principal reflexão que Bait gerou em mim ao seu fim. Ainda que tudo pareça estar contra Emily, nós sabemos que ela sempre se safará sem nenhum arranhão, conseguirá tudo o que quer e provavelmente ainda destruirá (literal ou metaforicamente) uma vida desnecessariamente no meio do caminho. E passamos 22 episódios vendo exatamente a mesma coisa acontecer, semana após semana.
Isso não significa que Bait tenha sido um episódio fraco. Ele foi fraco em algumas frentes, sendo a principal delas o plano de Margô contra Emily. Não por ter sido um plano ruim. Eu gostei de ver Margô entrando no jogo, eu gostei de vê-la inclusive sendo um pouco mais esperta do que eu pensei que seria ao infiltrar uma agente dupla que Nolan pensou ser confiável. Mas a verdade é que eu já sabia como tudo ia terminar – até a parte da pulseirinha apagadora de dados eu previ em algum nível, mesmo sem saber onde exatamente o acessório estaria antes de apagar o computador “inhackeável” de Margô. E, na crise em que se encontra, Revenge não pode se dar ao luxo de ser previsível nesse nível.
A série está com tanta dificuldade de lidar com seu próprio universo e seu próprio leque de personagens que acabou nos propondo uma dança das cadeiras inacreditável: Louise, que era uma psicopata maluca assassina fã e filha adotiva de Victoria, de repente se tornou uma BFF divertida que está ajudando Emily e Nolan. A história com Vicky foi completamente descartada e esquecida sem nenhum pudor ou explicação, e agora Louise está tão avulsa e sem função que o único jeito de aproveitá-la foi incluindo-a nos planos de Nemily (como se eles realmente precisassem de mais alguém para ser invencíveis).
Já seu irmão, que Sunil Nayar JURA que é um personagem digno do nosso tempo e atenção (dica: não é), agora se engraçou para os lados de Victoria. De uma maneira geral, estou bastante insatisfeito com essa união, mas ao menos ela nos deu a cena (esta, sim!) mais linda, maravilhosa e divônica das nossas vidas:

Gente que coisa deliciosa ver Vicky simulando sinceridade e emoção para provar um ponto ao novo amiguinho! É realmente impressionante a capacidade de Madeleine Stowe de se transformar completamente, e eu posso dizer sem medo de errar que foi com esse talento que os roteiristas contaram ao escrever essa cena. Ela não funcionaria para qualquer atriz, e, ao meu ver, foi realmente o ponto mais alto do episódio.
Aliás, antes de entrar de cabeça no arco de Vicky, eu gostaria de salientar algo que eu havia dito há exatamente três anos, na review do episódio 1×15 (Chaos). Segue:
“Vovô Grayson continua insuportável. Morre, peste!” (CRISTINO, Guto)
Eis que estamos aqui, três anos depois, lidando com um episódio centrado na morte e herança do personagem Edward Grayson. Portanto, se você não gostou da review e está louco para descer a página e me xingar nos comentários, pense com carinho na frase que proferi acima, e decida se você quer correr esse risco. Beijos. =D
Voltando a Revenge, vamos combinar uma coisa: alguém aí está caindo na ladainha dessa Natalie Aguada? Por favor, né? Queen Vicky já provou o ponto dela e, se você não acredita, peça para o amiguinho mais próximo te dar uma bela chacoalhada. Vai fazer bem. Tudo envolvendo Natalie é conveniente demais, e eu não acredito nem por um segundo nas supostas boas intenções que a mulher alegou. Sabemos que Vicky não abandonou Edward, sabemos que ela de fato tentou entrar em contato com o sogro nesse meio tempo (e foi impedida por Natalie) e sabemos que ele realmente tinha um enorme apreço por ela quando o vimos lá na primeira temporada. Portanto, essa alienação não foi nada além de uma armação da enfermeira interesseira que se casou de olho na herança.
Ainda duvida? Então vamos pensar também na felicíssima coincidência que foi essa mulher estar lá, no balcãozinho do bar, na mesmíssima hora que David Clarke, famosíssimo ex-namorado da própria Victoria, e ter doado, toda gentil, um barco para o cara. E tratado de ido lá toda faceira pra subir no barco com ele depois, claro. Quem nunca?
Escrevam: Natalie Waters Grayson não apenas honra o sobrenome adquirido como também é mais podre do que toda a família Grayson somada. E, como alguém que já foi nomeado “Grayson honorário” por um querido leitor do SM, preciso dizer que costumo adorar quem tem esse sobrenome – DESDE que a pessoa o abrace e tenha orgulho dele. Não é o caso de Natalie, e é por isso que a desprezo profundamente e já estou irritadíssimo com a entrada dela na série. Como eu já disse antes, Gina Torres já arruinou Angel para mim, não é possível que ela tenha voltado para me assombrar e arruinar Revenge também! SOCORRO!!!
Talvez, porém, a intenção dos roteiristas seja seguir em frente com a redenção de Vicky, fazendo-a estar, desta vez, do lado certo da guerra (ainda que por motivos egoístas e ambiciosos, mas ao menos contra alguém igualmente podre – que, vai saber, pode até estar planejando algo contra os Clarkes). Pode ser interessante, e essa é uma batalha em que torcerei com muito gosto por Victoria Grayson, só pra variar um pouco.
Outra camada deliciosa de Victoria que o roteiro tem explorado muito bem é o quão enigmáticas são as afirmações da diva a Margô. “Querida, estou tão feliz por você ter abandonado sua revenge contra a Emily”… ouvir essas palavras de Vicky é sempre um mistério. Sei que estou indo contra a maré (e, ainda que não seja intencional, adoro ir contra a maré), mas o fato é que quero muito acreditar em Vicky. Mas também adoro enxergar que, no fundo, quando a vilã diz o que diz, está também fazendo questão de lembrar Margô que ela tinha planos de vingança pela frente. Estaria Vicky seguindo a arte da psicologia reversa? Cedo pra dizer, mas qualquer das respostas a essa pergunta apenas nos revela uma Vicky maravilhosa e que merece tudo de bom nesta vida. Hihi.
Bait foi um episódio interessante. Não foi dos melhores de Revenge, é verdade, mas foi minimamente digno. O que espero da série agora, é que a tempestade passe, que o novo cenário que está se armando depois da morte de Malcolm Black se consolide logo e que consigamos ver novamente um pouco mais da inventividade e da criatividade com as quais Revenge já nos presenteou tantas vezes – nesta temporada, inclusive. Dedos cruzados, e até a próxima!
P.S. – Eu não poderia me importar menos com o triângulo Jack-Ems-Ben, mas odeio tanto este último que estou decidido a ser Jack & Emily desde criancinha.
P.P.S. – Conversa de Margô com Ben: BINGO! Mais uma parenta avulsa vem aí. E logo sumirá também.















