Quanto mais creepy, melhor!

Se na semana passada, Helix provou que não tinha compromisso algum com a lógica (leia mais abaixo sobre o desfecho do brilhante plano de Amy), nesta, a série mostra que a sua maior virtude é a crueldade, seguida de perto da imprevisibilidade. Por mais que se saiba que tudo pode acontecer, quando acontece, gera um inevitável sentimento de surpresa. Para os amantes de um roteiro descontínuo, esta temporada tem sido um deleite: nada que começa se conclui e a cada nova cena, um novo recomeço.

A menor das surpresas, para começar, o plano estapafúrdio de Sister Amy (cada vez faz mais sentido o sister antes dos nomes) foi um fracasso total, mas pelo menos descobriu-se que o objetivo era realmente (e tão somente) criar um caos tão grande, que a irmandade não se sentisse mais segura e decidisse evacuar a ilha. Para o azar da sister-caçula, Michael já sabia de tudo – inclusive de suas picardias com Landry – e se mostrou muito mais astuto do que havia demonstrado. O resultado final desta mal sucedida tentativa foram a eliminação completa de todos os figurantes da série e uma nova função para Amy: repovoar a comunidade.

Recomeçar do zero, aliás, não é novidade para Michael, cujos flashbacks mostrados em Cross-Pollination só detalharam o que todos os já sabiam e reafirmaram seu sadismo e narcisismo. No entanto, a grande revelação é que ele, além de tentar criar um herdeiro imortal natural, através da inseminação da sua linhagem de esposas e filhas, ele também compactua com as ideias de controle populacional da Ilaria e está tentando criar seu próprio mecanismo para este fim. Mais uma vez, a série se mostra uma fã incondicional de Utopia (coitada da versão da HBO/David Fincher, que será acusada de plagiar Helix), que também criou um vírus para imunizar a população mundial, pois acreditava que o planeta chegou no seu estado limítrofe.

O que ainda não está bem clara é a relação da Ilaria com Michael. Apesar deste ter se tornado imortal junto com os outros 499, em algum momento ele se separou do grupo e se isolou na sua comunidade e nos seus objetivos egoístas. No entanto, eles chegaram à mesma conclusão, que o melhor seria se a população de humanos fosse extinta e que os imortais tomassem o seu lugar como o seu sucessor natural. Julia, ainda num momento perdido da cronologia (mesmo que as evidências apontem para que ela esteja no “mesmo presente” que os demais, ou seja, no dia 7), decide ir até a ilha, após Madame Durant informar que Michael tem a solução ideal para os problemas morais dos imortais: ao invés de matar os humanos, nada melhor do que simplesmente esterilizá-los e deixar que o tempo os elimine um a um. Julia sorriu e assentiu.

Por fim, deixando a crueldade teórica de lado, o episódio conseguiu fazer com que um futuro pai agredisse, desacordasse e retirasse o feto do útero de uma futura mãe; que uma fiel e devotada esposa fosse injustamente lançada a um covil de ratos; que um pai trancasse sua filha numa caixa repleta de ervas mortais e esta não fosse liberta por um agente da lei e, principalmente, fez com um líder aniquilasse toda a sua família e amigos, até mesmo o inocente menino Luke, numa cena de doer o coração. Quanta tristeza…

Até semana que vem.

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Alexandre Bonfá
Apaixonado por HQ´s há mais de 30 anos, eu me sinto realizado com essa avalanche de séries de Quadrinhos da atualidade. Tá achando pouco? Ano que vem vai ter o dobro!