Destino ou coincidências?

Depois de um episódio ótimo (Bogeyman), Backstrom voltou a sua zona de conforto e apresentou mais do mesmo nesse Ancient Chinese Secret. Com um roteiro que continua privilegiando o sarcasmo do detetive Everett, o episódio da semana baseou-se em um crime envolvendo videntes e Chinatown- uma nova etnia e uma nova crença para serem alvos das piadas prontas do elenco. Não seria apenas uma repetição dos velhos temas?

O episódio iniciou-se com a descoberta do corpo de um vidente chinês em seu local de trabalho. Nesse ponto, vimos uma atuação exagerada de Kristoffer Polaha, a qual corresponde a uma parte importante da composição do seu personagem. Inclusive, Nierdermayer começou a ser mais explorado nesse momento da série. Porém, a escolha do roteiro foi estabelecer um romance improvável entre ele e a personagem de Beatrice Rosen. Ao invés de explorar a questão com sutileza ao longo dos episódios, apenas sugerindo que, em algum momento, esse romance poderia acontecer, o que vimos foram sinais diretos e abruptos. Difícil shippar o casal, já que a química é mínima.

Falando em Paquet (Nadia ou Aurelie), esse episódio também se dedicou a aprofundar sua história, uma vez que, até então, ela era uma das personagens menos desenvolvidas da equipe (junto com Gravely). O seu plot revelou que, na verdade, Paquet faz parte do programa de proteção da polícia, devido a acontecimentos obscuros do seu passado e um homem que a persegue. Embora bem interessante, sinto que o fato não se sustenta por si só, já que seria bem improvável proteger uma pessoa colocando-a em um cargo importante dentro de uma unidade de investigação.

Mas, como sempre há um lado bom em todas as coisas, o desenvolvimento do caso da semana seguiu uma linha inteligente e complexa, envolvendo jogos, lavagem de dinheiro e, é claro, fraude. Porém, os roteiristas da série, apesar da premissa de Backstrom sempre falar o que pensa, mantém uma imparcialidade absoluta sobre todas as questões. Nesse ponto, embora Backstrom seja da opinião absoluta de que todos os videntes sejam fraude, o episódio apresentou o jovem Jimmy como um contraponto: alguém com habilidades provavelmente verdadeiras. Esse personagem, inclusive, gerou o melhor momento e consequência para o episódio. A cena, durante o interrogatório, em que ele expõe quem Backstrom é interiormente- um fracassado bêbado- teve a melhor carga dramática do episódio, em um flashback do que aconteceu na semana interior. São nesses pequenos pontos que o desenvolvimento dramático da série se torna coeso. Infelizmente, não parece que os produtores se preocupem em seguir uma linha bem-desenvolvida, já que, a cada episódio, características bem distintas sobre os personagens são jogadas para o telespectador sem nunca serem agrupadas.

Ao final do episódio, temos uma conclusão do caso da semana previsível. Porém, o que salvou esse episódio de ser facilmente esquecível foi a premonição final encaminhada a Backstrom. Será que o detetive vai morrer? Ou será que a série morre antes?

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