Quando o melhor de dois mundos se fundem.
“Go in peace, go in kindness
Go in love, go in faith
Leave the day, the day behind us
Day is done, go in grace
Let us go into the dark
Not afraid, not alone
Let us hope by some good pleasure
Safely to arrive at home”
Let Her Go coroou Caroline como o fio condutor desta sexta temporada de The Vampire Diaries, e Candice Accola assumiu essa responsabilidade com maestria. Afinal, vejamos: a atual temporada da série dividiu seu arco narrativo em, basicamente, três plots e todos, à primeira vista, promissores, isto é, Bonnie e Damon presos em 10 de maio de 1994, o Clã Gemini e a psicopatia de Kai e o desenrolar do possível romance entre Caroline e Stefan (propositalmente, esqueci-me do sub-plot sobre o drama de Elena e as memórias apagadas). Todos eles, confirmando as expectativas, foram bem desenvolvidos e conseguiram, à sua maneira, prender nossa atenção e nos conduzirem até aqui. No meio do caminho, topamos com o questionamento sobre o câncer ser ou não curado pelo sangue de vampiro e, apesar da ausência completa de respostas e um simples “não cura” enfiado feito uma estaca no nosso discernimento, tivemos Caroline, mais vez, como centro dos acontecimentos, sendo, inclusive, a principal espectadora de suas consequências, sobretudo com a morte de Liz. E, neste episódio, ao contrário do revezamento de tramas que acompanhamos nos últimos quatro episódios, os três plots foram trabalhados e, nitidamente, Caroline assumiu a dianteira dos acontecimentos. “Caroline estava destinada a ser extraordinária”. A sheriff Forbes nunca esteve tão certa.
Seja pelo discurso reverenciador de Damon, ou pela homenagem simbólica, porém intensa, dos parceiros de trabalho de Liz, ou por Caroline entoando Go In Peace como se fossem os últimos versos que recitaria – profundos e afinados, certamente, atingiram os céus e deixaram os anjos encabulados – toda a sequência do funeral de Liz foi tocante e necessária, não só para fundamentarem a decisão de Caroline em desligar seus sentimentos por ter vivido o “pior dia de sua vida”, mas também para que nós, órfãos da personagem na mesma medida, nos despedíssemos.
Despedidas feitas, divagações piegas também, aponto meu dedo julgador para aquele que possui grande parcela de culpa na decisão de Caroline: Stefan. Caroline pediu, enquanto os seus olhos suplicavam, que Stefan apresentasse o roteiro completo do conto de fadas que ela criou em seu imaginário – e foi alimentado por Stefan, algo que a motivasse a percorrer todos os demais dias que viriam depois daquele que ela queria esquecer, que afastasse a solidão da semana seguinte, aquela que Damon suscitou dizendo que não haveria ninguém para ela se apoiar, então ela sonhou, sonhou que Stefan fosse a pessoa que afastaria o mau presságio de Damon, e o que Stefan faz? Pede um tempo, delineando uma incoerência em que o mais autossuficiente indivíduo existente se sentiria abatido, no caso, não correspondido, sendo que há um episódio ele deu o beijo que selaria todo o chove não molha que conduziu a relação dos dois. Não foi um beijo impensado, que aconteceu em um momento de fragilidade dos dois enquanto ela chorava em seu ombro, ou em uma das badaladas festas open-bar de Mystic Falls, já que, apenas nessa temporada, foram quinze episódios trabalhando esse momento, construindo e fazendo-o real, inteligível, barrando qualquer argumento no sentido de “Stefan e Caroline juntos? Oi?”.
Em tempos em que estamos presos aos fatos e cada vez mais alheios à contextualização que os fundamentam, se tivemos paciência para acompanhar a decisão de Stefan, assim como Caroline teve, não faz qualquer sentido ele ter dúvida em relação ao que sente por Caroline. Até então, o que justificava o beijo não acontecer era o respeito que ele tinha por Caroline, já que ele não daria um passo deste tamanho, trazendo esperança ao turbilhão de sentimentos que Caroline já tinha expressado – e que, portanto, ele estava ciente – se não fosse para assumir o envolvimento entre os dois. E os roteiristas não deixaram margem à dúvida: Caroline não desligaria seus sentimentos se Stefan tivesse assumido seus sentimentos naquele momento, sem porém algum, afinal, se ele realmente queria, não haveria motivos para deixar para depois. Eis que ele me vem cheio de certeza após ouvir o canto fúnebre da loira. Bitch please, quem não se apaixonaria naquele momento? E ainda deixou Elena se sentido o último suspiro de ar do pacotinho da Ruffles, por ser a única que ele não teve que pensar duas vezes. Espero que Caroline, ao menos, consiga ter controle sobre seu lado sobrenatural nesse meio tempo, enquanto sua humanidade (leia-se dignidade) tenta sair do poço de incoerências em que ela se afundou.
Falemos agora sobre o único amor verdadeiro desta série: Bon-Bon e Damon! Primeiramente, sim, Bonnie is back! E isso, por si só, já envolve esse reviewer que vos fala em um mar de felicidades, sobretudo por saber que ela já conheceu a futura sogrinha e está, portanto, décadas a frente de Elena na disputa por Damon. Com a aprovação iminente da Sra. Salvatore, não vejo maiores empecilhos para que eles vivam esse amor. Sinto muito, Elena. Não, não sinto nada, desliguei meus sentimentos em relação a você. Enfim, O P.S.3 da semana passada foi um suposto spoiler da minha cabeça, fruto das referências constantes à Lily Salvatore, que, sem muita surpresa, se confirmou. E, apesar de não saber o que esperar dessa trama que surge, já se pode adiantar duas coisas: que Joseph mentiu sobre a morte da esposa e que ela passará, sozinha, maus bocados para sair daquela prisão, pois se depender dos mui amigos, ela terá, estimando por baixo, mais uns 278 dias naquele lugar.
Apesar de não acompanharmos a saga de Bonnie pela pedra filosofal, assistimos o colapso dos prison worlds, sobretudo os situados em 10 de maio de 1994 e 1º de novembro de 1903, o que permitiu que Bon-bon encontrasse Lily. Kai, como atual líder do Clã Gemini (alguém sabe me dizer qual a função do pai dele agora?) é a razão de ser de tais mundos alternativos e, após os primeiros efeitos colaterais do turbilhão de sentimentos adquiridos por Kai na fusão se manifestarem, ele decide, não pela integridade dos mundos, mas pela sua sobrevivência – o que já é um crescimento pessoal para quem quase se sacrificou para levar Jeremy à Bonnie – buscar ajuda médica. Sim, amigos, nada que um Tylenol não resolvesse né? No final das contas, a solução era, mais uma vez, a magia, e Jo decidiu por perder o status bruxa e não perpetuar uma prole de bruxinhos em Mystic Falls, para que a linhagem Gemini se mantivesse. E agora? O que esperar de Kai? Como ele já conseguiu completar a fusão e está inebriado por sentimentos de Luke, que mal ele pode fazer? Ao que parece, o vilão da temporada será um ótimo cunhado para Alaric (recuso-me a acreditar na última frase desse parágrafo!).
Enfim, Let Her Go foi um episódio que se firmou em resoluções criativas, definitivamente, questionáveis: 1. Stefan não precisava ser o estopim da desumanização de Caroline, sobretudo porque a morte de Forbes já seria um motivo plausível para tal; 2. Bonnie saiu da prisão de Kai, mas já temos uma nova protagonista, nada empolgante, para o plot: Lily. Os roteiristas são, definitivamente, a favor da reciclagem; 3. Kai apresentou-se como mera justificativa para os imbróglios enfrentados por Bonnie no mundo-prisão, sem qualquer perspectiva de enredo próprio. De qualquer modo, Bonnie está de volta para dar aquela força para Caroline que, merecidamente, permanecerá sendo a força motriz da temporada.
P.S.1: É difícil assumir que sua série favorita já não possui mais histórias para os protagonistas?
P.S.2: “Esta é a última chamada para Forbes.”















