Em Elementary, as coisas voltaram a ser como eram há muito tempo, Sherlock e Watson contra o mundo.
Podemos dizer que esse renascimento do seriado, se assim podemos chamar, podia ter sido pautado em circunstâncias diversas, não foi, então o mínimo que os redatores poderiam fazer seria nos apresentar um caso interessante. O que também não aconteceu. O que vimos foi um episódio onde tudo foi colocado de forma a ressaltar o quanto Sherlock e Watson precisam um do outro. Assistimos, nos poucos mais de quarenta minutos de show, uma retrospectiva das situações que nos mostraram nas primeiras duas temporadas e meia, e isso me desagrada, será que não existem novas situações para serem desenvolvidas?
Achei o caso semanal muito fraco, nem a criatividade costumeira do show esteve presente essa semana. Imaginar que alguém gastaria uma grande soma de dinheiro para adquirir débitos que podem nunca vir a ser quitados, pela simples possibilidade de algum lucro, parece loucura. Não digo que não possa acontecer, mas soa forçado. Pior ainda é imaginar que isso possa se desdobrar em um assassinato. É impossível? Não, não é, mas é improvável, ainda que o investidor tivesse perdido dinheiro, deveria existir algum contrato assinado no ato do empréstimo, e que poderia ser usado em uma possível querela. Mas é ainda mais difícil imaginar que a pessoa que gastou este dinheiro em busca de um possível retorno financeiro simplesmente decida perdoar uma dívida.
Como falei no início, esse episódio serviu apenas para assentar o terreno, para que as peças fossem reposicionadas após os acontecimentos do último arco, e para que nós telespectadores nos acostumássemos com a falta de iniciativa do show. Aquilo que aconteceu muito nas duas primeiras temporadas não vem acontecendo nessa atual. Falta ambição, falta audácia, Elementary nunca foi um show fantástico, mas também não era relapso como está sendo. Cadê as mentes que transformaram Irene e Moriarty em uma única pessoa? Ou que nos surpreenderam com Mycroft na segunda temporada?
Não fosse pelos acontecimentos finais do episódio, este poderia muito bem não ter existido. Demorou, mas finalmente o namorado de Watson serviu para algo, ao que tudo indica ele morreu, e a meu ver já foi tarde, agora resta a Watson e certamente a Sherlock identificarem o culpado e dessa vez, espero com um melhor aproveitamento do departamento policial e do capitão Gregson, juntamente com o detetive Bell.
No fim podemos dizer que o show ao menos continua a trabalhar com pequenos arcos, e isso pode significar melhoras futuras, e apesar das críticas, torço para que esse retorno as origens do seriado sirva para que os responsáveis por ele comecem a demonstrar mais consistência, e que acertem as inconsistências para nos mostrarem aquilo que tanto esperamos.
















