Togetherness esbanjou segurança e maturidade em seu terceiro episódio.

Momentos de crise na vida de uma pessoa são uma verdadeira faca de dois gumes. Você pode ir em busca de novas experiências, acabar negando sua própria personalidade e visões de mundo. Ou, no anseio por explorar nossas possibilidades, é possível acabar finalmente se encontrando. E essa é a beleza de Insanity, que, agregando ou separando os personagens, demonstrou um avanço no desenvolvimento dos mesmos que intimidaria vários dramas, que chegam a levar uma temporada inteira para adquirir tamanha segurança no desenrolar da história. Mas não foi um episódio somente de avanços, tivemos uma constante, que perdura desde o piloto e que todos deveriam celebrar: o destaque absoluto de Alex e Tina, ou, para os íntimos, Tinex.

Antes de falar da dupla dinâmica, no entanto, é necessário ressaltar a noite livre de Michelle. Existe uma doçura na simplicidade dos desejos da dona de casa que é cativante e aproxima o público dela de forma muito mais eficiente do que com Brett. Com a chegada da babá, ela tinha duas opções: encontrar o resto da trupe na première ou ficar em casa e assistir filme. Ela optou por uma terceira via: ter uma noite para si. E a demonstração clara de que faz tempo que ela não tem gastado tempo com ela mesmo é a roupa sexualizada que ela escolhe. Mas o roteiro não quer cair no óbvio e mostrar assédio ou perigos por andar assim. Na verdade, o foco ficou na resposta dela, a cada momento que ela experimentava. Sua conversa com o barman foi ideal por mostrar que ela queria explorar, mas não flertar soltamente, ficando mais interessada no drink que no rapaz. Tudo muda quando ela encontra David Garcia, com seu discurso sobre educação e a sensatez sobre seus anseios para seus filhos e a comunidade, sendo um indivíduo com o qual ela pode conversar sobre suas próprias ideias e ainda motivá-la a um projeto que a distancie da vida exclusiva de dona de casa. Diante disso, sua possível atração por David surge natural e compreensível. Não a julgamos, entendemos Michelle.

Por outro lado, Brett lidava com a première do projeto que ele esteve envolvido na semana passada. Eu me acostumei tanto ao jeito Girls de ser de levantar possibilidades e esquecê-las no episódio seguinte que retirei do texto da semana passada esse tema, mas, como, para meu completo prazer, eles seguiram com o mesmo, vale abordá-lo. E há uma curiosidade em relação a esse plot: ele não foi aprofundado como o dos outros personagens. Não vimos um desenvolvimento tão forte por parte do Sr Pierson, mas conhecemos, cada vez mais, sobre suas insatisfações e a forma deslocada que ele se encaixa em sua profissão. Brett é perfeccionista. Sua busca pelo som realista do coiote e seu deslumbramento com o som do pássaro na frente do ambiente em que ocorria a première foram provas disso. No entanto, o diretor do projeto ignora e resiste a seu trabalho por vontades mais comerciais. E, em Insanity, ficou cimentado o fato de que ele precisa buscar novos ares. Ele sabe quais os rumos que ele poderia seguir? Provavelmente ainda não, sequer deve ter constatado para si sua insatisfação, mas fica a abertura para o tratamento desse tema no resto da temporada. Quanto a isso resta ainda destacar a forma orgânica que a série trabalhou a indústria do entretenimento: sem se esforçar demais, sem incomodar, mas deixando para o público o questionamento sobre qual dos lados nós abraçamos – o do realismo ou o popular.

Tinex brilhou o episódio inteiro, dando partida em Insanity com os exercícios físicos fracassados. MELDELS, como Steve Zissis é habilidoso com o humor físico. Sem soar forçado, toda sua epopeia para terminar os exercícios foi hilária por trazer trejeitos bem comuns de quem está esgota fisicamente. Tina continuou com sua missão de moldar Alex para alçar mais alto em sua carreira e não desistir de tudo. Seu interesse é genuíno. Sua motivação para tal ainda não é clara: talvez ela queira um projeto para ocupar sua mente preocupada com relacionamentos fracassados ou somente queira ajudar um amigo. O que importa é que a dinâmica e química de Amanda Peet e Zissis aumenta a cada semana e é delicioso acompanhar isso. Mas o auge do plot dos dois foi, sem dúvidas, a perseguição ao produtor Larry Kazinsky, que, de início, seria substrato puro para o humor (afinal, como não rir das tentativas bizarras de aproximação de Alex), mas, no momento que em que o ator engata conversa com o produtor e conquista-o com sua personalidade natural e cativante, o olhar de Peet denuncia o sentimento crescente em ambos. E o nó de gravata seguido da decepção por Tina se aproximando de Larry, juntos dos olhares e as expressões tristes de Zissis e Peet foram belíssimos por provar que existe algo mútuo entre ambos e o melhor: foi algo natural. Duas pessoas em crise que encontraram companhia uma na outra, apesar de representarem padrões destoantes das expectativas que ambos têm para relacionamento.

Togetherness exibiu maturidade em seu terceiro episódio, cativou ainda mais o público e só tenho a dizer que foi mais que merecida a renovação da série.

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