As consequências de uma vingança mal planejada.

Ao mesmo tempo que Job e Sugar planejam tão minuciosamente o grande roubo contra a área militar, Nola imagina-se uma guerreira imortal capaz de facilmente vingar o assassinato de seu irmão. Enquanto a gangue de Hood rouba identidades e constrói um plano bastante consistente para evitar surpresas desagradáveis, Nola age impulsivamente e de forma solitária, buscando acabar com Proctor. O problema é que sempre à frente de Kai está Burton, o homem disposto a morrer para proteger seu chefe. Essa semana, Banshee, que sempre foi uma série com capacidade indiscutível de criar cenas de ação, subiu mais um degrau rumo ao reconhecimento que tanto merece. A sequência da briga entre Nola e Burton é um exemplo de como a direção para televisão é importante para sua narrativa. Rápida, móvel e com um trabalho de câmera que chega a beirar o sobrenatural, a sequência que termina no assassinato de Nola é explosiva, deixando o espectador sem ar ao seu final, para encerrar com um plano longo que mostra Nola morta e Burton ao seu lado. Os flashbacks de Nola durante a luta mostram Chayton dizendo que a personagem já está morta ainda que aparentemente viva, e isso não poderia ser mais verdade.

Com a morte de Alex Longshadow e com Nola não concordando com a maneira de liderar de Chayton, Banshee infelizmente já não parecia saber o que fazer com a personagem. Sua característica de loba solitária não abriria espaço para que se aliasse a alguém. A única coisa que permeava seu psicológico era a busca pela vingança, e se nem isso conseguisse, a morte seria uma opção melhor. Nola apareceu subitamente em Banshee, e também se foi da mesma maneira. A personagem é apenas mais um efeito colateral das diversas guerras e conflitos entre os personagens de Banshee, e estes não sentirão sua falta. Por outro lado, Nola parecia ser uma personagem querida pelos espectadores, e para nós, deixará saudade. Sua luta acaba aqui, Nola Longshadow.

Ainda que um episódio muito importante pelos acontecimentos citados acima, A Fixer of Sorts, em seus cinquenta minutos, também possui espaço para colocar Hood em mais uma situação desvantajosa. Deve-se notar também como Banshee é capaz de criar personagens interessantes e extremamente peculiares o tempo todo. O homem tão gordo que precisa viajar de caminhão para ter algum conforto e que sequestra Hood é um bom exemplo. Cheio de neuroses e complexidades, e ainda assim, aparece e desaparece em apenas um episódio. Isso mostra que Banshee se importa com sua construção de um universo cheio de pessoas de características diferentes, e que se um personagem vai aparecer por apenas um episódio, mesmo assim precisa ser interessante o suficiente para agradar o espectador. Banshee não cria personagens aleatório e de baixo apelo, simplesmente por saber que não ficarão por muito tempo na série.

Sem a presença de Carrie e Gordon, com apenas alguns momentos de Job e Sugar, e Deva aparecendo apenas em flashbacks, Banshee reservou o final de A Fixer of Sorts para uma grande descoberta que poderia facilmente ser um cliffhanger de final de temporada, mas que já aparece no terceiro episódio. Siobhan descobre toda a verdade sobre Hood, em decorrência de uma “garantia” do agente do FBI (interpretado por Denis O’Hare) que investiga por simples curiosidade as aventuras de Hood. Se até agora vimos um casal propenso a algo maior, com uma “química” aceitável, agora os dilemas morais assombrarão Siobhan. Será que Hood conseguirá convencer a namorada a guardar seu segredo? Ou precisará tomar atitudes drásticas?

Outras observações:

A guerra entre Proctor e Chayton já começou, com direito a muito tiro. Além de perdas para o lado dos nativos. A morte do irmão de Chayton despertará mais sua raiva? Ou é apenas um fardo a menos para carregar?

A mãe de Proctor segue sendo uma incógnita narrativa. Nada justifica sua aparição, a não ser uma tentativa bizarra (e frustrada) de tentar humanizar o grande vilão da série.

Tantos arcos, tantos personagens. Isso começa a cansar um pouco.

Toma um vídeo que a emissora fez para relembrar os melhores momentos desse episódio sanguinário:

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