Ser humilhado em público é a mais cruel das punições”

Alguns afirmam que a morte é a maior das punições, o pior castigo. Eu não concordo. Morrer pode significar a saída, o alívio tão esperado de um longo sofrimento. Sem dúvida nenhuma, retirar de um homem aquilo que lhe é mais importante pode ser considerado a mais cruel das punições. As prioridades podem variar… dinheiro, liberdade, saúde, família… A perda de qualquer uma destas pode ser mais doloroso do que a dor física, sentida na própria pele. Para outros, perder a liderança, ou o “status” de celebridade pode ser mais doloroso do que a própria morte. O poder, como qualquer outra coisa na vida, é temporário. Mas muitos não se dão conta que esse é um ciclo que também chega ao seu fim.

A autoridade inquestionável de Kareem Said conduziu sua liderança para um caminho perigoso. Sua posição de celebridade e seu status de intocável o fizeram passar por cima de sua fé. O Ministro humano passou a tomar decisões pessoais, baseadas apenas em seu ponto de vista, desconsiderando os ensinamentos do Alcorão, desconsiderando a vontade de seu Deus Supremo, Alá. Said definitivamente foi vencido pelo grande peso que carrega em suas costas, pela sua constante batalha interna. Ser ao mesmo tempo: Negro, Muçulmano, Homem, Advogado, Líder e Exemplo… foi um fardo grande demais, até para Kareem Said. Os benefícios proporcionados pelo poder o confundiram, se tornaram mais importantes do que os princípios que ele sempre defendeu.

A aproximação amorosa com uma mulher branca, sob o pretexto de orientação espiritual, foi só o começo. Permitir que Beecher, um homem branco, de origem cristã, participasse da reunião religiosa dos Muçulmanos ultrapassou o limite do aceitável. Tobias de fato precisa de orientação espiritual, uma vez que está arrependido por ter participado da morte de Andrew Schillinger. Mas aquele não é o local correto, aquelas não são as pessoas apropriadas. Said novamente se colocou acima de sua fé, delegando a si mesmo o poder e autoridade para decidir entre certo e o errado. As consequências de seus atos, enfim, aconteceram, ainda que tardiamente. Após muitos avisos, sempre ignorados por Kareem, Hamid Khan se proclama o novo líder dos Muçulmanos, com 100% de apoio, um líder acima de qualquer repreensão. Said abusou de seu poder, poder esse que ele tanto prezava, e agora terá que lidar com a pior das humilhações que poderia lhe ser imputada: ser tratado como um homem comum.

De maneira mais ampla, OZ é a própria punição. Mas não é a única. Os motivos das punições irão variar, mas elas, invariavelmente continuarão acontecendo. E caminhar por uma estrada perigosa pode antecipar esse processo. Alguns não se dão conta disso, e tarde demais descobrem que já estão num beco sem saída. E no momento, uma das estrada mais perigosas que podem ser percorridas em OZ é aquela que tem pelo caminho Ryan O’Reily. E é bem provável que a linha chegada nunca seja atingida. A prisão perpétua para o homem de Deus, William Cudney, não foi a única punição que ele teve que enfrentar. Fazer negócios com O’Reily o levou diretamente para um beco sem saída, tentar desfazer a parceria o levou a morte. Roubar medicamentos, parar de roubar medicamentos, aconselhar Cyril a parar de lutar, informar ao diretor que O’Reily está interferindo nas lutas da torneio de boxe mostram que o homem de Deus não é um homem de inteligência. Agora será lembrado como um homem morto. O novo prisioneiro, Yuri Kosygin, utiliza toda sua experiência soviética para abrir buracos no pescoço de Cudney sem levantar suspeitas. Problema resolvido, punição aplicada.

Sob o pretexto que criou para enganar a si próprio, Ryan continua protegendo Cyril no torneio de boxe. O dinheiro das apostas é só um efeito colateral, certo? Sem conseguir a medicação de Cudney, O’Reily usa drogas convencionais para dopar Pancamo e garantir mais uma vitória improvável para os Irlandeses. Na quinta luta do torneio, Cyril nocauteia Pancamo, deixando toda a plateia em êxtase. A arte de manipular de O’Reily beira a perfeição. Não bastasse prejudicar os Mafiosos, Ryan ainda os utiliza para conduzir Yuri Kosygin ao corredor da morte por matar Nikolai Stanislofsky. Todos os elos que poderiam incriminá-lo foram eliminados. É claro que ficar de costas gritando por ajuda com um terrível assassino atrás de você não é a melhor forma de se proteger, certo Nikolai? Mas tudo bem, pelo fama imputada à Kosygin, ele não conseguiria algo melhor mesmo. Vodca russa para brindar mais uma vitória.

Mas é claro que as coisas nem sempre darão sempre certo, até mesmo para O’Reily. A sociedade entre Negros, Italianos e Latinos controla o tráfico de drogas na prisão e não permite concorrência. Ainda esvaziando os bolsos, após ser pressionado, Ryan já pensava numa forma de devolver o prejuízo à El Cid. Com um “timing” perfeito, o guarda Sean Murphy é avisado que os Latinos estão portando drogas, e o flagrante é concretizado. O detalhe é que Miguel Alvarez, que parecia finalmente estar em paz com seu grupo, é o único a escapar da batida, e enquanto ele sai ileso de qualquer acusação, os outros 3 responderão pelo tráfico e irão para a solitária. Lá, terão muito tempo para pensar que Miguel é o único que se livrou. É claro que ele foi muito esperto, mas alguém duvida de que novamente a ira de “El Norte” se voltará contra ele?

Enquanto isso, as sessões de terapia de Sister Pete com Chris Keller nos revelam mais detalhes sobre ambos. Os sentimentos da psicóloga ficam muito mais expostos do que o do paciente. Ela parece imersa, encantada com o charme de Keller, e todos os “prazeres da vida” que ela deixou de lado ao se tornar freira vêm a tona, causando um sentimento de perda, de falta. Chris insiste em relembrá-la desse período, e a julgar o que fez com Beecher, sua única intenção é confundi-la. Ele não tem qualquer interesse nela. Seu objetivo é fazer que ela questione sua fé, seus atuais princípios. E ele se mostra um mestre nesse arte. Mas é claro que as sessões também nos permitiram entender melhor quem é Chris Keller. E fica cada vez mais claro que se relacionar com ele também pode ser considerado caminhar por uma estrada perigosa. O romantismo e a paixão que Keller desperta nas pessoas é uma grande punição. Beecher já sentiu isso na pele, ou melhor, nos ossos. Mas o que faz Keller continuar respirando é seu desejo de ser amado pelas pessoas que ele já destruiu anteriormente. Essa é sua essência, e ele parece ser muito capaz em conseguir isso. Beecher ainda está reticente, não permitindo uma aproximação maior, mas a insistência de Keller deve ter resultado em algum momento.

Punições… nós gostamos delas, certo? Desde que não sejam conosco… Muitas ainda estão por vir em OZ. Nappa pretende lançar uma biografia e está disposto a citar crimes cometidos e nomes dos envolvidos. Os Italianos devem ter ficado muito felizes com a notícia. E Adebisi parece ter um ousado plano para que Emerald City seja comandada por um Negro. Pior para Kenny, que será usado nesse projeto. Ter sido poupado do banho de sopa quente que seus companheiros tiveram pode ser considerado uma vantagem? Provavelmente não, Adebisi deve se superar e a pior punição ainda deve estar por vir. E poderia existir pior castigo para Clayton Hughes do que saber que Leo Glynn,o melhor amigo de seu pai, na realidade foi quem o matou? Será?

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