
Um minuto de silêncio em respeito dos acontecimentos desse episódio, e mais importante, para podermos nos acalmar.
Spoilers abaixo!
O que foi isso? Sério, o que foi isso? Não costumo perguntar isso após ver um episódio de Lost pois confio até demais na série e em seus planos, mas após ver The Candidate acho muito difícil qualquer um, odiando essa temporada ou a amando, não ficar impressionado com o fato de que a essa altura do campeonato, a série ia mergulhar de cabeça no seu lado sombrio e matar quatro personagens em menos de cinco minutos. Claro, desde quando foi anunciado o fim da série durante a terceira temporada nós sabíamos que mortes seriam (e já eram) algo inevitável, mas a crueldade com a qual eles deram cabo a essas quatro pessoas foi brilhante, foi um soco no coração dos fãs e mais importante, o ato que iniciou a batalha final entre MIB e os sobreviventes pela ilha e por suas vidas.
Jin. Sun. Sayid. Lapidus. Quatro pessoas que durante toda a série tiveram certo destaque, agora são passado. Vítimas de algo ao qual eles nunca quiseram participar, cada um deles se tornou lembrança de uma maneira especial, e que de certo modo, deixa as suas essências – que talvez estivessem escondidas por quase toda a série – escancaradas. Sayid não se livrará de pagar os seus pecados pelo ato heróico, mas pelo menos provou que não é de todo malvado e as circunstâncias foram um grande peso para o zumbi que ele se tornou, literalmente e figurativamente. Sun e Jin, de mãos dadas, unidos e separados pela ilha, deixando a pobre Ji Yeon órfã e como a prova viva de que tudo aquilo foi uma forma de colocá-los juntos. E por fim, Lapidus. Ainda não sabemos bem o seu destino, mas tudo indica que foi o pior, e se o foi, não deixou muito a desejar. Soltou uma palavra de efeito como de costume e pronto, só nos deixando meio chateados pelo seu personagem não ter sido muito aproveitado pela série.
Mas tudo bem. Admito que muitas vezes durante essa temporada Lost me frustrou. Alguns episódios ruins, lentidão, dúvidas que estavam ali meramente por manterem os fãs teorizando, e no fim, como não é surpresa, ela quebra a todos nós e mostra porque é tão boa, porque todos falam de Lost, e fogem dos spoilers, e procuram os spoilers, e criam teorias, revistas, sites… E a resposta, a maior de toda a série, é que o porquê de tudo são os personagens. São as histórias deles que moveram a trama mitológica e criaram tamanha devoção. Desafio uma pessoa que tenha em um momento sequer curtido a série não sentir um pequeno aperto no coração durante a segunda meia hora do episódio, pois aquilo é drama atingindo o seu potencial completo. E não estou puxando o saco dos roteiristas ou coisa do tipo, estou apenas reconhecendo a habilidade deles em fazer o que fazem e serem os melhores nisso, com a ajuda da nada menos que perfeita trilha sonora do mestre e vencedor do Oscar, Michael Giacchino.
Com tanta coisa rolando, tantos choques emocionais chegando e a ficha só caindo aos poucos, deixei pra falar de todo o resto no final. Os flashsideways foram um bom recurso para quebrar a ação que se desenrolava na ilha e desvendaram alguns dos mistérios dessa realidade alternativa, com Locke sendo o responsável pela sua própria perdição (oh, a ironia) e a de seu pai. Jack foi Jack e tentou consertar as coisas da melhorar maneira que pode, tanto com o paciente acidental acima, quanto com a nova irmã. Também reforçou a minha teoria de que haverá um ponto nesse lado da história onde os personagens, após inevitáveis e cada vez mais frequentes encontros no hospital, irão ter que fazer uma escolha que será iluminada por Desmond entre as duas realidades.
Já na ilha, os eventos que levaram as cenas finais e todas as mortes foram tão bons quanto às próprias. MIB manipulando Jack, levando todos ao submarino, conseguindo que Sawyer armasse para ele não entrar ali no último segundo, poupando a vida da Claire pois sua morte não era necessária… Tudo como um plano de mestre, só revelado horas antes de o grande final começar, e ele, baseado em The Candidate, será a redenção de Lost por todos os pequenos erros no decorrer da jornada.
“Trust me. You don’t want to be on that sub.”
Outras observações:
– Tenho um sentimento de que ainda teremos muitas mortes nesse final, talvez até chegarmos ao ponto de só três ou quatro protagonistas sobreviverem. Não é um pensamento muito confortante, eu sei.
– A cena no submarino e tensão “Quem morre e quem sobrevive?” foi tão grande que era impossível naquele momento sentir o peso da situação, que só veio minutos depois com o Hurley desabando na praia após aquela sequencia que pra mim é a mais emocionante da série e uma de suas melhores.
– Gostei de ver que o egoísmo do Jack em muitas partes desse ano foi só uma fase. Ele ainda quer o bem daquelas pessoas, mas aceitou os seus deveres com a ilha e um acabou cruzando o outro em certos momentos e causando a impressão errada. Uma ótima Emmy tape pro Matthew Fox por sinal, ele foi tudo que aquela trama precisava e mais um pouco.
– Matar personagens só pelo choque não faz sentido, mesmo em uma temporada final é preciso haver relação com o arco geral e individual de cada um. Por isso, fico de certa maneira feliz com essas mortes pois elas serviram um propósito e colocaram a história em um bom caminho, identificando o MIB como um vilão que não poupará esforços para destruir todas as pessoas cujos nomes ainda não haviam sido riscados.
– Ainda assim, é preciso reconhecer que as histórias desses personagens e suas resoluções tiveram algumas falhas. Jin deveria ter se salvado pelo bem de Ji Yeon e Sun deveria ter lembrado ele disso (embora é injusto julgar a situação racionalmente), Sayid ter sido ressuscitado no templo e a sua doença eram enigmas que há alguns episódios atrás pareciam grandes e provavelmente não darão em nada, porém, foi um preço aceitável que a série teve que pagar para executar um episódio tão bom quanto esse.















