Essa terceira temporada de Elementary vem optando pela segurança narrativa, casos criativos e com suas típicas reviravoltas, algumas confesso de deixar qualquer telespectador no vácuo narrativo.

Um ponto positivo para essa terceira temporada foi à adição da nova protegida de Sherlock. Funcionou melhor no início, e agora já começa a cansar toda essa repetição exaustiva do processo formador de um detetive, pois já vivenciamos com Watson. Entretanto, não se pode negar que ela trouxe uma dinâmica nova à série.

Se por um lado a segurança narrativa pode representar estabilidade, crescimento e amadurecimento para personagens como nossos queridos detetives, por outro, pode fazer muito mal, e Elementary ainda não apresentou o fio condutor desta temporada.  Já estamos praticamente no meio, e nada pra chacoalhar o esqueleto aconteceu até o momento na série. Na primeira temporada, Moriarty já começava a assombrar nosso querido amigo Holmes, e na segunda seu irmão já se aventurava por aquelas terras.

Claro que os roteiristas podem literalmente rir na nossa cara e cantarem o tema da vitória mostrando que tudo sempre esteve ali, e que bastava um olhar mais aguçado para identificarmos. Podem colocar Kitty ou o namorado da Watson que até o momento não apresentou grande função na série como os grandes vilões da temporada. Seria válido, mas para mim até o momento, Elementary tem oferecido pouco para uma série que trabalha com o universo de Sherlock Holmes.

Contrariando tudo que falei sobre a temporada até o momento, Elementary retorna com um episódio focado em Sherlock e nos faz ver um pouco melhor a forma com a qual ele lida com a sua luta contra o vício das drogas. E quando o foco é Holmes, Jonny Lee Miller arrasa e deixa o episódio muito mais agradável.

A trama se inicia com um bate-papo entre Sherlock e seu padrinho, Alfredo. Este dizia ao detetive que não consegue burlar um sistema de segurança e o questiona por furar as reuniões do programa de sobriedade, quando uma ex-colega de serviço de Watson aparece em seu apartamento com um caso de desaparecimento.

Alfredo, um personagem que apareceu com uma boa frequência na segunda temporada, até o momento não tinha dado as caras. Acho importante seu reaparecimento principalmente porque quando ele esta em cena é sinal que os roteiristas querem frisar algum elemento novo no show. Às vezes esse novo elemento pode ser algum desafio para Sherlock ou nos mostrar algo pertinente à vida pessoal de nosso detetive.

Seguindo a dinâmica do programa, logo o desaparecimento se torna assassinato e os detetives se juntam para caçar o culpado.  Acho que às vezes poderíamos ter casos semanais diversos, como roubos a banco, sequestros ou terrorismo. A gama de temas que existem é gigantesca e limitar a série a apenas assassinatos, na verdade é também limitar o potencial da produção.

O caso que aparentemente apresenta um simples homicídio, logo se mostra mais complexo e somos levados a acreditar que existe um grupo bioquímico por trás de testes com uma nova substância chamada E-Zed-M. Considero interessante a ideia da substância, mas acredito que seu potencial foi subestimado pelo roteiro, uma vez que eles citam apenas usos mais genéricos da mesma. Algo desse calibre pode e deve ser usado para um propósito maior e com muita cautela.

Se existe uma coisa que essa série faz muito bem é a forma com que nos induz a pensar uma coisa para depois nos mostrar outra. Talvez apenas Castle consiga algo semelhante na TV americana atualmente.  E quando finalmente Sherlock e a polícia tem um homem em custódia, descobrem que ele foi quem criou a droga, mas não é quem arquitetou e financiou o plano. Sherlock novamente muda de perspectiva e logo somos direcionados a outro local. Nele vemos um senhor de idade já moribundo que tem como único objetivo aliviar seu sofrimento pré-morte e que o faz com a ajuda de um profissional competente, vitimas desesperadas por dinheiro e é claro seu dinheiro.

Seguindo ideia de que o composto químico não foi bem aproveitado pelo roteiro, acredito que a mente responsável pela trama poderia ser alguém mais capaz, com um objetivo maior e com futuros desdobramentos para a série; o desenvolvimento de um futuro vilão ou um arco composto por dois ou três episódios.

No fim Elementary voltou com um bom episódio, trabalhando com os temores do nosso detetive em relação a sua sobriedade, desenvolvendo a questão durante a investigação e não deixando essa parte confinada a uns minutos no início e no fim do episódio. Gostei também da sinceridade de Sherlock para com Watson durante a conversa entre eles e também adorei a forma como os detetives interagiram nesse episódio, acredito que a química deles trabalhando juntos só tende a melhorar o sabor da série.

P.S Não gosto de Crepúsculo, mas gostei da forma como o livro foi mencionado.

P.S2 Poderiam usar o Alfredo mais frequentemente, gosto da mecânica dele com o Sherlock. O personagem não deveria ser usado apenas como um gatilho para introduzir plots referentes à sobriedade de Sherlock.

P.S3 Curtiram Sherlock e Watson supervisionando o arrombamento de Kitty?

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