Em OZ, a expectativa é sempre a melhor parte”

A primeira tarefa diária da maioria das pessoas é abrir sua caixa de correio. Muitos recolhem seu jornal antes mesmo de escovar os dentes. É assim no mundo inteiro, independente da cultura que estejamos inseridos. Ao ter em mãos nossas correspondências, ainda lacradas, invariavelmente imaginamos seu conteúdo… é algo automático. A expectativa de receber aquele tão esperado pacote chega a superar a emoção de ter em mãos aquilo que era tão desejado. Ao abrir, muitas vezes ficamos frustrados com um belo envelope que contém uma irritante propaganda política, ou apenas mais um cardápio de pizza. Mas hora ou outra, aquela tão esperada carta chega, mudando nosso dia, ou até mesmo nossa vida. Para os prisioneiros em OZ, no entanto, a expectativa é sempre a melhor parte. Ou porque não dizer a única parte, visto que a carta trazendo boas notícias pode nunca chegar.

A expectativa de Schillinger em criar seus filhos sob os conceitos da supremacia Ariana já havia sido frustrada anteriormente. Os garotos estavam sumidos, entregues ao vício. E como num encontro familiar de fim de ano, Vern e Andrew voltaram a ficar juntos, agora presos na mesma penitenciária. Porém os anos de ausência do pai criaram um jovem Nazista perturbado, que passa a questionar aquela essência que aprendeu quando criança. A Irmandade Ariana não significa mais nada para ele, as drogas são o novo conceito. Junto a isso, inúmeros inimigos pretendem usar Andrew para atingir Vern. O treino de wrestling na academia já anunciava a vingança que estava por vir. O tão aguardado “Natal” se tornou um pesadelo, e o tão esperado reencontro com seu filho será sempre lembrado como uma das piores ceias. Andrew não é mais a mesma pessoa, e a discussão no refeitório deixou claro para o Alemão que aquele não era o filho que ele criou. Ter o mesmo sangue não era o suficiente para estar a altura de pertencer a Fraternidade.

A minha primeira crítica desde o começo das reviews é exatamente nesse contexto. Não que tudo tenha acontecido perfeitamente, mas eu, como um grande fã, fui capaz de relevar quaisquer deslizes que não trouxeram maiores consequências até então. Após finalizada a participação de Andrew, não posso deixar de concluir que ela tenha sido muito mal explorada. Os criadores tinham em mãos um personagem fantástico a ser desenvolvido. Apenas o personagem, pois a atuação de Fred Koehler também me decepcionou muito. Sua morte acontece de maneira muito precoce, tendo participado de apenas 2 episódios após ser apresentado. Não para de passar pela minha cabeça como poderíamos ter conhecido melhor Andrew, como ele poderia ter interagido com outros personagens, como Schillinger poderia insistir em torná-lo membro da Irmandade, enfim, muitas opções desperdiçadas. Mas já que o roteiro foi esse, não posso deixar de elogiar a forma como sua morte aconteceu. Embora Schillinger considere seu filho um desertor, ele pretende “salvá-lo” de seus inimigos. Esse falso altruísmo tem o único objetivo não permitir a vingança de seus inimigos. Independente disso, uma vez que seu filho irá morrer de qualquer forma, que morra por suas mãos, uma espécie de eutanásia. A carta que Schillinger esperava chegou, mas a expectativa por ela foi muito melhor do que abri-la.

Kareem Said é outro exemplo de como a expectativa pode superar o clímax. Aguardar a visita de Tricia Ross e apenas poder imaginar seus sentimentos por ela certamente fará o seu dia melhor. Mas é só isso, apenas a expectativa. Pois ele sabe que, por inúmeros motivos, ambos não poderão compartilhar seus sentimentos. Arif e Khan dão um ultimato a Said, e com os telefonemas ameaçadores a Tricia, deixam claro que se não tiverem seu líder de volta, escolherão outro.

Chegamos agora na minha parte preferida da temporada, o campeonato de boxe. Na quarta luta do torneio, Hamid Khan nocauteia Wangler. A vantagem era tão visível que Ryan sequer se deu o trabalho de dopar Kenny. Eu sempre torço para que as lutas sejam limpas, sem interferências, como aconteceu dessa vez. Kenny, como um mal perdedor, já pretende se vingar dos Muçulmanos, ainda que sua derrota tenha sido apenas desportiva, e muito justa por sinal. Poet faz um discurso no refeitório sobre Said agravando a crise entre ele e os Muçulmanos. Porém, quem precisa se preocupar na realidade é o próprio Kenny. Adebisi está passo a passo retomando a liderança dos Negros, e Wangler deve ser usado como a “cereja no bolo” desse processo. Os dois braços direitos de Kenny já estão fora de combate. Com ajuda dos Latinos, Adebisi coloca Poet e Pierce para tomarem um banho de sopa fervendo na cozinha. Depois das queimaduras, será que eles ainda farão parte do grupo dos “Negros”? O currículo de inimigos destruídos de Adebisi só aumenta, e ele definitivamente surge como candidato a liderança, não apenas dos Negros, mas de OZ toda.

E para finalizar, o que estará passando pela cabeça de Sister Pete nas sessões com Chris Keller? Charme, persuasão, maldade… não sei. Mas é incrível o poder de Keller. Ele é capaz de fazer um tremendo estrago em tudo o que toca… E esse parece ser sempre o seu objetivo.

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