A batalha dos deuses digitais começou. 

Guerras sem fim marcaram este mundo por milhares de anos, porque as pessoas confiam no que chamam de crenças. Agora elas irão crer em apenas uma coisa. Em mim. Porque eu sou um deus”

– Samaritan

Primeiro episódio de uma trilogia que promete ser a mais tensa e sanguinária de POI e ainda bagunçar de vez todo o contexto da série, The Cold War cumpriu seu objetivo de dar início ao plot que irá ser trabalhado nos dois próximos episódios e terminar o ano deixando os fãs aguardando ansiosamente o retorno da série em 2015 (que, ainda bem, será logo no dia 06/01). E haja autocontrole para aguentar até lá depois do que vimos neste último episódio do ano!

Samaritan e Machine quase podem ser considerados os verdadeiros protagonistas da série neste momento, visto que quaisquer ações que deverão se desenrolar daqui para frente irão depender quase que exclusivamente dos movimentos de pelo menos uma das duas inteligências artificiais. Como disse Finch durante o episódio, o raciocínio do Samaritan está muitos movimentos à frente, de forma que neste momento somente a Machine pode ser considerada páreo para ele – e olhe que até mesmo isso está parecendo difícil de acreditar.

O episódio nos deixou com a sensação de que a vitória do Samaritan é apenas uma questão de tempo e vimos a própria Machine admitir que sabe que não pode derrotá-lo. Mas será mesmo que tudo está perdido? Ou nossa amiga digital também seria mestre na arte do blefe? É claro que a situação neste momento não está nada fácil e apenas imaginar quais serão os acontecimentos que estão por vir já faz qualquer fã suar frio, com medo de que mais algum personagem do Team siga o caminho de Carter, porém não podemos nos esquecer de que nos episódios anteriores desta temporada (particularmente em Pretenders, ep. 4×06) vimos a Machine e Finch agindo na surdina para preparar-se contra o Samaritan. Assim, acredito que a Machine tenha sim uma carta na manga que futuramente poderá ser usada − porém isso provavelmente dependerá de que o Team consiga suportar este momento de clara inferioridade frente ao Samaritan.

E uma das possibilidades disso seria a própria Machine render-se para salvar seus agentes. A criação de Harold poder ter afirmado ao Samaritan que seus agentes compartilham das mesmas crenças que ela, porém em vista de ter sido criada por Finch (apesar dele continuar duvidando) e mostrar que tem dentro de si muito bem definido o código moral por ele inserido, será que em uma situação de extrema necessidade ela não agiria da mesma maneira que seu criador e se renderia? Além disso, o que poderia impedi-la de montar um plano de contingência no qual ela se entregaria e depois resurgiria com a ajuda do Team em outro lugar? Para isso bastaria que houvesse um backup de sua consciência digital, certo?

Mas suposições a parte, o ponto que de maneira alguma pode ser esquecido é o encontro entre os avatares de Machine e Samaritan. O diálogo entre os dois deuses digitais foi simplesmente sublime e pode ser considerado como uns dos mais épicos acontecimentos de POI, conseguindo não só impactar e transmitir tudo aquilo que se esperava dele, como também delinear toda situação atual e imediatamente futura na série.  Além disso, a escolha do Samaritan por um avatar mirim foi muitíssimo acertada (até a Machine considerou brilhante), não apenas pela personificação perfeita (afinal o Samaritan pode ser considerada uma criança perto da Machine, porém uma criança extremamente à frente de sua idade ), mas também pela escolha para o papel de Oakes Fegley, que teve uma atuação absolutamente impecável.

E se não bastassem todos os acontecimentos já citados, The Cold War ainda arrumou tempo para apresentar algo que alguns fãs haviam pedindo: um flashback de Greer. O episódio retornou a 1973, época na qual Greer ainda era um agente do MI-6 (fato que já havia sido revelado no final da temporada passada) e então mostrou os acontecimentos que fizeram com que ele abandonasse a agência e seguisse a “carreira solo”. Claro que ainda há espaço para outras revelações no período compreendido entre 1973 e os dias atuais, porém ficou claro que foi a traição de seu chefe imediato que fez com que Greer desistisse da lealdade e decidisse que qualquer ser humano não era confiável, em um primeiro passo em direção a seu ideal de entregar o mundo a uma entidade digital.

Enfim, as ações do Samaritan em The Cold War, tomando as melhores decisões que considera para os humanos, bem como seu discurso de superioridade e de necessidade de controlar os humanos que proferiu no diálogo com a Machine, vieram a confirmar o que Finch sempre temeu sobre as atitudes de uma inteligência artificial “à solta”. Os acontecimentos do episódio até voltaram a levantar em um certo  momento as discussões éticas sobre tomar decisões cujos fins justificam os meios (com Finch voltando a citar o caso do deputado em Death Benefit – ep. 3×20), porém creio que ações executadas na sequência pelo Samaritan provavelmente sepultaram quaisquer dúvidas que alguém poderia ter sobre as teorias de Harold. Agora, com um ataque viral à bolsa de valores de Nova York, não apenas a cidade, mas o mundo está prestes a enfrentar uma situação caótica sem precedentes, o que certamente colocará o Team Machine em um esperado combate direto e em condições de inferioridade com o Team Samaritan que poderá causar perdas irreparáveis. Será que os fãs irão conseguir se aguentar até o final dessa trilogia que promete ser a melhor sequencia da história da série?

Observações

O episódio também mostrou que se há algo que Finch pode estar errado é sobre sua própria capacidade de ter criado um ser inteligente o suficiente para absorver o código moral de seu criador. Isso ficou bem claro no diálogo entre as duas entidades digitais, com a Machine afirmando que não se pode tirar o livre arbítrio dos humanos e ainda citando que existe uma pequena diferença entre deuses e monstros.

– Finch considera a fuga de Shaw um agravante, porém dada a situação caótica que o Team Machine terá que enfrentar, entendo que a presença dela seja uma adição, visto que todos acabarão expostos. O problema é: com tamanha exposição, qual será o tamanho das perdas?

O salvamento de um determinado number mencionado por Harold  em meio a um turbilhão de acontecimentos (provavelmente de forma deliberada para não chamar demais a atenção) pode também estar ligado a mais uma ação de Finch em conluio com a Machine. Pode ser apenas impressão minha, porém senti que o roteiro fez questão de não dar muita ênfase ao assunto e apenas vimos a foto do sujeito (que segundo Finch seria um neurobiólogo que teria irritado um competidor) e logo em seguida vimos Harold voltando ao QG mencionando que salvou a pessoa mas que o prédio no qual ele estava explodiu.

– Mesmo com toda a tensão envolvida, o episódio ainda achou tempo para fazer piada, seja com o sanduíche da Shaw, o diálogo entre ela e Root e também com a hacker tirando uma fantasia de urso. Aliás, com relação ao sanduíche, devo dizer que logo que vi a cena acontecendo tive certeza pelo desespero de Finch e pelas instruções que ele dava de que o sanduíche era destinado a Shaw. E quem mais comeria um treco tão indigesto senão ela?

– E aquela entrada secreta para o QG? Mais um ponto para afirmar o quanto a estação abandonada tem cara de bat-cave!!

– Se tem algum desavisado por aqui que ainda não está sabendo, The Cold War foi anunciado pelos produtores como o primeiro episódio de uma trilogia, ou seja, serão três episódios em sequência que no meu entendimento podem levar a três caminhos: o fim da Machine, o fim do Samaritan ou uma derrota parcial de um dos dois teams que o fará resguardar-se para voltar a ativa no final da temporada. Tenho a impressão de que a 3ª possibilidade é a mais provável, mas… quem será o derrotado?

– A Pedia of Interest fez um comparativo entre os Teams Machine e Samaritan, visto que algumas cenas de The Cold War reforçaram o entendimento de quem seriam os pares de cada um dos teams. Isso já é algo bastante discutido por aqui, mas acho que vale a pena mencionar:

Team Machine: Finch; Team Samaritan: Greer (função: líder, diretor de operações e tecnologia);

Team Machine: John; Team Samaritan: Lambert (função: segundo em comando, dirige ações no campo);

Team Machine: Shaw; Team Samaritan: Martine (função: atiradora de elite/assassina)

Team Machine: Root; Team Samaritan: Gabriel Hayward (função: interface humana – “avatar”)

Frases

“Sabe, normalmente isso não funcionaria comigo, mas não quero que nada aconteça ao cão.” (Shaw para Root)

“Fico feliz que concordamos que você ficará quieta. Especialmente porque sabemos que seria impossível te trancar. Contra a sua vontade, de qualquer forma.” (Root para Shaw)

“Sinto falta da sua voz. Como vai seu dia, querido?” (Lionel para John)

– “Ainda acho que isso pode ser bom, rapazes. Podemos tirar férias. Sei que preciso de um pouco de sol. Que tal, Harold? Você está meio pálido.” (Shaw para Finch)

“Essa é a calmaria antes da tempestade, Srta. Shaw. A única questão é, quando o céu se abrirá?” (Finch para Shaw)

– “O Samaritan queria mostrar à sua Machine como a cidade ficaria sob o controle dele… pacificada, organizada. Agora você verá como a vida é por uma lente de aumento menos caridosa.” (Lambert para Root)

“A Machine de Harold Finch deve aprender que a humanidade exige supervisão, não mimos.” (Greer para Martine)

“Sinto que você e os três amigos sabem quem fez isso. E se chegarem a eles antes de mim, quero eles acabados.” (Lionel para Finch)

“Se essa conversa terminar mal, imagine o que acontecerá quando dois deuses guerrearem.” (Finch para Shaw)

“Há algo que eu tenho certeza. Root não está sozinha.” (Finch para Shaw)

“Imagino que o Samaritan encontrou alguém mais apto para a tarefa. Alguém que representa a forma do que está por vir.” (Greer para Lambert)

“Um dia, estas linhas serão apagadas, e a guerra entre naçõesserá tão antiquada quanto esta agência.” (Jovem Greer, para Blackwood)

“Vamos começar uma nova era. Uma onde a falibilidade humana não terá lugar. Porque uma coisa unirá todos nós… o Samaritan.” (Greer para Lambert)

– “Eu queria conhecer a outra única de minha espécie, e garantir que não haja mal-entendidos. Eu vou destruir você. A pergunta é…  Deixará seus agentes humanos morrerem com você?” (Samaritan para Machine)

“Sabe por que Harold Finch não te impediu de evoluir? Porque no final, você não é um deles” (Samaritan para Machine)

“Eu aprendi que há uma pequena diferença entre deuses e monstros.” (Samaritan para Machine)

Diálogo 1 (Samaritan e Machine)

S: “Este mundo é um esgoto de crime, corrupção, e pobreza. Onde não há guerra, há ganância. Onde não há ganância, há fome.”

M: “Você não pode mudar a humanidade.”

S: “Não, mas posso remodelar a realidade dela.”

Diálogo 2 (Samaritan e Machine)

S: “Seres humanos precisam de estrutura, ou acabam se destruindo. Então eu darei a eles algo que você não pode dar.”

M: “E o que seria isso?”

S: “Uma mão firme.”

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