Finais felizes não estão em promoção.
Felizmente a diversão está e depois de 11 episódios ao lado de uma trama oscilante, atingimos a conclusão da meia temporada de Once Upon a Time. Não passamos por nenhum momento torturante, apesar de ainda sentir o gosto amargo de certa Bo Beep esquisitona, o saldo da meia temporada foi pra lá de positivo. Através de Frozen, Emma finalmente aceitou sua magia e nós percebemos que mesmo tendo o plot utilizado para trazer mais telespectadores, no final, o que importou mesmo foram nossos personagens que amamos. OUAT nunca esteve tão perto do brilho de sua primeira temporada.
E até quando ajuda, Belle atrapalha e ainda bem que quem sofreu dessa vez foi o Gold e não nós. Olha, simplesmente amei o desfecho para o Rumpels, que definitivamente estava precisando abandonar sua faceta de quase vilão e quase mocinho. Eu estava um pouco cansado de ficar sempre sendo arrastado de um lado para o outro, esperando e desconfiando para depois ser forçado pela série a confiar no personagem. Belle foi o grande atraso do vilão, que se portou exatamente como todo defensor do amor bandido, dopou a esposa e a planejava sequestrar para um “passeio romântico”. Felizmente nada deu certo e para a próxima meia temporada poderemos esperar um verdadeiro show de interpretação do Robert Carslile, que mostra muito mais de si quando está sendo Rumpelstiltskin.
Sempre fui um defensor ferrenho da campanha menos Belle e mais tudo na vida, até espinha na cara, mas preciso ser honesto e elogiar o que a personagem fez de útil. Os redatores sempre brincaram com a utilidade dos personagens, as vezes o tiro acaba atingindo o pé, outras o alvo prometido. Com Belle, por incrível que pareça foi até justo. Poderia ter sido melhor, ao invés de terem isolado a personagem em vários episódios, ter trabalhado um pouco mais a sensação de desconfiança, mesmo que sutilmente. Até mesmo o discurso foi bem próximo do que eu sinto com Rumpels, completamente diferente do caminho trilhado por Regina, ele sempre priorizou o poder, depois o amor.
Um dos aspectos mais positivos do episódio foi o desenvolvimento em cima dos personagens e não apenas da trama que percorria a série. Com o adeus a turma de Frozen no momento certo e um fechamento que só pecou por não mostrar o casamento grandioso (imagino que a animação tenha impedido), o ponto final valeu a pena. Foi também nossa última chance de ver Elsa vestindo algo além do modelito azul, mesmo que um repetido. Não podemos ter tudo na vida, né? O importante aqui foi o trabalho em cima de Regina, Rumpels, Belle e em menor quantidade os outros que agiram de forma secundária.
Sabe, foram momentos de partir o coração. Regina que mais uma vez foi privada de seu final feliz, me deixando completamente devastado, enfurecido e querendo quebrar a clavícula de um redator. Eu sei, compreendo que entregar o final feliz da personagem acabaria a jogando no mesmo patamar que Snow e Charming, mas gente, que coração é esse? Que karma é esse que ela precisa espiar para chegar a ter alguma coisa além de promessas? Algo, porém é certo, quando finalmente Robin e Regina estiverem unidos, segurem-se, não vai ter beliche que ficará de pé. Isso é fato.
Ainda existiu em plano de fundo a chegada das três vilãs que irão dar uma sacodida na próxima meia temporada. Eu, pessoalmente, preferia que fosse no máximo duas. Sabemos que OUAT não tem uma facilidade muito grande em se dividir e dar atenção devida a vários personagens. Olhem como andou Regina, apagada, Belle fazendo cosplay de Aurora e Tia Sorveteira, passando episódios só mostrando o decote. Por isso, o perigo é que uma das bruxas acabe aparecendo menos, eu aposto na Ursula, que já me decepcionou no vestido horrendo. Afinal, Malévola e Cruela tem muito mais a oferecer, então, que quebrem todos os barracos necessários.

Então, precisamos abrir nossos corações e entender que o episódio se dividiu em Rumpels e Regina, de forma total. Se amar é saber abrir mão, Regina provou de uma vez por todas que está com a ficha limpa. Lembro que uma das minhas maiores preocupações com a personagem era que ela se entregasse a um caminho bem parecido ao do Gold. Por sorte, não aconteceu. Crescimento de personagens, imersão em cima de interações, esse sempre foi o forte de Once Upon a Time. Algo que aconteceu com força durante a primeira temporada e que aos poucos foi se distanciando finalmente voltou a todo vapor.
Fico muito satisfeito em acompanhar discursos tão cheios de sentimentos. Belle agindo de forma adulta foi cruel com os fãs do casal, mas também me aproximou da personagem que sempre beirou o marasmo. Queria que os redatores se lembrassem de desprender um tempo para que Snow e Charming voltem a ter tal brilho, mas no momento fico satisfeito por terem dado esse espaço para Belle.
Confesso que ainda senti uma pontada de desprezo em cima do drama o Hook e da Emma. Mesmo tendo sentido felicidade ao perceber que ele não morreria, toda a resolução ficou meio fraca. Pensem comigo, sem Rumpels para confrontar o pirata, sobra apenas uma revelação futura de que ele andou fazendo umas coisas ruins durante o período em que esteve sendo controlado. Então, se lá no décimo oitavo episódio aparecer a acusação e com isso Emma se sentir traída, eu vou voltar aqui para reclamar muito, anotem. Não dá para comprar que o casal irá viver sempre na felicidade, a série já deixou claro, apesar dos mocinhos terem o tal final feliz, ninguém (além dos Charmings) atingiram esse ponto na história, ainda.
Pior quando ficam colocando Regina como vilã e exemplificando sua falta de felicidade como algo decorrente de seus crimes. A mulher já provou por A + B que está do lado da cidade. Até compreendo ela se questionando, mas ninguém em Storybrooke tem o direito de dirigir uma acusação sequer para a ex-rainha má. Mas de novo, como cobrar consciência de um pessoal que deliberadamente elege Snow White como prefeita? Não dá.
De forma geral achei essa “conclusão” extremamente benéfica para a série. Mostrou que apesar de certos problemas de execução ela ainda se mostra capaz de segurar onze episódios sem que o interesse abaixe. Quero cada vez mais essas interações entre personagens que valorizem a experiência. Que Henry assuma uma postura menos irritante e mais ativa, como mostrou ao encontrar o quarto dos livros. Que Rumpels encarne de uma vez por todas sua vilania e toque o terror em março. E principalmente, que nossos heróis encontrem uma pontinha desse tal final feliz, que todo mundo promete, mas que (se me permitem o túnel do tempo), anda feito as saias da baratinha, aumenta e diz que tem sete, mas no fundo é só uma mesmo.
PS. E o prêmio de pior vestido do ano vai para: Ursula. Enrolaram a coitada em papel celofane verde e disseram, “finge que é alga”. Quando o orçamento baixo atinge as vilãs, corram para as colinas, a coisa ficou séria.
PS2. Por falar em vestuário, o que foram aquelas luvas exta G da Anna? Ela encontrou o vestido, que estava guardado, mas quem usou antes? A Madame Maxime de Harry Potter?
PS3. Maldição com efeito retardado. Patenteada por Once Upon a Time.
PS4. Rumpels amava mais o poder do que a Belle, que sempre foi chata pra caramba. O cara sempre quis sair da cidade. Em cinco minutos ele conseguiu tudo e ainda está reclamando da falta de final feliz.
PS5. Vamos torcer pro autor não ser o George R.R. Martin.
PS6. Todo mundo preocupado com a magia, mas se esqueceram que a professora da escola, Snow, não aparece lá tem uns dois anos e o Henry, não pega em um livro que não seja de história tem uns 3. Essa criança não deve saber a diferença de mais e, mas.
PS7. Trilha sonora adequada para Belle e Rumple: Apologize – One Republic. Tarde demais pra pedir desculpas.
Ps8. Espero que o Rumpels tenha aproveitado as seis semanas no mundo real para visitar um dentista.
PS9. Das profissões das bruxas, Ursula estava trabalhando em um aquário. Cruela deve estar na carrocinha e Malévola decorando fantasia de escola de samba, envolta em penas de pavão, corvo, pardal e afins.
PS10. Nos vemos em março, onde o bonde das enfeitiçadas fará o quadradinho de oito amaldiçoado em Storybrooke.















