Um episódio em que tudo funcionou, até os romances.
É um pouco estranho comentar a respeito do mid-season finale depois de ter encarado um crossover entre Arrow e Flash, tudo porque o nível de adrenalina e antecipação para o episódio anterior foi tão grande quanto o deste. Se no encontro de vigilantes sobrou ação, aqui o que tomou conta mesmo foi a emoção. Um momento para dedicar atenção especial não só as cenas velozes, aos efeitos especiais bem trabalhados, mas para nos preparar para toda uma nova abordagem da série para com sua temática e mitologia. The Flash entregou um episódio redondinho, cheio de ótimos momentos e até mesmo boas atuações.
Primeiro quero começar comentado a respeito das gangorras emocionais do episódio. Tudo foi muito bem interligado, apesar das interações terem se desenvolvido de maneira separada. É muito importante que os personagens avancem em todos os quesitos, servir apenas de apoio é muito simples, dar dimensão e personalidade nem tanto. Todo mundo ganhou certo destaque, apenas Cisco continua um pouco negligenciado pelo roteiro. Sei que o nerd existe basicamente para providenciar insight tecnológico e ser aquele alivio cômico, mas em algum momento precisaremos conhecer um pouco mais sobre ele. O problema será nos empurrarem um drama muito grande lá na frente, sem que haja antes uma preparação do terreno. Ainda fica como momento de destaque sua criação do raio congelante e sua conversa nada amigável com o Wells no quarto episódio da série.
Melhor de tudo, a participação do Flash Reverso funcionou mais ou menos como uma barreira para evitar que o excesso de sentimentalismo trouxesse para baixo a dinâmica do episódio. Enquanto assistíamos por declarações de amor, confissões de culpa, perdão e coleguismo, também nos imergíamos em um embate, ou melhor, em uma verdadeira surra provida pelo Flash Reverso (me recuso a chamar de Flash amarelo, pois isso soa muito Power Rangers). Então, gosto de pensar em ‘The Man in the Yellow Suit’ como uma espécie de receita de programa de culinária. Existiu uma preparação visando quebrar o doce, ou amargo do sentimentalismo, com um leve toque de pimenta no final. E me perdoem pela analogia, mas não existia maneira melhor de pontuar a construção do roteiro.
Palmas para os redatores, que depois de nos fazer de refém por oito episódios, colocaram Barry Allen confessando seus sentimentos por Iris. Já que todos nós temos a absoluta certeza de que o conselho dado por Oliver Queen no episódio passado seria desprezado, por que nos enrolar? Não tem explicação, não é? Se é para trabalharem o romance, se é para nos enfiar goela abaixo algo que ainda não estamos preparados para engolir, que o façam assim, de maneira concisa e não criando situações de virar os olhos. Se o Barry esperou sua vida toda (praticamente) para confessar seu amor por Iris, eu pensei que precisaria esperar pelo menos mais uns dez episódios para chegar no ponto que estamos hoje.
Isso, aliás, só cria um pouco mais de teorias a respeito do Eddie ser de fato, o Flash Reverso, mesmo que uma versão do futuro, ou descendente, alguma conexão o cara tem com o vilão. Estão construindo nele um antagonista do Corredor Escarlate, quer seja pelos sentimentos de Iris pelo ‘Raio’, ou os de Barry. Eu vejo toda a gênese de um antagonista sendo criada para nosso aspirante a velocista. Só não consigo ainda juntar todas as peças deste quebra-cabeça gigante. Porém, verdade seja dita, eu não me importo muito com quem o Reverso seja desde que ele continue se provando uma pedra no sapato de todo mundo na série.
Agora vamos lá, falar um pouco mais sobre Wells e o homem no traje amarelo. Toda a montagem com o Flash Reverso (palavras dele, não minhas), foi bem desenvolvida e realmente, de deixar os cabelos em pé. Tenho algumas ressalvas, já que a série ainda está trabalhando muito na nossa expectativa para a revelação, e a julgar pelo ritmo bem acelerado, eu confesso ter esperado por uma entrega maior antes da pausa de final de ano. Colocar o professor misterioso ao lado do traje e com a voz balançada não é indicativo de quase nada, ao contrário, parece mais uma forma de nos despistar. Mas seu conhecimento, seu envolvimento e interesse, isso é sim parte fundamental para as respostas que uma hora teremos.
Porém, se somos despistados neste quesito, nos outros a série entregou tudo de maneira bem satisfatória. Vejam o saldo: Cisco revela que existiam dois velocistas. Barry confessa seu amor por Iris. Firestorm/Ronnie está vivo e todo mundo já sabe disso. Reverso aparece. Barry se abre para o pai a respeito do assassino da mãe e sua existência, em uma bela cena com apelo emocional na medida por parte do ator, Grant Gustin. Quantas séries, hoje, tem essa velocidade no desenvolvimento de suas tramas? Pouquíssimas, pode ter certeza.

Claro que eu não poderia deixar de elogiar os efeitos e audácia na apresentação do Firestorm. Se no começo eu achei um pouco de quebra na sequência das cenas com Barry e o Reverso, depois eu consegui compreender a dosagem. Se nada disso tiver sido o bastante, assista novamente a cena com o cara voando. É muita ousadia a série ir tão longe em um episódio. Ainda estamos distantes de atingir a metade da temporada e já vimos de cara, um futuro herói voando pela cidade de Central City, em uma cena de auxilio digna das histórias em quadrinhos.
Fiquei muito contente também por não terem arrastado Caitlin para um mar de clichês. Sua confidência em Cisco também cooperou e muito para que o personagem tivesse uma relevância maior no episódio. Seria muito fácil deixa-la vagando pela cidade, tentando encontrar um Ronnie desmemoriado, ou fazê-lo recobrar a consciência momentos antes de realmente causar algum mal. Mas não, nos despedimos de um personagem mentalmente abalado com uma frase de aviso e uma saída digna de um mestre. Eu já disse e irei repetir, não existe problemas em utilizar alguns clichês, desde que eles acrescentem ao texto. Um clichê que tira o brilho das cenas e caí facilmente no ridículo, ou galhofas, precisa sempre ser rejeitado. E é assim que The Flash vem trabalhando, na totalidade, até os clichês exalam boa vontade.
E se tudo não ficou bem claro, venho para salientar novamente. Estamos lidando com uma viagem no tempo. A forma com que o Reverso “poupou” a vida do Eddie, ou Wells que claramente tem acesso a objetos e informações do futuro é o maior exemplo desta afirmação. Não apenas isso, mas ter na série o pai do Barry como ator que interpretou o primeiro Flash, o surgimento da atriz que interpretou sua amiga na série e a promessa de ter Mark Hamill reprisando o papel de Trickster, já são indicativos suficientes de que a série quer quebrar as barreiras do tempo, de um jeito ou de outro.
Sendo assim, como mid-season finale o episódio pode ter pecado um pouco por ter perdido o ritmo mais perto do final, sem fechar com um gancho realmente ensurdecedor para os protagonistas. Mas recobrar a poeira de um crossover, entregar o vilão da série, não só da temporada e ainda conseguir dosar ação e sentimentalismo fizeram de ‘The Man in the Yellow Suit’ um episódio totalmente estruturado e bem organizado. Várias respostas foram dadas, outras muitas perguntas levantadas e se por enquanto a série não está entregando os pontos finais, pelo menos ela se encarregou de fechar alguns parênteses. Nos vemos novamente em janeiro, quando a série retorna. Até lá, cuidado com o homem do traje amarelo.
Easter eggs e outras informações
– A atriz Amanda Pays a rival do Wells, interpretou a personagem Dra. Tina McGee, na série The Flash de 1990.

– O anel que o Wells utilizou é saído dos quadrinhos. Lá o Barry guarda um uniforme dentro do anel, no melhor estilo “maleta dos Jatsons”.
– Existem dois personagens que assumiram o nome de Flash Reverso: Professor Zoom e Zolomon.
– Nos quadrinhos o Firestorm é a junção de duas pessoas, uma espécie de fusão. Explicando o motivo pelo qual o Ronnie diz não ser quem Caitlin pensa.
– Fico bem dividido entre quem é quem, Hunter Zolomon, um dos Flashs Reversos tem como objetivo fazer do Barry um herói melhor. Explicando sua provocação. Mas isso também se aplica ao Wells. Ao mesmo tempo, não explica por qual motivo ele pouparia o Eddie. Confusão, esse é o meu estado ao escrever a review. Aceito as teorias de vocês. Pra mim, é tudo coisa de família e descendentes.
– Flashpoint Paradox é o evento em que Barry e o Reverso viajam em linhas temporais diferentes e acabam criando uma realidade alternativa. Existiam dois velocistas, no passado. Assistam a animação, é excelente.















